2 de jun de 2016

Reitoria da UEM não concede o título de Doutor honoris causa a Sérgio Moro- Márcia Villanova


Reitoria da UEM não concede o título de Doutor honoris causa a Sérgio Moro
May 31, 2016
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Márcia Villanova

Reitoria da UEM não concede o título de Doutor honoris causa a Sérgio Moro

O reitor Mauro Luciano Baesso decidiu não conceder o titulo de Doutor honoris causa ao juiz Sérgio Moro, depois que um grupo de docentes e funcionários da Universidade Estadual de Maringá (UEM) solicitou sua invalidação. Dois documentos foram produzidos, e um deles protocolado, elencando varias considerações para a anulação do título.

Entre elas, o currículo Lattes do juiz  maringaense com apenas uma página e com um parco conhecimento em língua estrangeira, além de uma graduação desconhecida e não discriminada em seu currículo, somente cinco artigos publicados, ou seja, um curriculo que não corresponde à altura do ilustre título.

Segundo o professor Titular do Departamento de Física (UEM), Marcos Cesar Danhoni Neves, a proposta nasceu de alguns professores do curso de Direito tentando aproveitar o aniversário dos 50 anos do curso. “Mas uma parcela de outros docentes e funcionários do Departamento de Direito reclamou criando documentos que foram apresentados ao reitor que decidiu em não conceder o título”, explicou Neves.

Responsável pela equipe que realiza as investigações dos casos de corrupção na petrolífera brasileira Petrobras, o juiz Sergio Moro, tornou-se a figura central na crise política que abala o Brasil. O ex-aluno da UEM despertou opiniões controversas da opinião pública ao divulgaras gravações de telefonemas de Lula da Silva e a prisão do mesmo pela Polícia Federal.  Moro responde ao Supremo Tribunal por violar a Constituição por intercepção ilegal a presidente Dilma e por ter espalhado para a mídia reservados atos investigativos.

O documento protocolado na UEM ressalta principalmente o fato de Moro seguir o modelo da Operação Mani Pulite italiana na Lava jato. O juiz que virou uma especie de herói dos opositores do governo Dilma, parece não saber ao certo a diferença entre mãos limpas e sujas. Em uma entrevista ao site Comunità Italiana, em fevereiro de 2016, o juiz admitiu ter pouco conhecimento sobre o sistema judiciário italiano: “Não conheço muito bem o sistema processual e o judiciário italiano, mas admiro a coragem dos magistrados que trabalharam na Operação Mani Pulite”, revelou Moro não adentrando-se no assunto que deveria ser esclarecido aos brasileiros que não sabem que as Mãos Limpas italianas não era uma revolução, mas um golpe de Estado.

Lê-se no documento do Prof. Neves:
"Considerando que em trabalho acadêmico e divulgado, de 2004, o Sr. Sergio Moro busca recapitular o trabalho do juiz italiano Antonio di Pietro da Operação Mani Pulite (Mãos Limpas) que resultou na destruição completa da classe política italiana, na sua própria candidatura(derrotada) a postos políticos superiores na Itália, e que acabou permitindo a ascensão e a longa permanência de Berlusconi por 12 (doze) anos no poder.”

Foi citado também no documento protocolado, a ligação do juiz com os EUA. Por meio de um documento interno do governo americano, vazado pelo Wikileaks, é possível inferir que Sérgio Moro está entre os agentes judiciais treinados pela CIA em suas “visitas ligadas a agências de Estado norte-americanas”. Sua biografia publicada em um jornal online Diário do Centro do Mundo e sua ligação com a Rede Globo (mediante concessão do Prêmio “Faz a Diferença”) também constam na longa lista.

Uma das últimas observações do documento protocolado:  “o título de Doutor honoris causa deve ser concedido a pessoas de indubitável caráter altruísta, de solidariedade, de promoção da educação e da cultura no Brasil e no mundo.”  O pedido de não concessão do honoris causa a Sérgio Moro aceito pelo reitor da UEM é mais uma prova que o juiz não é tão intocável assim como muitos pensam.

Abaixo cópia da petição protocolada.




 transcrito Brigada Herzog

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