25 de mai de 2015

Eventos de negócios se espalham pelo Brasil


País recebeu 291 eventos internacionais em 2014, como feiras e convenções. As capitais ainda predominam, mas cidades menores despontam como novos destinos.


São Paulo – De Bonito, no Mato Grosso do Sul, à Areia, na Paraíba, novos municípios no Brasil despontaram em 2014 como destinos de eventos internacionais de negócios.
Kleide Teixeira

Centro de Convenções em João Pessoa: cidade recebeu três encontros
Estas cidades entraram pela primeira vez no mapa de localidades brasileiras que receberam grandes eventos do segmento de reuniões, incentivos, conferências e exposições (Mice, na sigla em inglês), mostrado no ranking da Internacional Congress and Convention Association (ICCA), organização que engloba todas as áreas envolvidas no mercado de congressos internacionais, divulgado este mês.

No ano passado, o Brasil recebeu 291 eventos internacionais do segmento Mice, ficando em 10º lugar no ranking mundial da ICCA, que é liderado pelos Estados Unidos. Deste total, 23 eventos ocorreram em 21 cidades que entraram pela primeira vez no roteiro dos eventos mundiais de negócios.


“Estamos com um foco muito grande no segmento de Mice. Os gastos dos turistas de negócios são muito superiores aos dos turistas de lazer. Há ainda uma exigência muito maior na parte de receptivo, o que exige uma formação de alto nível dos profissionais”, destacou Vicente Neto, presidente da Embratur, sobre os efeitos positivos que a diversificação de destinos traz ao País. Ele apontou também a maior ocupação dos espaços de realização de eventos no Brasil.

São Paulo liderou o ranking da ICCA no Brasil, com 66 eventos, enquanto o Rio de Janeiro contabilizou 64. Entre as capitais brasileiras, o maior crescimento foi registrado em Salvador, que teve 14 eventos, um aumento de 100% em relação a 2013.

Na lista de municípios estreantes há duas capitais: Vitória, no Espírito Santo, que recebeu o 5º Congresso Ibero-americano de Nutrição; e Aracajú, em Sergipe, que sediou a 8ª Conferência Internacional de Universidades Globais em Educação à Distância.
Divulgação

Areia: primeira vez como sede de evento internacional
“O efeito na cadeia [de turismo] é enorme. Afeta múltiplos segmentos, desde a venda de artesanato à compra de aeronaves”, explicou Neto sobre como estes eventos afetam a economia dos municípios que os recebem.

Com cerca de 24 mil habitantes, o município paraibano de Areia estreou na lista recebendo a 18ª edição da Escola Latino-Americana de Verão em Pesquisa Operacional (Elavio, na sigla em espanhol), evento que tem como objetivo apoiar e incentivar a colaboração de pesquisas entre alunos de pós-graduação.

“O turista que vai a um evento em uma cidade da Paraíba, fica lá uma semana, faz girar a economia. Ele pega um táxi, experimenta a gastronomia local, etc. Temos feito pesquisas e a experimentação do que é local tem sido muito difundida”, apontou o presidente da Embratur. “O turista de negócios, quando ele gosta do local, ele volta e também recomenda aos amigos”, destacou.

Copa

A Copa do Mundo não está entre os eventos contabilizados pela ICCA, mas o Mundial de Futebol ajudou a dar visibilidade ao Brasil e, durante o período de sua realização, atraiu diversos eventos paralelos, inclusive para cidades próximas às sedes do torneio.

Enquanto capitais como Natal (RN), Fortaleza (CE), Recife (PE) e Salvador (BA) recebiam jogos da Copa, João Pessoa (PB) recebeu três eventos internacionais: o 17º Congresso da Associação Latino Americana de Linguística e Filologia, o 18º Simpósio Internacional RoboCup (evento de robótica) e o 25º Seminário Internacional sobre Pesquisa em Educação Musical. Vizinha à cidade de Porto Alegre (RS), que também recebeu jogos do campeonato, Canoas estreou no ranking da ICCA sediando a 14ª Conferência do Observatório Internacional da Democracia Participativa.

“Nós, que participamos constantemente de eventos internacionais, sentimos um forte efeito da Copa do Mundo. Voltei de um evento na Alemanha e a curiosidade dos operadores de turismo lá é enorme. Ficaram imagens muito bonitas do Brasil lá”, disse Neto.

Segundo ele, o interesse pelo Brasil vem crescendo bastante. “Há uma expectativa grande de que a exposição da Copa ajude o turismo a aumentar muito nos próximos anos”, avaliou. Outro fator que também deve contribuir para o aumento do número de turistas é a desvalorização do real frente ao dólar. Segundo Neto, há uma “previsão bastante otimista” de que o Brasil vá receber mais turistas em 2015.

De acordo com o executivo, a Embratur oferece o suporte necessário para que as cidades se candidatem a receber os eventos internacionais e, cada vez, mais a entidade tem recebido prefeitos e vereadores de diferentes municípios interessados em atrair eventos para suas localidades

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