28 de ago de 2014

Pasta do Turismo no Estado de São Paulo é usada como barganha política e não para implementar politicas públicas. Isso é que é descalabro

Foto - Parque Municipal do Guarapiranga- M Boi Mirim-SP - Foto site PMSP



Vi  nos últimos 44 anos no Estado de São Paulo e na Cidade de São Paulo, que a atividade turística é tratada de forma anacronica, sem planejamento, participação e sem isso, um continuar de escorregões, faz e desfaz , falta de politica pública integrada, objetivando um desenvolvimento macro sustentavel e participativo

Via dominio de associações, entidades do trade turístico, ou mesmo de grupos politicos, tanto a pasta estadual, e  municipais,  onde existem, mudam intempestivamente suas ações ao sabor de quem está no comando. Mesmo os inúmeros Planos Estaduais e Municipais, são em quase toda a sua totalidade meros compendios encadernados e com muitas fotos, que vão se empoeirar em alguma estante.
Desde as primeiras ações encetadas na prática, após o termino do Curso de Técnico em Turismo pelo Senac -1969 – o que mais enfatizei foi conscientização, sensibilização e o direcionamento dos treinamentos dados, visavam subsidiar os professores, entidades, sindicatos, associações dos municipios onde os cursos eram realizados, da importancia da atividade sobre toda a comunidade e seu papel de motor da economia local
Nos anos de 73 a 74 , a ação de Assessoria Turística na Estancia Hidromineral de Águas de Lindóia-SP,visou buscar novos fluxos, via eventos e enfatizando forte ações no tocante a treinamento, realizando entre outros Curso de Administração Hoteleira com 60 horas. Mas foi na pesquisa de campo, entre sitios, chácaras, fazendolas, bairros que se descobriu uma cultura criativa em todos os aspectos, o que impulsionou o turismo de compras, via artesanato, produtos caseiros entre outros. Foi ai que a população viu o que é redistribuição e geração de renda.
A experiencia, trouxe a baila no começo de 1975, com apoio total da Editora Aduaneiras,  a publicação do  MANUAL DE CONSCIENTIZAÇÃO TURÍSTICA, surgindo dai solicitações inúmeras de palestras e exemplares pelo país afora. Passada a euforia após alguns anos pouco ou nada foi feito.
Nova experiencia  deu-se em Goiania, entre 1984 e 85, onde o então prefeito Nion Albernaz, topou o desafio de implementar o turismo na cidade. Pouca gente acreditava, mas ele topou. O primerio passo foi a realização do Fórum TURISMO E PARTICIPAÇAO COMUNITÁRIA, dividido em 8 grupos de estudos e com a participação de 144 participantes, surgindo dai a CARTA TURÍSTICA DE GOIANIA, que enfatiza a  necessidade de ser gerada e planejada pelo poder público em todas as estancias, profissionais, empresários e comunidade. Estava formado ai o élo indispensável ao desenvolvimento turistico sustentável.
A conscientização, sensibilização, profissionalização e reciclagem são de suma importancia, mas é preciso vontade política para inserir o maior número de participantes,  roteiros, atrações, entretenimento, abrindo assim possibilidades para um número cada vez maior de pessoas, empreendedores investirem no multifacetado setor chamado receptivo. Precisa-se também legislação de fomento e ordenamento.
Na Administração Regional de Santo Amaro, por dois anos, na gestão Marta Suplicy, tendo a frente o engenheiro Nerilton A. do Amaral, foi implementado um setor de eventos e comunicação e ali surgiram através de parcerias, apoios, inúmeros eventos geradores de oportunidades, tendo  no turismo uma nova  alavanca ao seu desenvolvimento sustentável.
Na Subprefeitura de M Boi-Mirim, o que aflora é a  riqueza natural que  a região possui, embora perto de enormes problemas, mas ações de mapear, fotografar, estudar as potencialidades, na área esportiva, naútica, ecológica, aventura, gastronomica, levantando também os equipamentos como clubes, hipicas entre outros. Também procuramos encetar ações com a Capela do Socorro, que margeia a Represa de Guarapiranga e até com Parelheiros, outro ponto fantástico. A população veio junto e acreditou. Depois vieram oito anos de ostracismo. Os governantes só injetavam apoio nos pólos consagrados, esquecendo toda essa periferia turística.
A cidade de São Paulo precisa de politicas públicas especificas e não somente um Conselho Municipal de Turismo, que  desde a sua criação, é dominado por representantes em sua maioria do empresariado, que não olham  a cidade como um todo e sim o seu quinhão. A espectativa é de mudança. Ressalto aqui, as minhas ações em inúmeros municipios de São Paulo, mas lamentávelmente o governo do estado nesses últimos 44 anos, só nomeou políticos ou seus representantes para a direção da pasta e em sua enorme maioria neófitos ao setor.
Isso é que é descalabro....
Otavio Demasi – consultor de turismo – jornalista Mtb 32548
 
 

 



 

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