10 de out de 2016

Ruralista em órgão do Meio Ambiente de Alckmin é retrocesso, diz ambientalista

TEMERÁRIO

Ruralista em órgão do Meio Ambiente de Alckmin é retrocesso, diz ambientalista

Em meio ao processo de afrouxamento do licenciamento ambiental, que aumentará os impactos, secretário Ricardo Salles empossa nomes ligados ao agronegócio para Câmara de Compensação Ambiental
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 08/10/2016 16:43
ARQUIVO/FUNDAÇÃO FLORESTAL
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Unidades de Conservação do estado devem ser preservadas com recursos da Câmara de Compensação Ambiental
São Paulo – A nomeação do advogado Francisco Godoy Bueno, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), e do agrônomo Evaristo de Miranda, da Embrapa, para a Câmara de Compensação Ambiental, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente de São Paulo, é criticada pelo ambientalista Carlos Bocuhy.
Presidente o Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam) e integrante do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), Bocuhy afirma ser preocupante que o secretário Ricardo Salles escolha e dê posse a Bueno, um amigo pessoal. "Isso se torna ainda mais grave quando avançam na Câmara projetos que afrouxam as regras de licenciamento ambiental no país."
Bueno é membro do Movimento Endireita Brasil, fundado por Salles, que também é advogado e já foi diretor jurídico da SRB."O estado cede espaço a pessoas que têm olhar mais desenvolvimentista e não tão cauteloso como deveriam ter. Vamos ter um retrocesso num momento muito delicado, em que o licenciamento ambiental está sendo revisto. E com a influência da bancada ruralista no Congresso Nacional, essa revisão tende a ser para pior. E num contexto assim haverá mais impacto ambiental, o que vai demandar mais recuperação ambiental", afirmou.
O vice-presidente da SRB e o agrônomo da Embrapa substituem o biólogo Ricardo Rodrigues, professor e pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), de Piracicaba, indicado pelo Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e Ana Luisa da Riva, ex-diretora-executiva do Instituto Semeia, indicada pela ex-titular da pasta Patrícia Iglécias.
"Rodrigues é considerado uma das pessoas mais ilustres no Brasil quando o assunto é biodiversidade. Ele fez um mapeamento no estado que identifica quais as áreas que carecem de investimento para proteger a biodiversidade ainda existente ou ameaçada. Isso dá a ele conhecimento técnico aprofundado sobre planejamento ambiental com foco em biodiversidade e reflorestamento para as unidades de conservação", explicou Bocuhy.
Evaristo de Miranda, da Embrapa, é outro nome polêmico. Agrônomo com mestrado e doutorado em Ecologia, apresentou estudos científicos próprios, favoráveis aos interesses da bancada ruralista, durante discussões do novo Código Florestal no Congresso, os quais contrariam a maior parte da comunidade científica.
A Câmara de Compensação Ambiental é responsável pela gestão de um montante de R$ 250 milhões, oriundos de compensação ambiental, que devem ser investidos obrigatoriamente em benefício das unidades de conservação do estado. É constituída por oito membros, incluindo o secretário adjunto do Meio Ambiente, mais três representantes da pasta, um representante da Cetesb, um do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), e dois representantes da sociedade civil.
Ao jornal O Estado de S. Paulo Salles afirmou que Bueno é “uma pessoa supercorreta e de extrema confiança”, que “somos amigos, não tem problema nenhum”, que “o resultado prático dessa visão filosófica de laboratório é justamente a ineficiência dos trabalhos que foram feitos até agora”, disse, referindo-se a Rodrigues. “Não por outra razão temos necessidade de investimento, manutenção e recuperação de diversas unidades de conservação. Os recursos estavam disponíveis e não foram investidos exclusivamente por uma questão de má gestão."
disse mais: “Não há na secretaria a necessidade de pessoas que conheçam meio ambiente, porque o maior acervo de conhecedores de meio ambiente do estado de São Paulo (já) está dentro da secretaria."
Salles, de 41 anos, filiado ao Partido Progressista (PP), assumiu a Secretaria de Meio Ambiente em julho deste ano, sem ter ligação prévia com a área ambiental. Foi secretário particular do governador Geraldo Alckmim (PSDB); e sua indicação para a SMA foi noticiada como resultado de um acordo político entre os dois partidos, em troca do apoio do PP à candidatura do tucano João Doria à prefeitura de São Paulo.
Com informações de O Estado de S.Paulo

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