26 de ago de 2016

Felipe Coutinho: “Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo por multinacionais.”

/ Felipe Coutinho: “Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo por multinacionais.”
Foto: Fiocruz/PetFoto: Fiocruz/Peter Ilicciever Ilicciev

/ Felipe Coutinho: “Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo por multinacionais.”


 Natasha Tassinari | Parágrafo Revista
Leia a íntegra da entrevista do presidente da AEPET, Felipe Coutinho, à Parágrafo Revista:
1) Fale sobre a rodutividade da Petrobrás hoje?
Felipe Coutinho: A produção da Petrobras no pré-sal alcançou 1,24 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em junho, quase a metade da produção nacional da companhia de 2,70 boed.
A aceleração da produção é recorde se comparada ao desenvolvimento dos campos marítimos do golfo do México, do Mar do Norte ou da Bacia de Campos. A demanda interna está assegurada considerando os campos em operação e em desenvolvimento já licitados.
Enquanto a produção e as reservas das maiores multinacionais privadas de petróleo são decadentes há muitos anos, a Petrobras descobriu a maior reserva das últimas três décadas. O pré-sal já é uma realidade, não há razões para alterar a Lei de Partilha, acelerar leilões, abrir mão do conteúdo local e entregar o petróleo para exportação pelas multinacionais. Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo por multinacionais.
2) Quais os benefícios do pré sal?
FC:O pré-sal, se bem utilizado, pode promover o desenvolvimento econômico e social brasileiros. É necessário garantir a propriedade do petróleo pelo Estado brasileiro, mas não é suficiente. Precisamos agregar valor ao petróleo, transforma-lo em derivados, petroquímicos, fertilizantes, fármacos e produtos da química fina. Também é preciso utilizar a renda petroleira para erguer a infraestrutura das energias renováveis e dos biocombustíveis.
Para isso é necessário planejamento, um projeto nacional de médio e longo prazos, para além dos ciclos eleitorais de 4 anos.
3) A Petrobrás passa hoje por um momento delicado, o senhor acha que isso possa interferir no seu valor de mercado?
FC: O preço das ações oscila em função de inúmeros aspectos, alguns internos e outros externos à companhia, e não reflete o valor estratégico da Petrobras.
A companhia representa quase 15% do PIB e é a responsável pela garantia da nossa segurança energética e alimentar. É fundamental nos transportes, inclusive dos alimentos, nos fertilizantes, na petroquímica, além de ser a maior produtora de biodiesel do Brasil.
Em 2015, a geração de riqueza foi extraordinária. Lucro bruto de R$ 98,6 bilhões (23% maior que 2014) e EBITDA (Receita antes das despesas com juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 73,9 bilhões (25% maior que 2014). O prejuízo contábil de R$ 34,8 bilhões é resultado da reavaliação dos ativos, diante da nova conjuntura dos preços do petróleo e da cotação cambial, com a desvalorização do real, e das despesas com juros.
4) Sua opinião sobre o plano de desinvestimentos da empresa?
FC: O plano é prejudicial porque desintegra a companhia e a expõe aos riscos desnecessários da variação dos preços relativos. A integração desde a exploração do petróleo à produção de derivados, petroquímicos, fertilizantes, energia elétrica, biocombustíveis, transporte e comercialização permite que a companhia tenha resultados positivos diante da variação natural dos preços relativos do petróleo e de seus produtos.
Outro aspecto negativo é a entrega do mercado interno que é grande e tem potencial de crescimento. Trata-se de entregar o fluxo de caixa futuro em troca de ativos desvalorizados na atual conjuntura de preços baixos. Existem alternativas para lidar com a dívida e alongar prazos, sem dilapidar o patrimônio e comprometer o futuro.

 Natasha Tassinari | Parágrafo Revista
Leia a íntegra da entrevista do presidente da AEPET, Felipe Coutinho, à Parágrafo Revista:
1) Fale sobre a rodutividade da Petrobrás hoje?
Felipe Coutinho: A produção da Petrobras no pré-sal alcançou 1,24 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em junho, quase a metade da produção nacional da companhia de 2,70 boed.
A aceleração da produção é recorde se comparada ao desenvolvimento dos campos marítimos do golfo do México, do Mar do Norte ou da Bacia de Campos. A demanda interna está assegurada considerando os campos em operação e em desenvolvimento já licitados.
Enquanto a produção e as reservas das maiores multinacionais privadas de petróleo são decadentes há muitos anos, a Petrobras descobriu a maior reserva das últimas três décadas. O pré-sal já é uma realidade, não há razões para alterar a Lei de Partilha, acelerar leilões, abrir mão do conteúdo local e entregar o petróleo para exportação pelas multinacionais. Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo por multinacionais.
2) Quais os benefícios do pré sal?
FC:O pré-sal, se bem utilizado, pode promover o desenvolvimento econômico e social brasileiros. É necessário garantir a propriedade do petróleo pelo Estado brasileiro, mas não é suficiente. Precisamos agregar valor ao petróleo, transforma-lo em derivados, petroquímicos, fertilizantes, fármacos e produtos da química fina. Também é preciso utilizar a renda petroleira para erguer a infraestrutura das energias renováveis e dos biocombustíveis.
Para isso é necessário planejamento, um projeto nacional de médio e longo prazos, para além dos ciclos eleitorais de 4 anos.
3) A Petrobrás passa hoje por um momento delicado, o senhor acha que isso possa interferir no seu valor de mercado?
FC: O preço das ações oscila em função de inúmeros aspectos, alguns internos e outros externos à companhia, e não reflete o valor estratégico da Petrobras.
A companhia representa quase 15% do PIB e é a responsável pela garantia da nossa segurança energética e alimentar. É fundamental nos transportes, inclusive dos alimentos, nos fertilizantes, na petroquímica, além de ser a maior produtora de biodiesel do Brasil.
Em 2015, a geração de riqueza foi extraordinária. Lucro bruto de R$ 98,6 bilhões (23% maior que 2014) e EBITDA (Receita antes das despesas com juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 73,9 bilhões (25% maior que 2014). O prejuízo contábil de R$ 34,8 bilhões é resultado da reavaliação dos ativos, diante da nova conjuntura dos preços do petróleo e da cotação cambial, com a desvalorização do real, e das despesas com juros.
4) Sua opinião sobre o plano de desinvestimentos da empresa?
FC: O plano é prejudicial porque desintegra a companhia e a expõe aos riscos desnecessários da variação dos preços relativos. A integração desde a exploração do petróleo à produção de derivados, petroquímicos, fertilizantes, energia elétrica, biocombustíveis, transporte e comercialização permite que a companhia tenha resultados positivos diante da variação natural dos preços relativos do petróleo e de seus produtos.
Outro aspecto negativo é a entrega do mercado interno que é grande e tem potencial de crescimento. Trata-se de entregar o fluxo de caixa futuro em troca de ativos desvalorizados na atual conjuntura de preços baixos. Existem alternativas para lidar com a dívida e alongar prazos, sem dilapidar o patrimônio e comprometer o futuro.

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