14 de set de 2016

Sérgio Vaz, criador da Cooperifa: 'a periferia é um país'

Sérgio Vaz, criador da Cooperifa: 'a periferia é um país'

Para o poeta e ativista, a cultura serve para sabermos de onde viemos e para onde vamos. "Se a primeira coisa que Temer fez foi acabar com a cultura, isso é muito representativo"
por Por Sarah Fernandes publicado 12/09/2016 11:40
Para o poeta e ativista, a cultura serve para sabermos de onde viemos e para onde vamos. "Se a primeira coisa que Temer fez foi acabar com a cultura, isso é muito representativo"
PRISCILLA VILARIÑO/RBA
Sergio Vaz
Um sujeito me disse que o povo da periferia está alienado com o golpe. Eu falei: ‘É da classe média que veio o golpe’. Não tem preto na Lava Jato, não tem pobre na Petrobras e ainda é o pobre que é alienado
O poeta Sérgio Vaz lançou em junho Flores de Alvenaria (Editora Global, 184 págs.), livro em que declama sobre a vida ao seu redor: "Eu sou o oprimido que vive na periferia e que acompanha de perto o racismo e a fome, seria até um pecado eu não escrever sobre isso", diz Vaz, autor de outros sete livros e fundador do Sarau da Cooperifa. O já tradicional ponto de encontro e de ativismo cultural há 12 anos se reúne toda quarta-feira à noite no Bar do Zé Batidão, no Jardim São Luís, zona sul de São Paulo.
Foi nesse mesmo bar que o poeta recebeu em agosto o título de Cidadão Paulistano, honraria concedida pela Câmara Municipal a personalidades não nascidas na cidade, mas que de alguma forma têm atuação destacada para o seu "engrandecimento" em alguma área. Ele nasceu em Ladainha (MG), em 1964, e mora no município de Taboão da Serra, região oeste da Grande São Paulo. "A grande novidade é que a gente começou a consumir o que a gente produz e não a levar nossa produção para o outro lado da cidade. O que estamos fazendo agora é dar nosso charme, nossa visão sobre as coisas", diz Sérgio, para quem os movimentos de cultura da periferia vivem hoje sua "bossa nova".
"Nossa arte vem da rua, das ruas que os anjos não frequentam. Vem da dor. Ela não fala dos negros, fala pelos negros, com os negros. Não fala dos pobres, fala com eles e por eles", diz. Nesta entrevista, o poeta­ comenta políticas públicas de incentivo para os grupos culturais das bordas da cidade: "Seguimos uma filosofia de vida que é: a gente quer ser feliz também. Antes a gente só queria, mas agora estamos sonhando com as mãos", observa. "Estamos em um momento em que precisamos começar a nos reconhecer como humano. Morrer 12 jovens em um bairro de periferia é estatística. Nós precisamos chorar essas 12 mortes." Leia a seguir os principais trechos e a íntegra na página da RBA na internet.
Qual a temática de Flores de Alvenaria?
É o dia a dia. Sou oprimido, como cidadão que vive na periferia, que acompanha de perto o racismo e a fome. Seria até um pecado eu não escrever sobre isso. Sou um poeta que escreve sobre o que acontece ao meu redor. Gostaria de escrever sobre a Via Láctea, mas no momento preciso escrever sobre racismo, empoderamento das mulheres negras, saraus, a luta diária para o trabalho. É hora de a caça contar um pouco da história.
Como você define a periferia?
É um lugar para trabalhadores e trabalhadoras viverem. Mas não é fácil viver na periferia. Não é indigno, mas é difícil, lutar contra tudo, acordar de manhã, pegar ônibus e trem lotado para ganhar salário mínimo, ficar três dias na fila para arrumar vaga na creche e não conseguir, frequentar escola pública ruim, não conseguir fazer exame médico em menos de três meses. Ainda assim é um povo que quer ser feliz.
Em agosto foi publicado o edital de Fomento à Periferia, lei proposta por coletivos culturais, sancionada pelo prefeito Fernando Haddad. Esse tipo de ação tem potencial para fortalecer a cultura e manter esses grupos produtivos?
Acho uma grande vitória das pessoas que lutaram por isso, até porque é função do Estado gerir a cultura. Vai ajudar, assim como o VAI (Programa de Valorização de Iniciativas Culturais) ajudou a democratizar um pouco a cultura na periferia. A Lei Rouanet, por exemplo, é democrática só até a página dois, porque você pode até fazer um projeto, captar, mas ninguém quer investir, porque você é da periferia. A lei de fomento vem para preencher esse vazio, sem preconceito. Quem são os maiores arrecadadores? Os grandes produtores. E quando vai ser a nossa vez? A Lei de Fomento à Periferia resolve essas coisas.
A lei de fomento prevê financiamento de até 24 meses para os coletivos. Qual a efetividade de editais mais curtos, como o VAI ou o Proac (programa estadual de incentivo), para as demandas da periferia?
O VAI é mais democrático, porque circula mais e a grana é menor, então não interessa a muita gente. Ajudou a dar um pouco mais de voz à periferia. Eu não sou contra a Lei Rouanet. Acho que tem de ter pra todos, inclusive para a gente, mas será que as outras classes sociais entendem dessa forma? Eu entendo assim, afinal, como eu sofro preconceito eu não reproduzo. Eu acho que essas leis são necessárias neste momento e dou parabéns para o Haddad por ter sancionado, até porque é impopular neste país reacionário. Qualquer medida que seja para o povo é impopular (para os meios comerciais de comunicação).
Essa visão preconceituosa ganhou força mesmo na área da cultura, onde a periferia tem se destacado tanto?
Agora está mais forte ainda. Nós vemos o crescimento do fascismo. Há uns dois ou três anos eles tinham vergonha, mas agora têm orgulho de ser racistas. Nós temos líderes espirituais pregando o racismo e a homofobia.
Que momento vive hoje a produção cultural da periferia?
Estamos vivendo nossa Bossa Nova, nossa Tropicália, nossa Primavera de Praga. A cultura na periferia sempre existiu, mas a partir do ano 2000 surgiu como um movimento. Sempre se fez cultura, mas antes era de uma forma isolada. É quando vem o hip hop que a periferia dá um grito de independência: "Eu posso! Eu sou da periferia, e daí?" É aí que vem o orgulho de ser negro, de ser da periferia e o respeito por quem mora na favela. Antes fazíamos cultura para nos apresentar para a classe média e hoje fazemos para nós. Estamos fazendo e consumindo cultura.
Sempre existiu público para essa arte?
Sempre existiu. Quando você começa a assumir a periferia você se assume como patriota também, como alguém que respeita seu país, porque, para nós, a periferia é um país. Agora eu vou fazer poesia para o meu vizinho. As pessoas começaram a entender que nós precisamos formar leitores e público. A Cooperifa tem o Cinema na Laje, Cine Becos, Cine Quebrada, Cine Botecos, tem teatros para fazer na periferia. A gente fortaleceu a antropofagia periférica: pegamos toda essa cultura que vem do centro, mastigamos e entregamos de forma periférica. Damos nosso charme, nossa visão sobre as coisas. Queremos mostrar a poesia negra como ela é, a literatura periférica como ela é. Nosso teatro se comunica de outra forma, que não é nem melhor nem pior, é a nossa forma. A literatura periférica é melhor do que a universal? Não, ela apenas nos representa.

PRISCILLA VILARIÑO/RBASergio Vaz
Cresci estudando onde a maioria dos professores era de classe média. Hoje os professores são daqui, isso ajuda a gente a pensar. Começamos a criar um orgulho periférico, uma forma de pensar. Quando você lê Baudelaire, ele tem de parecer com Mano Brown. É isso que a gente está fazendo
Essa identificação permite atrair um público maior?
Sim, porque as pessoas se reconhecem na sua arte. Elas começam a entender que o teatrão não vai chegar na periferia, que o Paulo Coelho não vai dar palestra na escola pública. O que temos é isso aí: não veio goela abaixo, feito pela Globo ou pela revista. É o cara que surge daqui. A pessoa vai ter orgulho de dizer: eu conheço ele, não pela televisão, mas pessoalmente. Antigamente, a gente ia lá, fazia sucesso e depois era reconhecido na comunidade.
Você diz que a produção artística da periferia não é nem melhor nem pior que a do centro. Como você a define?
O grande barato do que estamos fazendo é não ser a arte pela arte. É uma arte solidária e cidadã. Quando você pega a Ivete Sangalo, ela faz uma música de manhã e à tarde ela já está sendo usada para vender Miojo, macarrão, xampu. Já o que a gente faz dói. Nossa arte sangra, sua, chora. Quando alguém escreve que está tomando um tiro você escuta o barulho da bala, sente o sangue escorrer pela página. Quando a pessoa faz um teatro ela está invocando seus ancestrais, porque naquele momento ela está dando voz a todo um passado e a toda uma trajetória de que foi difícil chegar ali. A gente coloca força, para que seja escutado. Quando eu faço uma poesia, quando alguém faz peça de teatro não está falando só por si, mas por muita gente. Essa arte é diferente da do Paulo Coelho, que pode usufruir das benesses do prazer enquanto a gente ainda está lutando para ter o direito a ser cidadão, a participar da civilização.
Ouvi de um produtor cultural que os grandes filósofos da atualidade estão nas periferias...
Milton Santos também disse que a revolução iria vir da periferia. Estou começando a acreditar. Nós temos os nossos pensadores, os nossos filósofos. Eu cresci estudando em um lugar onde a maioria dos professores era de classe média. Hoje os professores que estão aqui são daqui, moram no mesmo bairro, isso ajuda a gente a pensar, além dos artistas que ficam e de alguns políticos que surgem dos movimentos populares, por exemplo. Começamos a criar um orgulho periférico, uma forma de pensar. Quando você lê (Karl) Marx, tem de contextualizar para a periferia. Quando lê Charles Baudelaire ele tem que se parecer com o Mano Brown. É isso que a gente está fazendo. Seguimos uma filosofia que é: a gente quer ser feliz também. Antes só queria, mas agora estamos sonhando com as mãos, construindo.
A produção cultural tem também o potencial de ser uma alternativa de renda?
Sim, principalmente com a economia solidária. Quando você faz um evento tem de pagar os artistas, pagar produção, no entorno se montam as barracas onde se vendem bebidas... Mexe com toda a infraestrutura e altera a paisagem, com um perfil de resistência. É o empoderamento, palavra de ordem agora. A cultura serve para a gente não enlouquecer, para sabermos de onde viemos e para onde vamos. Tanto que a primeira coisa que Temer fez foi acabar com o Ministério da Cultura; isso é muito representativo. Por que nos é negada a cultura? Porqu­e cultura nos faz pensar, nos faz sentir humanos. A cultura tem um poder de humanizar as pessoas. Quanto menos cultura, mais bruto a gente é. Algumas pessoas que tinham parado de estudar voltaram por causa dos saraus, pessoas que tinham trancado a faculdade hoje fazem teses falando sobre os saraus.
Quem é o artista da periferia?
O que a gente faz é para que o pobre não seja cordial. A gente quer que a pessoa saia fora da caixa, que seja mais combativa. Tem gente que me pergunta: mas vocês tiram as pessoas das ruas e das drogas? Esse não é o propósito, eu não sou assistente social. A gente faz cultura e arte é rebeldia. Se não é rebelde não é arte, se não transgride, não é arte. Por isso que as pessoas gostam, porque eu gostaria de estar falando o que aquele artista está. Esse é o poder do artista. Ele é o cara que está com uma lanterna na mão. Por isso, eu acho que a arte não pode vir da mão de quem escraviza. A nossa arte vem da rua, das ruas que os anjos não frequentam. É lá que se escreve. Nossa arte vem da dor. Ela não fala dos negros, ela fala pelos negros, com os negros. Não fala dos pobres, fala com eles e por eles, junto.
É uma arte de denúncia?
Também, mas só fazer arte na periferia já é algo subversivo. O jovem que faz um funk tinha tudo para ser outra coisa e ele ainda faz música. Ele está subvertendo. As pessoas nos querem presos, algemados, implorando cesta básica ou só trabalhando. Fazer arte neste país já é um ato político. E nós fazemos arte pela literatura, que é sagrado, o pão do privilégio. E nós, arrogantemente, usamos a literatura para construir pessoas que constroem poemas. Eu não preciso falar que é uma denúncia. Quando um negro escreve um poema já é uma denúncia, quando uma mulher negra está em uma peça de teatro já é uma denúncia.
Há resistência ao golpe na periferia?
Muita. A periferia sempre se manifesta, o problema é que não chega na grande mídia. Quando tocam fogo em um ônibus porque um jovem foi assassinado pelas costas é uma manifestação, mas o que chega lá é que são bárbaros, mas na Paulista são todos inteligentes. Fizemos vários eventos "Fora, Temer", mas onde apareceu? Três pessoas fecharam a Paulista pelo "Fora, Dilma" e deu em todos os lugares. Eu encontrei um sujeito esses dias que me disse: "Precisamos fazer palestras porque o povo da periferia está alienado com o golpe". Eu falei: "Ora, por que você não faz isso na classe média? É de lá que veio o golpe". Não tem preto na Lava Jato, não tem pobre na Petrobras e ainda é culpa do pobre que é alienado. Você acha que pode cobrar da população uma posição política estudando em uma escola como a que o Alckmin nos dá, onde se rouba a merenda?
Qual a perspectiva para a cultura na periferia com Temer?
Sobreviveremos, porque a gente nunca viveu com muito. Sempre nos autogerimos, por isso, talvez sejamos até arrogantes. Vamos continuar lutando, porque nossa vida é lutar desde sempre. Está difícil, mas sempre esteve. Quando a gente sai de casa, a gente sai para virar o jogo, porque a gente já sai sempre perdendo. Por isso, a gente precisa jogar melhor, correr mais, lutar mais. O que eu quero dizer é que isso não altera muita coisa, porque a ditadura acabou para algumas pessoas, mas para nós ainda não. As pessoas reclamam até de registrar empregada doméstica.
Com Dilma e Lula, as demandas da classe trabalhadora na cultura eram correspondidas?
Sempre existiram contradições, mas entendemos que com Dilma era uma coisa e com Temer será outra. Mesmo com a crítica, com todos os defeitos, você tinha diálogo com a periferia. Com Temer não tem, é tudo de cima para baixo. Acabaram com a Secretaria de Igualdade Racial, isso quer dizer muita coisa. Está entendendo o que estamos vivendo? É assustador. É absurdo. Você tem o (deputado) Marco Feliciano que vai defender o racismo baseado na Bíblia. Um cara que agora está sendo acusado de estupro. Você tem uma pessoa que vota a favor do impeachment em nome de Deus e da sua cidade, e no dia seguinte vai presa.
Estamos vivendo uma grande depressão, mas talvez seja um dos momentos mais importantes na história do país. O Brasil precisa reconhecer o que somos e talvez daí comece a mudar. Somos um povo racista. O Estado quer controlar o corpo da mulher. Está escancarado o quão reacionário somos. Mostramos que somos governados pela grande mídia, eles dizem o que pode e o que não pode. Caiu a máscara. Talvez a partir daí a gente comece a melhorar. É quando me reconheço escravo que luto pela minha liberdade. É quando me reconheço que começo a mudar. Cresci ouvindo que o sistema é ruim, mas quem é esse sistema? São os iluminados tupiniquins: os donos dos jornais, da televisão, meia dúzia de pessoas. Agora sabemos que a elite não gosta de pobre e de negro. Agora a gente pode lutar. Jogaram-se as fichas.

PRISCILLA VILARIÑO/RBASergio_Vaz3_foto_Priscilla_Vilarino_RBA.jpg
O que a gente faz é para que o pobre não seja cordial. A gente quer que a pessoa seja mais combativa. A gente faz cultura, e arte é rebeldia. Se não é rebelde não é arte
E por que não conseguimos quebrar esse preconceito, sobretudo o de classes?
Durante muito tempo a gente fingia que fazia parte disso. No Rio de Janeiro, o cara que mora na favela vai na mesma praia do rico e acha que aquilo é democrático, acha que está sendo aceito, mas não. Nós não estamos lutando na luta de classes, estamos sendo massacrados. Nós não temos armas para lutar. É como enfrentar o Mike Tyson e tentar ficar em cima da lona o máximo de tempo possível, apanhando, caindo, tentando dar um soco... Essa é nossa vida e quando a gente grita somos arrogantes. Eu lembro do Bolsa Família e das pessoas falando que estavam sustentando pobres. Mas você que faz três refeições por dia não quer que a outra pessoa faça também? O Paulo Maluf nos roubou a vida inteira e isso não é um absurdo. Por que é absurdo que se repasse dinheiro para comer? De onde vem essa lógica? Aceita-se tudo da Lava Jato. Aceita-se R$ 23 milhões desviados pelo José Serra, mas e se fosse o Lula? Aos amigos tudo, aos inimigos a lei. E mesmo aqui na periferia está cheio de coxinha, que eu chamo de "simpatizante", porque não tem dinheiro para ser coxinha. É aquele que não vai ser convidado para a festa.
Faltou formação para os trabalhadores se identificarem como classe?
Faltou comunicação, formação política... Conheço gente que pegou ProUni e é contra o programa. Conheço gente que comprou casa pelo Minha Casa Minha Vida e está pedindo "Fora, Dilma". A revista Veja está em todas as escolas, em qualquer sala de espera está passando a Globo... É o grande irmão, todo dia e toda hora. Não sei onde nos perdemos, mas nos perdemos. Qualquer coisa que eu posto no Facebook me mandam para Cuba, me chamam de petralha. Como? Se eu não sou filiado a nenhum partido.
Esse preconceito se manifesta também contra a produção cultural da periferia?
Sim. O funk, por exemplo, não é mal visto pela música, mas porque é feito por negros. A música em si diz a mesma coisa que o sertanejo universitário, feito por brancos. Eu não sou do funk, mas respeito: alguém que não teve nada ainda quer cantar. E o funk não está enriquecendo ninguém além do cantor, porque ele mesmo faz a mídia e vende na quebrada dele, sem passar por gravadora. Por que o rap foi perseguido? Porque tinha rádio comunitária, fazia sua própria roupa... O mundo foi feito para poucos. Existe um pensamento único e quem sai dele é pederasta, terrorista, bêbado, maconheiro. Porque o status quo diz que você deve assistir TV, ir ao cinema, ao shopping, fazer academia, ir ao barzinho, ler os mesmos livros. Aí você fala que não quer e te segregam, ou pior, te matam. Mas sabe o que eu queria dizer?
O quê?
Eu acho que nos devíamos estar em busca de resgatar a humanidade de cada um. Estamos em um momento que precisamos começar a nos reconhecer como humanos, a reconectar. Precisamos de gente que entenda a dor do outro, com empatia. Parece que a gente perdeu essa capacidade de ser humano e viramos um produto. Nós somos um produto... Aquela pessoa dormindo na calçada é uma estatística. Morrer 12 jovens em um bairro de periferia é estatística. Nós precisamos sofrer essas 12 mortes, chorar cada uma delas. A vida precisa voltar a ter valor. A gente precisa se indignar. transcrito redebrasilatual

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