7 de ago de 2016

Mais da metade dos portugueses nao viajou de ferias -No ano passado, houve 5,9 milhões de pessoas que não fizeram qualquer tipo de deslocação ligada ao turismo. A falta de dinheiro é a principal justificação apresentada, seguindo-se as questões de saúde. Editor O FMI anda estragando a vida dos paises e das pessoas Fim ao FMI, ao Liberalismo economico e ao 1% mais ricos.


O grupo dos que não realizaram qualquer tipo de deslocação turística é marcado de forma notória pelas más condições financeiras, atingindo mais de 3,2 milhões de pessoas, seguindo-se, num distante segundo lugar, as razões de saúde (303,3 mil). A falta de dinheiro atinge principalmente as pessoas que têm entre 45 e 64 anos. Aqui, há que contar com o flagelo do desemprego, nomeadamente o de longa duração. Do universo em análise, 11% (ou seja, 659 mil pessoas) estava sem trabalho. A percentagem sobe para 19% quando se olha apenas para a faixa etária dos 45 aos 64 anos.
Mesmo assim, o panorama já foi pior. Uma análise aos dados do INE num período temporal mais alargado, até 2010, mostra que o ano mais marcante foi o de 2011 (ano em que a troika de credores formada pelo FMI, BCE e Comissão Europeia entrou em Portugal, dando início a um ciclo de austeridade aplicado pelo Governo). Naquele ano, 63,1% da população não fez qualquer deslocação de turismo (que inclui também viagens de negócios).
No entanto, nessa altura as dificuldades económicas tiveram um peso de 53,8% na decisão de não viajar – valor que, após uma ligeira descida, subiu para 58,8% em 2014, sofrendo um novo recuo de 3,8 pontos percentuais no ano passado. Uma explicação para este facto pode ser o desemprego de longo prazo, que, após a forte recessão de 2012, se tem mantido em valores elevados. No final do ano passado, das 646,5 mil pessoas desempregadas, 62,3% estavam à procura de emprego há mais de 12 meses.
Entre os que o INE classifica como “não turistas”, destacam-se ainda os dois milhões de pessoas que, mesmo estando activos e com emprego, acabaram por não fazer as malas de férias. Neste caso, o facto de terem salário não é, só por si, uma base suficiente para fazer turismo, seja pela insuficiência de rendimentos (um baixo salário e despesas elevadas), seja por outros motivos.
Há, depois, os que são classificados como estando inactivos, grupo que inclui reformados (um milhão e 482 mil pessoas), estudantes (850 mil) e trabalhadores domésticos (401 mil e que, na sua esmagadora maioria, são mulheres). Ao todo, são três milhões e 146 mil pessoas que ficam a assistir às viagens dos outros pela televisão e que contrastam com aumento do turismo interno. Principalmente, com o facto de cidades como Lisboa estarem na moda a nível internacional, com constantes recordes de receitas.
Questionada sobre estes dados, a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, refere que “mais de 62% dos agentes turísticos consideram que este ano o turismo interno vai crescer substancialmente”, e que “é desejável que Portugal tenha um turismo interno dinâmico e com um crescimento sustentável”.
“O aumento do rendimento das famílias, através da reposição gradual dos vencimentos, a reintrodução dos quatro feriados nacionais, a par do lançamento da campanha de turismo interno que iremos realizar ainda este mês de Agosto, são medidas que contribuem decisivamente para o comportamento positivo do turismo interno”, sustenta Ana Mendes Godinho.
Em 2015, seja para visitar a família ou amigos, para lazer e férias, em negócios, por razões de saúde ou de religião, os residentes em Portugal realizaram 19,1 milhões de viagens, subindo 7% face a 2014 (ano em que a subida tinha sido de apenas 0,2%). Portugal é, de longe, o principal destino, mas o peso das viagens internas sofreu um ligeiro recuo (de 0,8 pontos percentuais), com as  viagens ao estrangeiro a subirem 16,2%.
Só ao nível do sector do alojamento turístico (estabelecimentos com dez ou mais camas), os proveitos subiram 15% no ano passado, chegando aos 2,6 mil milhões.  Já os dados do Banco de Portugal mostram que os estrangeiros, via viagens e turismo, foram responsáveis pela entrada de 11,4 mil milhões de euros nas contas do país. Já os portugueses gastaram cerca de 3,6 mil milhões no estrangeiro. publico.pt

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