22 de abr de 2015

Magnatas do petróleo nos EUA (silenciosamente) financiam passeatas no Brasil

Por trás da campanha contra corrupção, de cartazes que pedem a volta da ditadura e até absurdos como apoiar o feminicídio, está o interesse na privatização da Petrobras

Marcus  Vinícius Da editoria de Política&Justiça
A poeira já baixou um pouco, mas os ecos da manifestação do último dia 15 de março ainda reverberam, principalmente pelo analfabetismo político manifestado nas ruas. Nas redes sociais, chovem comentários sobre a ignorância política de alguns manifestantes que carregaram cartazes dizendo absurdos, como: “Dilma, eu pago sua passagem para a Indonésia” (sugerindo pena de morte para a presidente) ou, ainda, uma mulher (pasmen!) carregando o cartaz com os dizeres “Feminicídio sim, fominicídio não!”, como assim?! A irracionalidade de muitos manifestantes, a falta de compreensão do jogo político e dos valores democráticos, chegou às raias da sandice com protestos do tipo “Luto pelo Fim da democracia. Intervenção militar já!”.


Desde quando a democracia deixou de ser uma virtude para ser um problema? Duas coisas, provavelmente pode ter contribuído para esta corrupção de valores.
Em primeiro lugar, a campanha deletéria, contínua e persistente da Rede Globo contra a política, os políticos e principalmente contra os governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff. O principal noticiário da “Vênus platinada”, o Jornal Nacional, parece novela mexicana e toda noite insiste numa única matéria: a Operação Lava Jato e a corrupção na Petrobras.
É como se o Brasil não tivesse outros problemas e que a corrupção no País fosse mais profunda do que é noutros países ou como se ela tivesse sido inventada agora, neste momento, pelos governos do PT.
Mas há outro lado nesta história, que aos poucos vai sendo revelada e diz respeito sobre quem está por detrás do financiamento das passeatas e dos “cruzados da moralidade”.
Matéria publica no site Diário do Centro do Mundo, do jornalista Paulo Nogueira, joga luz nesta situação e trata do “Movimento Brasil Livre”, que segundo o jornal Folha de S.Paulo é o principal grupo convocador dos protestos. A página do movimento dá os nomes de seus colunistas e coordenadores nos Estados.
Segundo o The Economist, o grupo foi “fundado no último ano para promover as respostas do livre mercado para os problemas do País”. Acontece que o “Movimento Brasil Livre” é uma espécie de sucursal do Students for Liberty, grupo financiado pelos Irmãos Koch, que são donos da maior empresa petrolífera dos Estados Unidos. Como diria Bill Clinton: “É o petróleo estúpido”! Por trás da campanha anticorrupção está, na verdade, o interesse do grupo norte-americano no pré-Sal, cujas reservas estão avaliadas em R$ 20 trilhões.
Golpe com dinheiro dos EUA
Entre os “colunistas” do MBL estão Luan Sperandio Teixeira, que é acadêmico do curso de Direito Universidade Federal do Espírito Santo e colaborador da rede Estudantes Pela Liberdade (EPL) do Espírito Santo, Fabio Ostermann, que é coordenador do mesmo movimento no Rio Grande do Sul, fiscal do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) e diretor executivo do Instituto Ordem Livre, co-fundador da rede Estudantes Pela Liberdade (EPL), tendo sido o primeiro presidente de seu Conselho Consultivo e, atualmente, diretor de Relações Institucionais do Instituto Liberal (IL). Outros participantes são Rafael Bolsoni do Partido Novo e do EPL; Juliano Torres que se define como empreendedor intelectual, do Partido Novo, do Partido Libertários, e do EPL.
Segundo o perfil de Torres no LinkedIn, sua formação acadêmica foi no Atlas Leadership Academy. Outro integrante com essa formação é Fábio Osterman, que participou também do Koch Summer Fellow no Institute for Humane Studies.
A Oscip Estudantes pela Liberdade é a filial brasileira do Students for Liberty, uma organização financiada pelos irmãos Koch para convencer o mundo estudantil da justeza de suas gananciosas propostas. O presidente do Conselho Executivo é Rafael Rota Dal Molin, que além de ser da Universidade de Santa Maria, é oficial de material bélico (2º tenente QMB) na guarnição local.
Outras, das frentes dos irmãos Koch, são a Atlas Economic Research Foundation, que patrocina a Leadership Academy, e o Institute for Humane Studies, às quais os integrantes do MBL estão ligados.

Pré-Sal vale R$ 20 trilhões
O pré-sal do Brasil teria reservas de, no mínimo, 70 bilhões de barris de petróleo. Pode ter até 80 bilhões de barris, segundo estimativa de quem é muito do ramo. Isso, a preços do momento, significa uns 8 trilhões e 800 bilhões de dólares. Ou, algo como R$ 20 trilhões e R$ 400 bilhões.
Vinte trilhões e 400 bilhões de reais equivalem a uns 5 PIBs do Brasil. Cinco vezes tudo o que o Brasil produz a cada ano.
Por algo que vale US$ 8 trilhões e 800 bilhões, Estados Unidos, Inglaterra, as chamadas grandes potências fariam, farão qualquer coisa. E é o que estão fazendo os irmãos Koch: financiando protestos para desacreditar a Petrobras e fazer aquilo que alguns manifestantes já pedem, a sua privatização.
Mas, como diria Garrincha, “o anjo das pernas tortas”, faltou combinar com o povo. A pesquisa Datafolha, divulgada logo após os protestos constatou que a maioria dos brasileiros é contra a privatização: 61% se disseram contra a venda do controle da empresa e 21 se declararam a favor. Os contrários a entregar a Petrobras a grupos privados são majoritários não apenas entre eleitores que preferem o PT, mas também entre os que votam no PSDB. São 67% dos que simpatizam com os petistas e 56% dos que gostam dos tucanos.
De olho na Petrobras
Entre as atividades danosas dos irmãos, encontra-se o roubo de 5 milhões de barris de petróleo em uma reserva indígena (que acarretou uma multa de US$ 25 milhões do governo americano) e outra multa de US$ 1,5 milhões pela interferência em eleições na Califórnia.O Greenpeace considera os irmãos opositores destacados da luta contra as mudanças climáticas. Os Koch foram multados em US$ 30 milhões em 300 vazamentos de óleo.
As Koch Industries têm suas principais atividades ligadas à exploração de óleo e gás, oleodutos, refinação e produção de produtos químicos derivados e fertilizantes. Com esse leque de atividades, não é difícil imaginar o seu interesse no Brasil – a Petrobras é claro. Seus apaniguados não escondem esse fato.
O MBL, que surgiu em apoio à campanha de Aécio Neves, não esconde o que pretende com a manifestação: “O principal objetivo do movimento, no momento, é derrubar o PT, a maior nêmesis da liberdade e da democracia que assombra o nosso País” disseram Kim Kataguiri e Renan Santos em um gongórico e pretensioso artigo na Folha de S.Paulo.
Eles não querem ser confundidos com PSDB, que identificam com o outro movimento: “os caras do Vem Pra Rua são mais velhos, mais ricos e têm o PSDB por trás”, diz Renan Santos. “Eles vão pro protesto sem pedir impeachment. É como fumar maconha sem tragar”.
Kataguiri não se incomoda que seja o PMDB a ascender ao poder: “O PMDB é corrupto, mas o PT é totalitário”. Mas Pedro Mercante Souto, outro dos porta-vozes do MBL, foi candidato a deputado federal no Rio de Janeiro pelo PSDB (com apenas 0,10% dos votos não se elegeu). Como vimos, ela esconde uma grande negociata. “Business as usual”.
Com informações do DCM –Diário do Centro do Mundo

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