30 de nov de 2016

Conclusões do seminário com representantes da sociedade em debate sobre o Pré-Sal e a Petrobras

Conclusões do seminário com representantes da sociedade em debate sobre o Pré-Sal e a Petrobras

    Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, lê as conclusões e recomendações do seminário aprovadas por aclamação.
    Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, lê as conclusões e recomendações do seminário aprovadas por aclamação.
    Palestras com setores da sociedade realizadas no Clube de Engenharia, acompanhadas de debates ao final de cada apresentação, no seminário “O petróleo, o Pré-Sal e a Petrobras", dias 10 e 11 de novembro, permitiram que se chegasse ao documento que publicamos abaixo com as seguintes conclusões e recomendações:

    * A era do petróleo está longe de terminar. A título de exemplo o carvão, que impulsionou a revolução industrial no século 19, ainda ocupa posição de relevo na matriz energética mundial. Por mais que se desenvolvam energias limpas, o atendimento à demanda não permite que se prescinda dos combustíveis fósseis.
    * Nesse contexto, o Brasil ocupa uma posição singular, pois além de dispor de notável potencial hidrelétrico por explorar, com a descoberta do Pré-Sal adquiriu condições de alcançar a autonomia energética nas próximas décadas.
    * O Brasil, hoje uma das 10 maiores economias do mundo, necessita de um projeto nacional que permita que a utilização dos recursos naturais de que dispõe seja feita em benefício do seu próprio povo.
    * O Pré-Sal, maior descoberta de petróleo e de gás do planeta nos últimos 30 anos, é estratégico para o desenvolvimento brasileiro. Sua exploração deve atender prioritariamente às demandas da economia brasileira.
    * A Petrobrás, símbolo do orgulho nacional brasileiro, não deve abandonar o seu papel, construído ao longo dos seus 60 anos de história, de ser âncora do desenvolvimento industrial brasileiro, responsável por uma cadeia de mais de 5.000 fornecedores, nacionais e estrangeiros, e por cerca de 800.000 empregos, diretos e indiretos. Para tanto, deve continuar a ser uma petroleira integrada, produtora de petróleo e de gás, de derivados e de petroquímicos, e de insumos para fertilizantes, e distribuidora daquilo que produz. Não atende ao interesse nacional reduzi-la à condição de mera produtora de petróleo bruto e de gás.
    * A Petrobrás endividou-se mais do que as congêneres nos últimos anos porque foi a única dentre elas que descobriu petróleo, o Pré-Sal. Comparar resultados financeiros sem atentar às circunstâncias enseja a adoção de medidas que contrariam os interesses dos seus acionistas, a União em primeiro lugar, mas também os demais, nacionais e estrangeiros. Assim, a redução da atual alavancagem para padrão similar à das congêneres deve ser alongada para 2020, ao invés de 2018, tal como proposto pelo Plano de Negócios em vigor, uma vez que a produção crescente do Pré-Sal repercutirá positivamente no caixa da empresa. Mais ainda, os desinvestimentos em curso, promovidos a toque de caixa, em conjuntura desfavorável para a indústria de petróleo, não devem prejudicar irremediavelmente o caráter integrado da empresa. A vender, que se venda os ativos que a empresa tem no exterior, e não os que atendem à nossa economia. Sob esta ótica é incompreensível que a Petrobrás tenha se desfeito de Carcará, por preço vil, para em seguida anunciar ao mercado que vai investir 1 bilhão de dólares na Bolívia.
    * Finalmente, o papel estratégico da Petrobrás no desenvolvimento industrial do Brasil exige que ela mantenha o domínio da engenharia, na contramão do que vem fazendo desde que o seu Serviço de Engenharia (SEGEN) foi desmantelado em 1998, e mais recentemente, do seu Centro de Pesquisas, o CENPES, adotando terceirização suicida, mais e mais no exterior, em detrimento da capacidade técnica aqui instalada. A defesa do conteúdo local não é corporativa, está vinculada ao projeto do país que queremos, soberano, desenvolvido e socialmente inclusivo.

    VEJA, A SEGUIR, A PROGRAMAÇÃO, PALESTRAS E DEBATES DO SEMINÁRIO NOS LINKS ABAIXO:

    Dia 10/11: Manhã
    Palestra de abertura – Pedro Celestino – Presidente do Clube de Engenharia
    O que a História nos ensina? – Ceci Jurua – Economista
    O impacto da Lava Jato nas Empresas de Engenharia – Tomazo Garzia Neto, –
    Presidente da Projemar (Empresa de Engenharia)
    Guilherme Estrella – Ex-Diretor da Petrobras e conselheiro do Clube de Engenharia fala sobre o petróleo, O Pré-Sal e a Petrobras

    Dia 10/11: Tarde
    Perspectiva de preço futuro do barril – Raphael Padula – Professor da UFRJ
    Caixa de Pandora do Parente – Fernando Siqueira – Vice-Presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET)
    Propostas da AEPET – Felipe Coutinho – Presidente da AEPET
    A era do petróleo está prestes a acabar? – Luís Pinguelli Rosa – Ex-Diretor da COPPE

    Dia 11/11: Manhã
    O impacto da Lava Jato na Construção Naval – Sergio Bacci – Vice-Presidente do SINAVAL
    Qual a situação financeira da Petrobras? – José Eduardo Pessoa de Andrade – Vice-Presidente da Associação dos Funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (AFBNDES)
    O front jurídico I – Ricardo Maranhão, ex-Vereador e ex-Deputado Federal

    Dia 11/11: Tarde
    O conteúdo local – Cesar Prata – Vice-Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ)
    O front jurídico II – Gilberto Bercovici, Professor da USP
    Domínio de mercado após vendas da Petrobras – Reivindicações ao CADE – Arthur Villamil, do escritório Neves & Villamil Advogados Associados
    Conclusões e recomendações do seminário
    Palestra de encerramento – Roberto Saturnino Braga – ex-Senador da República, Conselheiro do Clube de Engenharia e Presidente do Centro Celso Furtado

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