22 de jun de 2016

História: O Pasquim, um jornal feito por livres pensadores.


História: O Pasquim, um jornal feito por livres pensadores.





Em julho de 1969, um jornal de teor crítico e intelectualizado é criado por jovens da Zona Sul carioca. Eles estavam dispostos a ocupar o próprio espaço numa sociedade enclausurada e truculenta. Nascia assim O Pasquim. Um jornal que tratava as questões mais sérias do Brasil e do mundo com pitada irreverente e bem – humoradas. Ou mesmo um tipo de esponja que absorvia a criatividade de intelectuais do período cinzento da história brasileira.

Uma das finalidades do jornal era o uso do humor inteligente na exposição de visões. Tudo isso nas entrelinhas. Reunir reflexões, posicionar pontos de vista, propor soluções, juntar denúncias e, claro, rir da própria desgraça, além de discutir sobre drogas, feminismo, sexo, futebol, divórcio, bossa nova, cinema e muitos outros assuntos de calão desafiador decorrente da época. Uma das frases de efeitos foi a de Ivan Lessa dizendo que “os políticos são os únicos seres humanos capazes de passar direitos ao processo de repensar sem fazer escala no de pensar”.




De uma tiragem inicial de 20 mil exemplares, que a princípio parecia exagerada, o semanário atingiu a marca de mais de 200 mil em seu auge, em meados dos anos 70, se tornando um dos maiores fenômenos do mercado editorial brasileiro. Começou com uma publicação comportamental, O Pasquim foi se tornando mais politizado a medida que aumentava a repressão no ato AI-5. O Pasquim passou então a ser o porta- voz da indignação social brasileira.



A primeira capa do Pasquim, foi a entrevista com o colunista social Ibrahim Sued. E já no número de lançamento, um furo: o próximo general a governar o país, depois de Costa e Silva, seria Emilio Médici. A primeira edição contou ainda com textos da atriz Odete Lara, que se encontrava no festival de Cannes e do cantor e compositor Chico Buarque. A irreverência do tablóide já se revelara na legenda de capa. “É um semanário executado só por jornalistas que se consideram geniais”, dizia.

Logicamente que o regime não aceitava quieto todas as críticas. Uma bomba chegou a ser colocada dentro da redação do jornal e só não explodiu por defeito. Os censores impunham vários cortes na edição do semanário até que fosse liberado para publicação. Ainda assim, alguns números chegavam a ser recolhidos das bancas por algum militar insatisfeito.



A redação, claro, deu seu jeito de burlar a censura. A primeira censora, chamada “Dona Marina”, por exemplo, acabou amiga de bebedeira dos jornalistas e foi demitida por deixar passar uma charge de Ziraldo, na qual ao invés do grito de independência de Dom Pedro, estava a legenda “Eu quero é mocotó!”. Por esta sátira a redação inteira do O Pasquim foi presa em novembro de 1970. Os militares esperavam que o semanário saísse de circulação e seus leitores perdessem o interesse, mas durante todo o período em que a equipe esteve encarcerada, até fevereiro de 1971,


O Pasquim foi mantido sob a editoria de Millôr Fernandes (que escapara da prisão), com colaborações de Chico Buarque, Antônio Callado e diversos intelectuais cariocas.

As prisões continuariam nos anos seguintes, e na década de 80, bancas que vendiam jornais alternativos como O Pasquim passaram a ser alvo de atentados a bomba.

O jornal ainda sobreviveria a abertura política de 1985, mesmo com o surgimento de inúmeros jornais de oposição e de novos conceitos de humor.


O jornal O Pasquim representa o principal exemplo de imprensa alternativa no Brasil e, ao mesmo tempo, é considerado o veículo impresso que mais influenciou a chamada grande imprensa, que até hoje ainda se renova ao adotar importantes modificações introduzidas no jornalismo por aquele, como oralidade.


Fonte: http://livrespensadores.net

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