30 de jul de 2015

PROJETO TRANSUL ARTICULA UNASUL E BRICS EM PROL DO DESENVOLVIMENTO

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Ideia  apresentada em mesa do 2º Congresso do Centro Celso Furtado é industrializar na própria América do Sul recursos naturais da região para exportação com valor agregado

Um grande projeto estratégico de articulação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) com o bloco dos Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul é o que vai apresentar o economista José Carlos de Assis na mesa Integração da América do Sul enquanto projeto de desenvolvimento comum, que terá lugar no 2º Congresso Internacional do Centro Celso Furtado, marcado para os dias 18, 19 e 20 de agosto.
Intitulado de Projeto Transul, ele pretende promover a industrialização de recursos naturais da América do Sul na própria região, numa parceria com os chineses, que favoreceriam o investimento e a demanda garantida dos metais produzidos. A ideia é substituir gradualmente a exportação de matérias-primas, de valor baixo e reduzido potencial de geração de emprego e renda, por produtos industrializados de maior valor agregado, indutores de exportação de manufaturados e, internamente, de cadeias produtivas com maior geração de renda e empregos de qualidade superior favorecendo processos de distribuição de renda e redução da desigualdade social.
Segundo José Carlos de Assis, autor do projeto e coordenador da mesa, no âmbito dos Brics, a China e a Índia, ambas com crescimento acelerado, defrontam-se com restrições de produção nas indústrias básicas representadas pela escassez de água e de fontes energéticas limpas, além dos altos índices de poluição. “Nesse quadro, interessa a esses dois países evitar a instalação de novas indústrias básicas (metais) em seu território, desde que compensados por uma oferta externa firme desses produtos a preços razoáveis. A América do Sul, em contrapartida, assim como Rússia e África do Sul, tem não só recursos naturais abundantes em todas as áreas relevantes da economia, como dispõe de água doce, potencial energético e condições que minimizam a poluição”, explica.
No que tange ao financiamento do projeto Transul, Assis afirma que a capacidade financeira da China (e, parcialmente, da Índia) lhe dá condições amplas para tal, mediante a compra prévia dos metais resultantes. “Note-se que Carajás foi parcialmente financiado dessa forma, com a diferença de que, no caso agora sugerido, se propõe a pré-venda de metais e não apenas minério. Esses metais são normalmente negociados em bolsas internacionais, o que facilita os contratos de pré-venda a longo prazo”. Realizado emagosto de 2014.
Já o financiamento da infraestrutura de transporte necessária à concretização do projeto seria garantido pelo recém-lançado Banco dos Brics e por poupança interna das nações sul-americanas. “Para esses países, o desenvolvimento dos recursos naturais, no seu próprio território e sob controle soberano deles, constitui uma base firme para uma grande arrancada de progresso econômico e social da região mediante mobilização de seu principal ativo, ainda em grande parte inexplorado, e sem perspectiva de exploração intensa a curto prazo pelos meios tradicionais”, justifica José Carlos de Assis.
Na sua visão, o Transul faz da América do Sul um eixo de desenvolvimento importante em articulação com a Ásia. Na reunião Brics no Século 21, realizada em julho em Fortaleza, onde ele foi apresentado originalmente, constituiu-se um grupo informal, com participação de representantes de todos os países do bloco, especificamente para discutir esse projeto. “Agora, a ideia não é apenas debater isso academicamente, mas já colocar o projeto em termos de negociação. E o Congresso do Centro Celso Furtado é o melhor ambiente para se tratar disso”, argumenta o professor da Universidade Estadual da Paraíba.
Industrialização como condição da integração da América do Sul
Para o embaixador e professor do Instituto Rio Branco Samuel Pinheiro Guimarães, que também tomará parte da mesa sobre integração sul-americana no 2º Congresso, o projeto Transul, ainda que exija uma engenharia complexa, por envolver a negociação entre um grande número de países, vem num momento propício.
De acordo com o ex-secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, a América do Sul vive hoje uma situação importante com a presença de governos progressistas em muitos países da região, como é o caso da Venezuela, do Equador, do Chile, da Bolívia, da Argentina e do Brasil. “São governos empenhados num processo de reforma e inclusão social, num processo de construção da infraestrutura e de ampliação da democracia, como ocorreu na Venezuela, na Bolívia e no Equador, com uma nova Constituição, que possivelmente ocorra também no Chile, e mesmo no Brasil, uma vez que a presidenta Dilma encaminhou a proposta de uma Assembleia Constituinte para reformar a Constituição”. 
De outro lado, analisa o embaixador, temos um fenômeno econômico novo que é a presença crescente da China na América do Sul. Depois de tornar-se o principal parceiro comercial do Brasil e o segundo ou terceiro principal no caso de outros países da região, como a Argentina, ela está se encaminhando para tornar-se também um grande investidor na região, como mostra a visita do presidente da China ao Brasil este mês, e em seguida à Argentina. “Vivemos também um processo, devido a essa emergência da China, de reprimarização da economia, principalmente daqueles países que já tinham um setor industrial avançado, como é o caso do Brasil e da Argentina. Isso é outro fenômeno de grande importância que implica grandes desafios.”
O principal desses desafios, segundo Samuel Pinheiro Guimarães, é justamente fortalecer a industrialização de forma a garantir a integração econômica da América do Sul e mais e melhores empregos na região. “Ninguém aumenta emprego com agricultura, que é altamente mecanizada hoje, nem com a mineração. A base é a industrialização para gerar desenvolvimento e superar as desigualdades. Não se consegue superar desigualdades sem que haja emprego. Não é suficiente apenas distribuir a renda, é preciso gerar emprego para que as pessoas possam participar do processo produtivo moderno. E o que emprega é a indústria”, afirma o embaixador. Nesse sentido, ele vê com bons olhos o Projeto Transul.
Além de José Carlos de Assis e Samuel Pinheiro Guimarães, a mesa Integração da América do Sul enquanto projeto de desenvolvimento comum também contará com as presenças de Aldo Ferrer, da Universidade de Buenos Aires; Maria Fernanda Ramos Coelho, ex-presidente da Caixa; e Darc Costa, ex-vice-presidente do BNDES e presidente da Federação de Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul, Federasur

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