28 de nov de 2016

Financiar camponeses evitariamilhões de famontos por Fabíola Ortiz . Editor o problema é que não votamos em candidatos camponeses, só em representante doagronegócio, que tem grana, recebe propia, u é custeado pelas empresas interessadas. Só a AGRICULTURA FAMILIAR traz a comida a mmesa das pessoas.


     
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Financiar camponeses evitaria milhões de famintos

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26 Novembro 2016
 
    Como o aquecimento global é uma grande ameaça para os pequenos agricultores, muitos especialistas em agricultura e segurança alimentar destacam que mais do que nunca é preciso implantar soluções locais para ajudá-los na adaptação à grande variabilidade climática.
    A reportagem é de Fabíola Ortiz, publicada por Envolverde, 23-11-2016.
    A maioria dos países tem a agricultura entre suas prioridades para manter abaixo de dois graus Celsius o aumento da temperatura global. No contexto do Acordo de Paris sobre mudança climática, 95% dos Estados incluíram essa atividade em suas Contribuições Previstas e Determinadas em Nível Nacional.
    “O clima varia. Não temos as chuvas de antes. Na década passada, tivemos dois anos consecutivos de intensa seca e perdemos toda a produção. Os animais morreram por falta de água”, lamentou à IPS Ahme Jiat, agricultor de 68 anos da comunidade marroquina de Souaka.
    Originário de uma família de agricultores, Jiat nasceu e se criou na região árida deSettat, 200 quilômetros a nordeste de Marrakesh, e toda sua vida cultivou milho, lentilha e verduras, além de criar cabras. Mas nenhum de seus nove filhos e filhas continuou a tradição, todos preferiram emigrar para as cidades em busca de trabalho.
    Antes, os camponeses podiam obter 90% de sua renda com agricultura, agora só conseguem a metade. “Já não trabalham no campo”, contou Jiat, se referindo aos seus filhos. “O trabalho aqui é sazonal. Prefiro que tenham um emprego fixo na cidade”, acrescentou.
    A agricultura é uma atividade importante da economia marroquina, que concentra 15% do produto interno bruto e 23% das exportações. Aproximadamente 45% da população do Marrocos vive em áreas rurais e sua renda provém das atividades campestres, segundo o economista Mohamed Bughala, do Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola (Inra), consultado pela IPS.
    Além disso, 70% da população rural é pobre, a maioria dos jovens está desempregada e cerca de 80% dos camponeses são analfabetos. Jiat, por exemplo, disse que não sabe soletrar seu nome.
    As consequências da mudança climática já são visíveis no Marrocos, segundo Bughala. Os anos de seca quadruplicaram, com redução de 35% da água superficial. A mudança climática afeta particularmente os pequenos produtores, que contam com poucos insumos e dependem da chuva para a irrigação, como ocorre em Settat.
    “Os estudos que fizemos na zona indicam que perdemos 100 mililitros de chuvas por ano”, explicou Bughala. “Em 2015, essa região só recebeu 400 mililitros de chuva, e em 2016 apenas 330. Se mostrarmos que há tecnologia capaz de melhorar suas colheitas, reduzir os riscos e os custos de produção, poderemos melhorar a vida dos pequenos agricultores”, ressaltou.
    Em 2015, as famílias que usaram os métodos tradicionais de cultivo não colheram nada. Mas os que aplicaram a “semeadura direta” registraram aumento de 30%. Trata-se de um método de cultivo de cereais que não perturba o solo com o arado, ou seja, não faz sulcos.
    A técnica permite que o solo absorva a água de chuva, a que fica retida nas raízes, e melhora a produção em relação à semeadura tradicional, pois diminui a erosão e os custos de arar.O Inra testou a semeadura direta no Marrocos como forma de melhorar a resiliência à mudança climática.
    Este país recebeu US$ 4,3 milhões do Fundo Especial para a Mudança Climáticado Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), dedicado a fortalecer as capacidades das instituições e dos agricultores para incluir medidas de adaptação ao aquecimento global nos projetos implantados no contexto do Plano Marrocos Verde.
    Jiat foi um dos 2.500 pequenos produtores beneficiados pela semeadura direta de cereais em 2011. Instituições como o GEF ou o Fundo Verde para o Clima são fundamentais para que os agricultores africanos tenham acesso a recursos que lhes permitam enfrentar o aquecimento global.
    Mas o continente africano, onde vive 25% da população mundial dos países em desenvolvimento, só recebe 5% dos fundos públicos privados. E, apesar de emitir uma baixa proporção de gases contaminantes que aquecem a atmosfera, a África é o continente mais vulnerável às consequências da mudança climática.
    A necessidade de proteger a agricultura africana foi um dos temas tratados na 22ª Conferência das Partes (COP 22) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, realizada entre os dias 7 e 18 deste mês, em Marrakesh, no Marrocos. Nesse contexto, a Agenda Global para a Ação Climática, à qual foi dedicado o dia 17, procurou reunir esforços para reduzir as emissões contaminantes, ajudar as nações mais vulneráveis e construir um futuro sustentável.
    “Precisamos encontrar novas fontes de financiamento para os agricultores”, enfatizou José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). “A mudança climática traz novamente a incerteza da insegurança alimentar. Projetamos que logo haverá um bilhão de pessoas com fome no mundo se não tomarmos medidas fortes para enfrentar a mudança climática. Na COP 22 vimos como a agricultura recuperou a importância necessária”, acrescentou.
    As soluções devem ser desenhadas e implementadas em escala local, destacou o oficial de recursos naturais da unidade de mitigação da mudança climática da FAOMartial Bernoux. “Nosso principal objetivo é conseguir a segurança alimentar e lutar contra a pobreza”, ressaltou.
    “O mais perturbador para os pequenos agricultores é a escassez de água e o ciclo instável que muda o regime de chuvas. Aumentou a frequência de eventos climáticos extremos e os produtores não têm tempo para se tornarem resilientes, nem a capacidade para se adaptar. É preciso trabalhar com mecanismos de microcrédito para ajudá-los”, pontuou Bernoux. “Quando a mudança climática se somar à equação da segurança alimentar, as soluções locais se tornarão mais complexas”, acrescentou.
    Segundo Bernoux, “necessitamos ouvir as reclamações das comunidades, suas carências e suas possibilidades para melhorar, por exemplo, com a criação de um sistema de alerta para que saibam com alguns dias de antecedência quando choverá e poderem preparar a terra. Se essa oportunidade for perdida, pode ser fatal para sua produção”.
    Além disso, a agricultura é uma atividade que atravessa quase todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como garantir a segurança alimentar, erradicar a pobreza, construir resiliência e adaptação, ressaltou Bernoux. “Precisamos encontrar soluções para que as pessoas possam viver melhor e aumentar sua renda, para promover um trabalho decente e construir resiliência. Trabalhar com a agriculturaconecta todos os outros ODS”, acrescentou. 

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