31 de mai de 2016

Estratégia do golpe global Manlio Dinucci

Estratégia do golpe global

 | ROMA (ITÁLIA)  
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Que ligação existe entre entre sociedades geográfica, histórica e culturalmente distantes, do Kosovo à Líbia e a Síria, do Iraque ao Afeganistão, da Ucrânia ao Brasil e a Venezuela?
O traço comum é serem sociedades arrastadas à estratégia global dos Estados Unidos, exemplificada pela “geografia” do Pentágono. O mundo inteiro se encontra dividido em “áreas de responsabilidade”, cada uma confiada a um dos seis “comandos combatentes unificados” dos Estados Unidos: o Comando Norte cobre a América do Norte, o Comando Sul a América do Sul, o Comando Europeu a região que compreende a Europa e a Rússia, o Comando África o continente africano, o Comando Central Oriente Médio e Ásia, e o Comando Pacífico a região da Ásia/Pacífico.
Aos seis comandos geográficos se somam três operando em escala mundial: o Comando estratégico (responsável pelas forças nucleares), o Comando para as operações especiais e o Comando para o transporte.
À frente do Comando Europeu se encontra um general ou um almirante nomeado pelo presidente dos Estados Unidos, que assume automaticamente o encargo de Comandante supremo aliado na Europa.
A Otan é assim inserida na cadeia de comando do Pentágono, ou seja, opera fundamentalmente em função da estratégia estadunidense. Esta consiste na eliminação de todo Estado ou movimento político-social que ameace os interesses políticos, econômicos e militares dos Estados Unidos que, embora sendo ainda a primeira potência mundial, estão perdendo terreno em face da emergência de novos sujeitos estatais e sociais.
Os instrumentos dessa estratégia são múltiplos: da guerra aberta – ver os ataques aéreos e terrestres na Iugoslávia, no Afeganistão, Iraque e Líbia – às operações secretas conduzidas nesses como em outros países, ultimamente a Síria e a Ucrânia.
Para essas operações o Pentágono dispõe de forças especiais, cerca de 70 mil especialistas que “cada dia operam em mais de 80 países em escala mundial”. O Pentágono dispõe também de um exército na sombra de contratados (mercenários): no Afeganistão, segundo documenta a revista Foreign Policy [1], os mercenários do Pentágono são cerca de 29 mil, ou seja, três para cada soldado estadunidense; no Iraque, cerca de oito mil, dois em cada soldado estadunidense.
Aos mercenários do Pentágono se acrescentam aqueles que fazem parte da tentacular Comunidade de inteligência (informação) compreendendo, além da CIA, 15 outras agências federais. Os mercenários são duplamente úteis: eles podem assassinar e torturar, sem que isso seja atribuído aos EUA, e quando eles são assassinados, seus nomes não aparecem na lista dos mortos. Além disso, o Pentágono e os serviços secretos dispõem de grupos que eles armam e treinam, como os grupos islamitas utilizados para atacar de dentro da Líbia e da Síria, e os grupos neonazistas utilizados para o golpe de Estado na Ucrânia.
Outro instrumento da mesma estrategia são as “organizações não-governamentais” que, dotadas de enormes meios, são utilizadas pela CIA e pelo Departamento de Estado para ações de desestabilização interna e em nome da “defesa dos direitos dos cidadãos”.
No mesmo quadro entram a ação do grupo de Bilderberg [2] – que o magistrado Ferdinando Imposimato denuncia como “um dos responsáveis da estratégia da tensão e dos massacres” na Itália [3], e a da Open Society do “investidor e filantropo George Soros” [4], artesão das “revoluções coloridas”.
No campo de visão da estratégia golpista de Washington encontram-se hoje o Brasil, para minar por dentro os Brics, e a Venezuela, para minar a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba). Para desestabilizar a Venezuela – indica o Comando Sul em um documeno descoberto recentemente [5] – é necessário provocar “um cenário de tensão que permita combinar ações de rua com o emprego dosado da violência armada”.
Tradução
José Reinaldo Carvalho 
Editor do site Resistência 
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