27 de nov de 2013

CONVITE - DEFESA DE TESE SOBRE BIOATIVIDA​DES DE FONTES HIDROMINER​AIS DO BRASIL -FABIO T LAZZERINI -29/11/2013, às 14:00 horas, no Prédio da Pós-Graduação em Geociências (Av. 24 A, 1515 – Bela Vista)

TERMALISMO NO BRASIL:

A PIC “OVELHA NEGRA”





 

By Fabio Lazzerini – vice presidente OMTh – 19/11/2013
Sendo um entusiasta do Termalismo, parabenizo Lazzerini, colocando-me ao inteiro dispor,
visando o soerguimento do setor, de suma importancia social, medicinal, turistica e economica para o Brasil como um todo- O Demasi






Denominada comumente na China como “Medicina Europeia” a Crenologia vem

criando identidade global através do conjunto temático: termalismo, hidroterapia,

balneoterapia ou SPA terapia. Também se associam os segmentos: onsen, shiatsu, kneipp,

water cure, climatoterapia, talassoterapia, argiloterapia, espeleoterapia, radonioterapia,

ambiente, turismo ou resort de saúde e até mesmo às paisagens terapêuticas.

Talvez por esta forte tradição no continente Europeu, onde milhares de pacientes são

tratados em seus centros termais todos os anos e com subsídios dos sistemas públicos de

saúde; apenas mais recentemente tais práticas estão sendo consideradas como

complementares, alternativas ou integrativas medicinas (CAIM em inglês ou PIC em

português); tanto em pautas políticas como pesquisas científicas da saúde.

Assim, começa a ser corrigida a distorção estatística dos escassos protocolos em

ensaios clínicos de padrão internacional, sobre suas eficácias terapêuticas com relação às


outras práticas CAIM (ou PIC); principalmente considerando o grande número de artigos

publicados apenas no segmento do termalismo. A adoção sistemática destes critérios

metodológicos segue a tendência internacional para o rigor científico nas pesquisas médicas

para estas práticas (MEDLINE Database, EMBASE, ISI WEB of Knowledge, COCHRANE

database Method., AMED, CINAHL, PubMed, Web of Science, Physiotherapy Evidence


Science Direct, Scopus and Ingenta) cada vez mais importantes no tratamento e melhora da

qualidade de vida das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). E, portanto, atividade

estratégica ao sistema de saúde pública Europeu, que está em pleno processo de

unificação.

Em todo o Mundo, as DCNT vêm aumentando sua magnitude como problema de

saúde pública, correspondendo a mais de 72% das causas de mortes e custando acima de

60% do gasto total aos sistemas públicos de saúde; podendo alcançar em 2020 o patamar

de 80% (WHO, 2003). Estima-se que as pessoas portadoras de DCNT costumam recorrer

as CAIM, de duas a cinco vezes mais que as portadoras de outros tipos de patologias

(Willison et al., 2007).

Ao se observar a classificação das CAIM de acordo com o modo primário de ação

terapêutica (National Center for Complementary and Alternative Medicine - NCCAM at The



National Institute of Health - NIH), pode-se sugerir que as modalidades relacionadas ao

termalismo possuem propriedades fundamentadas em quatro das seis categorias, sendo:

bioquímica, biomecânica, mente-corpo e energética.

As principais instituições internacionais e dos países praticantes do termalismo social

(ISMH, SITH, OMTH, FEMTEC, AFRETH, FoRST - Fondazione per la Ricerca Scientifica

Termale/ITA, Voprosy kurortologii fizioterapii i lechbnoi fizicheskoi kultury/RUS, diversas

universidades Japonesas - ONSEN, centros Franceses de Clinical Research, Erasmus

University/NDL, University of Ulster/IRE...); possuem atualmente intensa atividade de

pesquisa neste enfoque.

Apesar disto, o termalismo como CAIM pode ser considerado como “ovelha negra”

pois pouca é sua expressão nos principais bancos de dados especializados acima citados

(clinical trials databases), por exemplo (palavras chave- healthy nature, SPA therapy,

hydrotherapy and thermalism): WHO articles, CAMbase.de, Pan-European research network

for CAM (CAMBRELLA) = ZERO; também raras citações na NCCAM (USA) e pelos

pacientes canadenses das CAIM (Sirois, 2008); COCHRANE LIBRARY = 4 (Wieland et al.,

2011); IOM = 2; MEDLINEPLUS-NIH = 26 e CLINICALTRIALS.GOV (SPA therapy)= 11.

Releva-se que muito recentemente a Organização Mundial de Saúde (WHO), enfim

começa a observar mais atentamente a hidroterapia (provavelmente com todo conjunto das

terapias correlatas), diante de seu potencial terapêutico, eficácia e benefícios comparativos

às outras CAIM; através do Projeto HydroGlobe/2013. Espera-se assim que, recursos e

ambientes naturais possam em breve ser considerados como potencialmente

medicamentosos ou curativos por esta importante organização internacional; donde muito se

descreve quase exclusivamente os efeitos danosos à saúde em exposições à natureza

degradada.

Apesar dos custos das terapias de SPA serem pouco superiores a alguns outros

tipos de tratamentos, parece ser consenso a evidente melhora na qualidade de vida dos

pacientes. Também se considera importante notar que para os habitantes nas redondezas

das ocorrências destes recursos naturais terapêuticos, tais custos são bem menores e

nestes locais ficam bastante facilitadas as aplicações dos conceitos de integralidade das

práticas de saúde.

Mas a principal tendência do termalismo está na diversificação em três áreas:

.RECREAÇÃO E BEM ESTAR

.SPA, NUTRIÇÃO, ESTÉTICA E COSMÉTICA

.TRATAMENTOS DE MEDICINA HIDROLÓGICA TRADICIONAIS OU BREVES

(STOP-TAG).

Estima-se que entre 2005 a 2015 o Brasil perderá 49 bilhões de dólares da renda

nacional com mortes prematuras devido às DCNT, com mais de 10 milhões de óbitos e



tendência de crescimento em 72% deste total (WHO, 2005). Em 2025, serão mais de 30

milhões de indivíduos com mais de 60 anos, e a maioria deles, cerca de 85% apresentará

pelo menos uma DCNT (IBGE, 2010).

Para todas as 12 principais DCNT consideradas no país: hipertensão, dor de coluna,

artrite ou reumatismo, bronquite ou asma, depressão, doença do coração, diabetes;

tendinite ou tenossinovite, insuficiência renal crônica, câncer, cirrose e tuberculose* (PNAD,

2008); foram encontradas publicações científicas com pesquisas sobre seus tratamentos

relacionados ao termalismo (vide anexo FORST).

Mas as melhores evidências e quantidade de trabalhos indicam esta prática para

doenças reumáticas, que constituem a segunda causa dos gastos públicos em benefícios de

auxílio-saúde concedidos à população Brasileira.

De acordo com Falagas et al., (2009); dentre os mais de 200 artigos científicos

relevantes investigativos sobre balneo-hidroterapias ou SPA terapias utilizados em

tratamentos das diversas especialidades médicas; a proporção de 75,8% está relacionada à

reumatologia. Uma razão equivalente também é observada em avaliação mais atual na

Europa (HydroGlobe, 2013).

A legislação de mineração nacional sofre profundas modificações no país e as águas

como recursos minerais, estão inclusas nas dúvidas que rondam este setor. E neste cenário

aparecem novas oportunidades para maior atenção da governança da saúde pública sobre

os recursos naturais potencialmente medicamentosos como águas, ambientes, lamas,

areias, etc. Uma vez que, dentre as CAIM, o termalismo participa com apenas 1% do total

praticado no país e por isso aqui comparado à “ovelha negra”.

Também atrelada ao Ministério de Minas e Energia deveria funcionar a Comissão

Nacional Permanente de Crenologia, que possui atividades apenas esporádicas, com

enfoque basicamente voltado à indústria de água mineral engarrafada e que há mais de seis

anos está sem uma legítima participação da Sociedade Brasileira de Termalismo. Esta

instituição (SBT), com nova diretoria, começa a buscar apoio político e empresarial, bem

como agregar interesse por parte da comunidade que atua neste setor. Com novo link:


www.sbtermalismo.org.br , estão em andamento parcerias com: AGENCIA NACIONAL DE


ÁGUAS (ANA), ABINAM, ATHISC, ABCSPAS, AGRO-GRÃO e outras cooperativas

agrícolas; bem como participações em editais públicos para projetos em saúde, turismo e

meio ambiente. E a organização conjunta para Abril de 2014 do V THERMAL MEETING

OMTh BRAZIL e do II SYMPOSIUM OF THE BRAZILIAN SOCIETY OF THERMALISM &

SPA (em comemoração aos 40 anos da SBT).

A situação das 76 estâncias hidrominerais existentes e dos 35 municípios onde

ocorrem atividades correlacionadas vem apresentando boa evolução quando sob

empreendimentos privados, especialmente como SPAs e parques aquáticos; mas a grande

maioria e que é administrada por governos municipais, encontra-se muito aquém do

sucesso socioeconômico condizente ao termalismo mundial, com raras exceções.



A grande esperança está no recente interesse demonstrado pela Área Técnica de

Práticas Integrativas e Complementares - Departamento de Atenção Básica do

SAS/Ministério da Saúde; em apoiar o Termalismo Social – Crenologia através do

financiamento de projetos observatórios em locais relevantes e do treinamento de

profissionais Brasileiros da área de saúde para realização de ensaios clínicos (“clinical

trials”), sob orientações de médicos especialistas na execução destas pesquisas

padronizadas, provenientes de centros internacionais renomados, especialmente Europeus.

Com relação as pesquisas e ensaios clínicos, devido ao bom número de trabalhos

realizados nas décadas de 30 e 40 (Poços de Caldas, Lambari, Caxambú e Araxá/MG;

Águas de São Pedro, Águas de Lindóia e Ibirá/SP e Caldas de Cipó/BA), bem como pela

carência destes estudos atualmente, pode-se considerar a Crenologia no Brasil, até mesmo

como medicina tradicional!

Após minucioso levantamento, podem ser ressaltados os seguintes trabalhos clínicos

atuais publicados:


Águas de Lindóia/SP (Taveira & Penachi, 2012): Feridas crônicas


Caldas Novas/GO (Haesbaert, 2013): Feridas crônicas


Rio de Janeiro/RJ (Cantinho & Silva, 2009): Grandes queimaduras


Peruíbe/SP (Britschka et al., 2007; Gouvea, 2011): Artroses (argiloterapia)


Natal/RN (Andrade et al., 2008): Fibromialgia (talassoterapia)


Presidente Prudente/SP (Liborio & Penatti, 2007): Dores lombares


Araxá/MG (Pires, 2006): Artrite reumatóide


Japi/SP (Nunes & Tamura, 2011): Dermatologia


Ibirá/SP (Antonio, 2001): Dermatologia


Guarapari/ES (Mello, 1971): Reumatologia (psamoterapia monazítica).

Além da prática cotidiana em alguns balneários dos doutores: Maria Cristina Biasoli,

Christiane Márcia Cassiano Machado e Maurício Garcia (UNIFESP/SP), Teresa Cristina

Alvisi (Poços de Caldas/MG), Jaqueline de Moraes Cunha (Caxambú/MG), Maria Celina

Mattos (São Lourenço/MG), Rodrigo Montandon Esteves Pires (Araxá/MG), Marta Regis

Fogaça (Gravatal/SC), Mauricio Pupo (Adatina Cosméticos/SP), Juan Lopes (S.J. Rio

Preto/SP), Celso Henrique de Azevedo Marques (Águas de São Pedro/SP), Nélida Amélia

Fontana (Ibirá/SP) e V. Israel (Curitiba/PR - editor board Balnea Journal).

O Brasil detém 12,6% do total Mundial dos recursos hídricos (Aquastat, 2010), muito

disto, ainda preservado ou até mesmo desconhecido. A governança destas águas tem o



termalismo como opção de reconhecida sustentabilidade e excelentes indicadores possíveis

numa gestão integrada da água urbana de acordo com o Projeto Millennium (IUWM-

ONU/2011), oferecendo diversos serviços de saúde ambiental, elevada renda média e

segmentos verdes com base em baixo volume extraído dos recursos naturais locais

(especialmente aquíferos).

Junto a esta rica hidrodiversidade, o país possui aspectos bioclimáticos únicos nas

umidades tropicais de conhecidos benefícios à saúde (Lemaire, 1957), gigantesco litoral

banhado por águas das mais mornas e salgadas da Terra (ideal à talassoterapia),

evidencias de boa qualidade do ar (baixas emissões de CO


2


, CO e tamanho do aerossol)

que podem ser vistas do espaço (NASA, 2013) e a Amazônia com sua biodiversidade e

particular microclima de evapotranspiração.

Este resumo faz parte da apresentação de 19/10/2013, na Conferencia Internacional

OMTh: “The new frontiers of the European healthcare system - The implementation of the

EU Directive on the application of patient’s rights in cross-border traditional and thermal

healthcare; em Palazzo delle Terme - Levico Terme (TN) – Italy”. Cuja íntegra deste e outros

trabalhos de nove países que praticam o termalismo, está disponível no link:




Anexo Forst

ELENCO PUDMED LAVORI SULLE ACQUE TERMALI

»SKIN; (51)

»RHEUMATIC; (56)

»PSYCOLOGICAL/NEUROLOGICAL/PAIN; (22)

»RESPIRATORY/COPD; (36)

»INFLAMMATION/ANTIOXIDANT; (29)

»BLOOD CELLS; (17)

»CARDIOVASCULAR; (25)

»EPIDEMIOLOGY/METANALISYS/LIFESTYLE; (45)

»ENT (Otorhinolaryngology); (28)

»URINARY; (12)

»ENDOCRINE/METABOLIC; (20)

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