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02.06.2016, 18:39:18 / Thema

Contra o golpe

Reportagens e imagens sobre a resistência no Brasil e no mundo. A Brigada Herzog em cooperação com junge Welt e Midia NINJA

"Não ao golpe" e "Fora Temer" são as pautas do dia no Brasil, com cobertura fotográfica da Mídia Ninja.
Midia Ninja/ninja.oximity.com/Montage jW
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Parceiros do projecto

»Midia Ninja – Reportagens independentes, jornalismo e ação« é uma rede de mídia esquerda descentralizada do Brasil, a qual publica na internet últimas notícias, reportagens investigativas, fotos e vídeos. Vê-se com uma alternativa à tradicional imprensa do país. ninja.oximity.com
Brigada Herzog é uma organização democrática, apartidária e antifascista, que tem como meta definida transmitir uma visão plural de eventos no Brasil. A rede de informação com tradutores voluntários conta também com o eco da imprensa internacional, a fim de quebrar a hegemonia da mídia corporativa.
www.brigadaherzog.com
Junge Welt é um jornal impresso independente de esquerda da Alemanha, distribuído nacionalmente com circulação diária. A politica editorial, com sede em Berlin, é marxista e internacionalista, contra a política expansionista da NATO e da UE. As reportagens e análises sobre os processos políticos na América Latina contribuem significantemente para o perfil do jornal.
jungewelt.de
É uma tragédia. No Brasil, o povo é roubado e o pior ladrão sentou-se confortável na cadeira da presidenta eleita. Este Michel Temer montou um governo exclusivo de homens brancos e ricos. Ultimamente encontra-se uma "Elite" reacionária na Política, Economia e no Poder Judiciário. Esta não tem o direito de governar o maior país da América do Sul com a sua diversidade étnica, social e cultural. O afastamento de Rousseff não é uma punição pelos erros políticos que ela cometeu, mas uma vingança pelo sucesso da política de esquerda nos últimos treze anos, a favor da inclusão social, na luta contra a pobreza, o racismo e a misoginia. A farsa do impeachment é o resultado de uma campanha midiática agressiva. E uma saída para um grupo de políticos, o qual deseja segurança durante as investigações de corrupção. O maior roubo não são os milhões vindos de fontes obscuras – tais transações já comandaram círculos também em outra parte do mundo. O crime real é dirigido contra os 54 milhões de pessoas, que em outubro de 2014, deram voz a Dilma Rousseff e sua agenda progressista, e muitos mais.
Não há voto para Temer e sua aliança de direita muito menos para a transição neoliberal. Onde a mídia manipula, para aonde os governos desviam o olhar, onde as empresas veem oportunidades, nós - representantes do público – chamamos pelo nome de golpe a disfarçada mudança democrática do poder. Chamamos à memória de 1964, quando os EUA já apoiou um golpe de Estado no Brasil. Nossas reportagens mostram detalhes da luta de milhões pelo Estado de Direito e pela democracia, pela legítima presidenta e por Lula da Silva, que como primeiro trabalhador no comando do país, lutou contra a fome e a miséria e agora pretendem criminalizá-lo. Com eles, nós manteremos viva a memória das muitas vítimas do "tempo de chumbo", de pessoas como o jornalista comunista Vladimir Herzog, o qual o Regime de 1975 torturou e matou. Os golpistas de hoje - não passarão! 
Peter Steiniger

O poder das mulheres em Brasilia 

Este golpe de Estado aprofundou a crise política no país e suscita protestos diários da população em todos os cantos dentro e fora do Brasil. Onde quer que os protagonistas da mudança estejam, seja em aeroportos, em público no Brasil ou no exterior, são recebidos com hostilidade. Amendrontados, eles se escondem atrás dos seguranças. Na capital Brasília, são as mulheres que, indiscutivelmente, desempenham o papel principal de resistência, com suas cores, tons e forca. Logo após validado, que a forca reacionária afastaria Dilma Rousseff do governo, as mulheres resistiriam contra uma ditadura militar e lotaram as ruas, em 19 de abril, em frente ao Palácio do Planalto. Elas desejavam fazer um público "Abraçaço em Dilma" e entregá-la milhares de rosas vermelhas. Especialmente após o início do impeachment em 12 de maio, quando as ativistas se acorrentaram e, em seguida, ocuparam a rampa do Planalto, e não por fim a "Marcha das Flores", em 29 de maio, quando as manifestantes derrubaram as grades de proteção e seguiram até a estátua da Justiça em frente ao Supremo Tribunal Federal. 
E haverá sempre mais ações e protestos dessas "Rosas Guerreiras", com cor, beleza e barulho. 
Rodrigo Pilha

Coletivo em Montreal 

A preocupação com os progressos realizados pelos governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff no campo dos direitos humanos no Brasil, levou o "coletivo Brasil Montreal" - uma associação temporária ou permanente de brasileiros engajados politicamente no Canadá - para ações contra a agenda conservadora e neoliberal daqueles políticos que apoiam o impeachment de Rousseff. 
A primeira manifestação foi realizada em 31 de março, o dia de ações globais exatamente 52 anos depois do golpe militar na pais sulamericano. Os cartazes lembravam os 21 anos do período negro da ditadura no Brasil: "1964 nunca mais". Nem a chuva nem o frio ocorridos nas últimas semanas, impediram os membros do nosso coletivo de realizar atividades culturais e prestar atenção aos direitos das minorias, mulheres, jovens, pobres, a comunidade LBGT, os indígenas, os negros e os trabalhadores. O nosso lema é: "A democracia se faz na rua"! Daqui de Montreal também dizemos: os golpistas, misóginos e fascistas não passarão! 
Priscylla Joca

O Ceará se mobiliza 

Em todas as cidades do Nordeste brasileiro há protestos, especialmente na capital do Ceará, Fortaleza, onde está presente em cada esquina. Nas praças públicas, no centro da cidade, na Universidade, o verso é um só: "Ai, ai, ai, empurra o Temer que ele cai!" 
Nos últimos 13 anos, com os governos de Lula e Dilma Rousseff, a região que sempre foi ignorada pelos governos anteriores a 2003, teve um crescimento em todas as áreas da economia, sobretudo na área social. 
UZ-Pressefest
Apesar da crise, não aceitamos o afastamento da presidenta Dilma, por não diagnosticarmos a existência de bases jurídicas para tal. Por isso, deixa claro a configuração de um golpe contra o Estado Democrático de Direito. Golpe midiático, uma vez que o cartel das comunicações vêm há mais de três anos desinformando e manipulando a sociedade quanto aos verdadeiros fatos de realizações do governo Federal e utilizando-se da direita partidária, para imputar à presidenta Dilma, a responsabilidade por uma crise com proporções maiores do que a real. Assim como o golpe se dá no Poder Judiciário, pois é conservador e elitista e vem apoiando a inconstitucionalidade deste impeachment em favor da direita no Brasil. 
Segundo Will Pereira, presidente da Central Única dos Trabalhadores do Ceará, CUT-CE, o golpe é contra os 54,3 milhões de cidadãos e cidadãs que elegeram Dilma Rousseff e contra os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, acentuou na mobilização do dia 1 de Maio da Frente Brasil Popular na cidade. Em 1964, o Brasil sofreu um golpe militar que levou o povo brasileiro a viver por 21 anos com seus direitos e liberdade violados, sem falar nos mortos e torturados. A população do Ceará não aceita o retrocesso. 
Inês Duarte Fernandes

São Paulo como exemplo educativo 

Três anos se passaram desde os grandes protestos de junho em todo o Brasil. Aqui na maior metrópole de São Paulo naquela época foram anunciados aumentos de tarifa sobre trens e ônibus, as quais foram proibidas. Hoje, a batalha mudou-se para o campo da educação, tendo em vista do sistema de educação, com a falta de infraestrutura das escolas e a precária qualidade de ensino. Ao mesmo tempo mudou desde Junho de 2013, a cultura política na cidade rapidamente. A percepção de que a mudança política não prevalece nas urnas, e sim nas ruas, ganhou espaço, principalmente, entre os mais jovens. 
Neste contexto, atualmente, as ocupações de escolas contam com o apoio de todos e são vistas como uma luta por uma sociedade com mais igualdade e liberdade. Em tal "ocupação", os alunos aprendem a agir em conjunto politicamente. Apesar da guerra que o governo está conduzindo contra nós, por meio da repressão e criminalização, apesar da manipulação dos meios de comunicação, os alunos seguem adiante no caminho da revolução. 
Leonardo Malmegrim

Em Paris contra o ódio 

O "Movimento Democrático 18 de março" (MD18), na capital francesa Paris, surgiu do empenho espontâneo de um grupo de estudantes brasileiros. Eles se reuniram paralelamente às grandes manifestações, em 18 de março de 2016, ao mesmo tempo, que ocorria aqui o aniversário de 145 da Comuna de Paris, em defesa da legalidade democrática no pais deles. 
O grupo não consiste atualmente apenas dos estudantes brasileiros que vivem na França. Trabalhadores e simpatizantes locais juntaram-se à causa. Entre eles estao professores, mestrandos e doutorandos das mais diversas disciplinas. MD18 é horizontal, de esquerda, pluralista e feminista. O grupo é a favor dos negros, dos não heterossexuais, dos moradores da periferia e do interior, contra os quais o abuso de poder e violência são ainda a ordem do dia, dos povos indígenas e todas as minorias no Brasil. 
A política de distribuição de renda pela presidente Dilma Rousseff favoreceu as mulheres da classe operária e das classes mais baixas, em sua maioria negras e moradoras das negligenciadas Favelas e periferias da cidade. Projetos para promover políticas para estas mulheres são penosamente arrancados, lembrando a velha oligarquia. Suas concessões não significam a ideologia patriarcal e das reações em resposta à vibração da cultura hegemônica que nutria ódio. O símbolo grotesco da classe política reacionária é o deputado Jair Bolsonaro, o qual na Câmara humilhou as mulheres numa série de declarações. Contra os índios, ele prometeu usar de "força necessária" para calá-los. Durante a votação na Câmara para iniciar o processo de impeachment da presidenta, ele lançou com fervor sua voz em memória de um coronel responsável pela morte de civis durante a ditadura e pela tortura à ex-prisioneira Dilma Rousseff. Há os coveiros da democracia que aprovam a violência e apoiam o fundamentalismo religioso, como acontece com o projeto previsto de lei do aborto e criminalização das mulheres. 
Em um de seus últimos discursos no cargo, a presidenta Dilma Rousseff disse que "a história ainda vai dizer o quanto de violência contra as mulheres tem neste impeachment". Depois do afastamento de Rousseff não durou um único dia até a história ter razão. 
Renata Callaça

No Rio para diversidade 

O governo interino e ilegítimo de Michel Temer é para a história brasileira como o que pior representa a população. Foram afetados pela politica de exclusão as mulheres, negros, indígenas, sem terra, quilombolas, pobres, ou seja, a maioria dos brasileiros. Apenas as mulheres constituem 51 por cento da população. 
No Rio de Janeiro, a "Cidade Maravilhosa", que além de sua beleza natural bem como por sua diversidade, também é conhecida por uma ativa uma comunidade LGBT, encontrou em 10 de abril, não só um grande evento político-cultural "Contra o golpe e pela defesa da democracia", em vez disso, o cenário representou exigências. Entre os oradores que se opunham ao retrocesso social estavam o cantor Chico Buarque, ex-presidente Lula da Silva e o líder do MST, João Pedro Stedile. Em 29 de maio, diversas pessoas viajaram do Rio para São Paulo para participar da Parada do Orgulho LGBT. De acordo com os organizadores três milhões de pessoas tomaram as ruas. Mesmo tendo um Congresso dominado pelos evangélicos, traficantes de armas e latifundiários o deputado do PSOL do Rio de Janeiro, Jean Wyllys, apresentou um projeto de lei sobre Identidade de Gênero, em defesa do movimento LBGT. As pessoas LGBT no Brasil sabem que o maior obstáculo no caminho dos seus direitos, é o atual presidente. 
Christiane Dias

Berlin em movimento 

"Berlin gegen den Putsch in Brasilien" (Berlin contra o golpe no Brasil), "Wir sind alle Brasilianer" (Nós somos todos brasileiros), eram os cartazes e faixas que o grupo de brasileiros do Boi da Caipora Doida ergueram durante o desfile, da maior festa popular de Berlin, o Karneval der Kulturen, em 15 de Maio. Os integrantes deram o recado entoando o grito "Nein zum Putsch. Dilma Rousseff ist unsere Präsidentin" (Não ao golpe. Dilma Rousseff é nossa presidenta.) 
Dois dias antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff, por 180 dias, em 12 de Maio, ativistas brasileiros acamparam em frente à Embaixada Brasileira. Houve várias outras manifestações com centenas de participantes, organizados pelas redes sociais. "Esse governo interino de corruptos não representa ninguém.", diz incisiva Dje Macedo Quiroga, uma das representantes do movimento em Berlin. 
A maior manifestação se deu em frente ao Portão de Brandenburgo, em 31 de Março, dia que marcou 52 anos do golpe militar de 1964. “Contra Dilma não se tem crime que justifique o afastamento dela", disse Grace Kelly Sodre Mendonca. "O nosso Congresso age como uma quadrilha de crime organizado". A terapeuta de Shiatsu, Fernanda Tibúrcio, identificou rapidamente a participação da imprensa como protagonista do golpe. "Ela é partidária, manipuladora e participa ativamente e publicamente a favor do golpe". Nesse mês de junho as manifestações serão intensificadas em Berlin e outros locais. Para o músico Luiz Pardal Freudenthal, é importante se posicionar e somar forças quando a democracia se encontra em perigo. "Além disso temos que nos contrapor ao crescimento da direita e da extrema-direita que está ocorrendo não só no Brasil como no mundo inteiro." 
Devido à série de protesto e ocupações de dezenas de edifícios da Funarte, o presidente interino e ilegitimo, Michel Temer, se viu forcado a recriar o Ministério da Cultura, antes extinto pela desculpa de enxugar o orçamento. No entanto, a resistência deve continuar inabalada. O jornalista, Ivan Moraes Filho, assegura que a extinção do MinC é um símbolo da visão monolítica que este governo interino tem da política. "Não se esperava menos de um ministério formado por homens brancos, oligarcas e ricos." O cientista social, Alexandre Nascimento, enxerga o retrocesso: "É política cultural para a elite." 
Ana Carolina Sihler