12 de jul de 2016

Estudo de militares brasileiros mostra ação dos EUA com interesse no pré-sal


Estudo de militares brasileiros mostra ação dos EUA com interesse no o pré-sal.
“Inteligência militar, ao contrário do que pensa o raciocínio medíocre, não é espionagem e vigilância ideológica”
Inteligência militar, ao contrário do que pensa o raciocínio medíocre, não é espionagem e vigilância ideológica.
É estudo e formação de conhecimento geopolítico, estratégico, e suas repercussões no planejamento de defesa nacional, criando mecanismos de dissuasão a ambições econômicas que, afinal, são as forças que movem os processos de dominação, do qual os processos armados são meros vetores.
E o Brasil a tem, embora mal disseminada até mesmo dentro das Forças Armadas, onde teima em resistir uma visão – felizmente minoritária – de considerar-se uma “gendarmeria nacional”, cujo papel principal seria o de interferir nos processos políticos da sociedade, em lugar de encará-la como um todo a quem lhes cabe proteger, física e economicamente.
Uma das provas de que ela existe é o trabalho dos capitães de fragata Luciano Ponce Carvalho Judice e  Charles Pacheco Piñon, “A defesa do ouro negro da Amazônia Azul“.
Amazônia Azul, na linguagem militar, é a área marítima dentro da qual se situa a província petrolífera do pré-sal  e o livro trata de estudar suas necessidades de defesa e, por isso, as ameaças que nossa soberania pode sofrer ali.
Destaco, comentando, um trecho do livro, onde os autores analisam o aumento do interesse estratégico dos EUA pelo Atlântico Sul”, evidenciado pela reativação da Quarta Frota , em junho  de 2008 – criada durante a II Guerra, foi desativada nos anos 50.
Cabe neste ponto ressaltar o baixo custo de extração da área do Polígono do Pré-sal, que atualmente encontra-se em um patamar inferior a US$10,00 o barril, em relação a outras áreas petrolíferas do mundo, custo esse inclusive inferior aos campos petrolíferos existente no Pós-sal da Bacia de Campos, por serem mais antigos. Em termos de comparações internacionais, de acordo com dados de 2013, compilados pelo periódicoPetroleum Intelligence Weekly, os campos petrolíferos do tight oil nos EUA, por exemplo, teriam custos de extração variando entre US$ 56,00 e US$93,00; o offshoredo Golfo do México estadunidense teria custos entre US$ 41,00 e US$70,00; e o Mar do Norte teria custos entre US$ 27,00 e US$83,00. Tais dados explicam a queda prevista pela AIE [Agência Internacional de Energia] na citação anterior, considerando a manutenção do preço de mercado do barril de petróleo na faixa atual de US$ 30,00, e evidenciam como é alvissareiro o baixo custo extrativo do Pré-sal, após os investimentos tecnológicos já realizados. Enfim, a ativação de uma Esquadra a partir de um Comando de Força Naval (…) é coerente com o conceito de proatividade estratégica marítima discutido no capítulo teórico inicial deste trabalho. Dentro da visão de atuação global estadunidense, haveria a preocupação de manter uma estrutura permanente que realize planejamentos com vistas a conformar o futuro a seu favor. Nota-se assim, pela ativação da Quarta Esquadra em 2008, uma antevisão de que o Atlântico Sul passaria a ter uma elevada importância estratégica, consoante a possibilidade de diversificação de oferta de combustíveis fósseis, numa área distante do conflagrado Oriente Médio, que agora está ameaçada pelo Estado Islâmico, sem depender do trânsito marítimo por perigosos gargalos, como o estreito de Ormuz. Não por acaso o Polígono do Pré-sal foi incluído no denominado “Triângulo Dourado”.
Triângulo Dourado que o quinta-colunismo de O Globo não vacilou,há seis meses, em classificar como patrimônio inútil.
E quem pensa que os interesses militares dos EUA se expressam exclusivamente com porta-aviões e destróieres, segue o estudo dos dois capitães:
Para finalizar a abordagem da estrutura de comando estadunidense, em termos de proatividade operacional para a segurança marítima, com notabilizado interesse para este estudo, destaca-se ainda a JOINT INTERAGENCY TASK FORCE – SOUTH (JIATF- South).
A JIATF-South é uma organização subordinada ao US Southern Command (US SOUTHCOM) [Comando Sul] cuja missão é conduzir operações interagências contra tráfico ilícito, notadamente de drogas, cometido por embarcações e aeronaves na área de responsabilidade daquele comando, que envolve o mar do Caribe e o Atlântico Sul. Para tal, essa Força-Tarefa concentra seus esforços na detecção e acompanhamento de alvos marítimos e aéreos, processamento de conhecimentos de inteligência e compartilhamento de informações para possibilitar a condução de ações de interrupção, interdição e apreensão antidrogas junto a países colaboradores. O JIATF-South é composto por representantes do DoD, DHS e Department of Justice (DoJ). A organização também conta com pessoal oriundo do Drug Enforcement Administration (DEA), FBI, Imigration and Customs Enforcement (ICE), CBP, USCG, USN, US Air Force (USAF), Defense Intelligence Agency (DIA), National Security Agency (NSA) e ONI, bem como de Oficiais de Ligação de diversos países da América do Sul, incluindo o Brasil.
E concluem os dois analistas de estratégia:
É digno de nota que agentes da Polícia Federal do Brasil compõem o Estado-Maior dessa força, cooperação institucional que ainda não encontra paralelo em nosso próprio Estado, em termos de operação integrada.
Quem acha que a atenção dada pelos norte-americanos à integração com nossa Polícia Federal e instituições judiciais e parajudiciais é preocupação com drogas, apenas, continue achando, de bobo que é.  Os estudos da ONU mostram que o Brasil é irrelevante como fonte das drogas traficadas para os EUA.
O “barato” deles aqui é outro.
PS: O livro, muito importante para quem se interessa pelo tema, está disponível, gratuitamente, no site da Escola de Guerra Naval.
tijolaco por Fernando Brito

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