13 de out de 2014

Quando Aécio ainda pegava onda no Rio e jamais se imaginava defendendo uma causa política, Andrea era uma ardorosa militante de esquerda, sustentando o título de fundadora do PT fluminense.

Aécio se separa da irmã Andrea Neves (ou a divisão que multiplica) Blog do Lucas Figueiredo em 22-12-12   lfigueiredo.wordpress.com

Andrea entre o avô Tancredo e o irmão Aécio, em foto de Marcelo Prates. Da velha raposa, ela herdou mais que ele.
Em Minas Gerais, nos quase oito anos em que Aécio Neves foi governador (2003-2010), um naco significativo do poder no Estado, talvez até mesmo excepcional, esteve nas mãos de Andrea Neves, irmã mais velha de Aécio. Formalmente, Andrea era apenas a presidente do Servas (Serviço Voluntário de Assistência Social). Na prática, comandava com mãos de ferro o núcleo de comunicação (imprensa + publicidade + marketing político) e se fazia ouvir, com muita facilidade, nas secretarias de Estado, nas estatais e nos órgãos públicos locais. Enquanto à luz dos holofotes Aécio esbanjava charme, simpatia e leveza e, como Tancredo Neves, seu avô, se esmerava em personificar a conciliação na política, Andrea era, nos bastidores, a general de campo de sangrentas batalhas, o tira mau da dupla, o desgraçado dr. Hyde que assumia os pecados do impoluto dr. Jekyll.
Se Aécio chegou aonde chegou, deve grande parte disso a Andrea.


Contudo, em 2011, ou seja, daqui a poucos dias, a dupla irá se separar. Aécio assumirá, em Brasília, uma cadeira no Senado, enquanto Andrea permanecerá em Minas, provavelmente à frente do Serviço Voluntário de Assistência Social. O que a princípio pode parecer uma divisão, na verdade, é uma multiplicação. Com Andrea no Servas, Aécio continuará a mandar no governo de Minas, que, ao fim e ao cabo, é a principal plataforma com que ele almeja alcançar a Presidência da República em 2014 (ou 2018, ou 2022, ou 2026…).
O nome de Andrea chegou a ser cotado para assumir, em 2011, a Secretaria de Cultura de Minas Gerais. Porém, na semana passada, em declaração ao jornal O Tempo, de Belo Horizonte, ela própria antecipou que prefere continuar à frente do Servas. “Não estando em nenhuma secretaria, poderia continuar conversando com todas”, afirmou Andrea, no seu peculiar estilo soft panzer.
Se se confirma um dia a profecia sussurrada nas Gerais, Aécio será presidente da República, saldando assim, no imaginário mineiro, uma dívida do Brasil com Minas. É bom, então, prestar atenção em Andrea Neves.
O presidente Ernesto Geisel teve Golbery do Couto e Silva, Fernando Henrique Cardoso teve Sérgio Motta, e Lula, por um tempo, contou com José Dirceu. Caso Aécio chegue ao Planalto, ele terá por trás de si a irmã, uma mistura dos três.
Aécio, ao lado de Andrea, aplaude evento do Servas em 2009: assistência social, controle do Estado, controle da mídia... (Wellington Pedro/Imprensa MG)
Há quem diga que Andrea (um ano e 23 dias mais velha que Aécio) é a verdadeira herdeira da malícia de Tancredo. Quando Aécio ainda pegava onda no Rio e jamais se imaginava defendendo uma causa política, Andrea era uma ardorosa militante de esquerda, sustentando o título de fundadora do PT fluminense. Sua vocação para a História se revelou no dia 30 de abril de 1981, quando, prestes a entrar no show em comemoração ao Dia do Trabalhador, no Riocentro, Andrea foi abordada por um sujeito banhado em sangue, com a barriga aberta, segurando as vísceras, suplicando para que o levassem a um hospital. Era o capitão do serviço secreto do Exército Luís Chaves Machado, um dos autores do frustrado atentado do Riocentro. (Andrea o salvou.)
Obsessiva, geniosa e dona de uma inteligência rara, Andrea é uma mulher alta e corpulenta, de semblante tenso e perturbador. Avessa ao flash dos fotógrafos e à badalação, ela trabalha em proveito do sucesso de Aécio desde a hora em que levanta até a hora de dormir (costuma disparar ordens, por e-mail, depois da meia-noite). Sua mesa de trabalho, com pilhas de papel de boa altura, parece uma instalação contemporânea. Não raro, participa de duas ou mesmo três reuniões simultâneas, entrando e saindo de salas onde todos estão à espera de suas ordens. Como não admite erros, sua equipe trabalha em permanente estado de tensão.
No final de março passado, quando deixou o governo de Minas para disputar o Senado, Aécio foi a estrela de uma festa na praça da Liberdade, com crianças soltando balões coloridos no ar, desfile de globais (Luciano Huck, Maitê Proença, Christiane Torloni…) e corais cantando Ó Minas Gerais e Está chegando a hora. Da coxia, Andrea controlava tudo pelo celular.
Os adversários invejam sua capacidade de trabalho e a temem; os aliados se jactam por tê-la a seu lado e também a temem. Os jornalistas apenas a temem.
Nos quase oito anos em que coordenou o esquema de comunicação do governo do irmão, Andrea blindou Aécio na imprensa. Ela monitora com o mesmo rigor uma revista de circulação nacional e um jornalzinho do interior. Para que Aécio aparecesse bem na fita, Andrea chegou ao limite de tentar controlar até torcida em estádio, literalmente. Foi o que aconteceu em 2005, nas comemorações dos 40 anos do Mineirão, quando o então governador de Minas decidiu jogar uma preliminar do clássico Atlético x Cruzeiro. Nas vésperas da partida, Andrea orientou sua assessoria a fazer uma discreta reunião com a torcida organizada do Atlético para solicitar que Aécio, cruzeirense empedernido, não fosse vaiado. Não adiantou.
Fica então um aviso para os que, vindo na direção contrária à de Aécio Neves, pretendem vaiá-lo. Preparam-se. Atrás dele, vem Andrea.

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