26 de jun de 2016

Brics assinam acordo para criação de sistema de saúde remoto

Brics assinam acordo para criação de sistema de saúde remoto

Objetivo é oferecer cuidados médicos em áreas de difícil acesso nos cinco países-membros.
An agreement on telemedicine
O ministro das Comunicações da Rússia, Nikolai Nikíforov, explicou à Gazeta Russa que a legislação federal será alterada para não impedir a realização do projeto. Foto:Press photo 
Os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) criaram uma comunidade médica virtual durante o Fórum Internacional de TI do grupo, realizado na cidade de Khánti-Mansiisk (Iugrá), na Rússia.
O projeto tem como objetivo desenvolver sistemas de saúde remotos, que aumentariam a qualidade dos serviços de saúde disponíveis para os mais de 2,8 bilhões de habitantes dos países do Brics, e poderá ser implementado com o financiamento do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) do grupo.
A governadora da região de Khánti-Mansiisk, Natália Komarova, declarou que, nos próximos dias, durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, o governo discutirá os modelos de financiamento do projeto.
“Os convites para o Fórum de Negócios do Brics foram enviados aos chefes de grandes empresas dos países-membros e ao presidente do Banco do Brics. Espero usar a reunião com o presidente do banco para discutir a possibilidade de criar um programa de financiamento para projetos de medicina remota nos países do Brics”, adiantou Komarova, acrescentando que o novo projeto de infraestrutura atende aos requisitos do NBD.
Saúde para todos
Iugrá, uma região no norte da Rússia, será a primeira região a realizar o projeto. Com um grande número de locais de difícil acesso, Iugrá tem muita dificuldade em criar uma rede tradicional de grandes centros médicos em cada cidade ou povoado. Segundo a governadora da região, nessas áreas, a medicina remota permitirá “fornecer serviços médicos padronizados para todas os cidadãos independentemente do local”.
A tecnologia de saúde remota permite obter ajuda médica profissional sem ter que se deslocar por centenas de quilômetros. Assim, o especialista poderá decidir se o paciente deverá ser enviado a um hospital ou poderá receber tratamento médico em casa.
Na região de Iugrá, 40 dos 198 hospitais existentes já criaram salas para consultas virtuais, e todos os hospitais se conectaram a uma rede corporativa especial.
Cooperação dentro do Brics
Especialistas explicaram que a cooperação com outros países permitirá à Rússia desenvolver sua infraestrutura de medicina remota e receber acesso a tecnologias estrangeiras. Para isso, é preciso tornar os sistemas de saúde dos cinco países do Brics compatíveis.
“Há dezenas de razões pelas quais os sistemas de saúde nacionais dos países do Brics não são compatíveis”, disse um membro do Conselho da Agência de Medicina Remota da Rússia, Mikhail Natenzon. “As classificações das doenças e as legislações médicas são completamente diferentes. No entanto, quando falamos da compatibilidade, isso não significa que eles devem ser idênticos. Precisamos encontrar uma solução que permitirá garantir a interação dos sistemas”, explicou Natenzon.
Além disso, de acordo com Natenzon, a nova comunidade médica virtual terá que justificar a concessão da verba de US$ 1,5 bilhão (US$ 300 milhões para cada país) do NBD para implementar o projeto.
Apesar da complexidade e diversidade do projeto, especialistas acreditam que ele será realizado com sucesso.
“Claro que o projeto é complicado”, opinou o chefe dos programas de medicina remota do Brasil, Messina Luiz Ary. “É necessário unir os esforços das autoridades em todos os níveis. Trata-se de um projeto complexo, mas que resolverá vários problemas: formação de profissionais, intercâmbio de experiências entre médicos, aumento da qualidade da assistência médica e, ao mesmo tempo, permitirá reduzir os custos”, completou.
Especialistas russos estão preocupados com a possibilidade de o projeto ser travado devido a restrições legislativas. O ministro das Comunicações da Rússia, Nikolai Nikíforov, explicou à Gazeta Russa que a legislação federal será alterada para não impedir a realização do projeto.
“Estamos preparando diversas alterações à lei federal para solucionar todos os problemas pendentes relacionados à medicina remota. Todas as alterações serão adotadas até o final de 2016”, declarou o ministro.

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