13 de abr de 2016

Quem vai limpar o lixo dos turistas em Cuba? Por José Eduardo Mendonça


Recentemente, a ilha recebeu a primeira visita de um presidente norte-americano à em 88 anos (o último foi Calvin Coolidge). Isto, depois de os países anunciarem que iriam abrir suas embaixadas em agosto de 2015. Barack Obama foi recebido no país com fanfarras.
O acontecimento parecia inimaginável há alguns anos, e Obama chegou a prestar tributo ao herói revolucionário Jose Marti.
Até 1959, Cuba era uma espécie de cassino e bordel dos americanos ricos, comandada com a impiedosa mão de ferro do ditador Fulgencio Batista. Décadas depois, exibe níveis de excelência em educação e saúde, apesar do embargo econômico imposto pelos EUA. Sobreviveu a ele com ajuda da União Soviética até sua derrocada, em 1991. E resistiu bravamente. Calcula-se que durante o embargo sua economia perdeu U$ 1,1 trilhão de dólares.
Redes hoteleiras e empresas de cruzeiro começam a costurar sua chegada a Cuba, que fica a apenas 144 quilômetros da costa da Flórida. O local, com praias paradisíacas, e pela curiosade despertada por ser ponto turístico até então inacessível, vai atrair multidões. Já foram autorizados vinte vôos por dia partindo apenas dos EUA. Com os turistas, chegam o lixo e os hábitos ocidentais de consumo.
É evidente que Cuba precisa de ajuda econômica, mas um olhar em seus vizinhos causa desalento. Muitas nações do Caribe têm erosões em suas praias, construções ilegais, florestas destruídas, rios poluídos, recifes de corais em risco de extinção e outras formas de destruição ambiental.
O país não está alheio a problemas causados por sua própria população, e tem medidas fortes para preservar seus recursos naturais e promover o desenvolvimento sustentável. Há questões ambientais como o excesso de pesca e o desflorestamento causado em eras anteriores.
O ministério que cuida destas questões tem grande poder. Leis foram aprovadas desde que Fidel Castro, na conferência do clima do Rio de Janeiro, em 1992, denunciou a “destruição ecológica que ameaça o planeta”.
Foram designadas 104 áreas de proteção marinha, nem todas implantadas, e o país tem a meta de conservar 25% de suas águas costeiras.
Há outros contratempos. Em março, Cuba já foi visitada pela Coalização de Agricultura dos EUA para Cuba, que inclui a gigante dos alimentos Cargill e outras associões do setor. Deve-se lembrar que seu povo se alimenta da cultura orgânica de agricultura familiar.
O dinheiro vai chegar, e com ele a mecanização desta atividade, assim como a exploração de petróleo. “Cubanos têm muito a perder em termos de biodiversidade, habitats costeiros e populações de peixes”, diz Daniel Whittle, do Environmental Defence Fund. Em águas cubanas nadam 100 das 500 espécies conhecidas de tubarões.
Um dos acordos assinados entre os dois países trata de um esforço mútuo de partilhar conhecimento científico, colaborar com esforços de conservação e lidar com as causas e efeitos da mudança do clima.
texto do DCM foto reprodu;'ao praia de Varadero

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