14 de nov de 2016

Ministério Público Transformador abre uma fresta para entrada de ar em um ambiente sufocante por Roberto Tardelli

Ministério Público Transformador abre uma fresta para entrada de ar em um ambiente sufocante
Segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Ministério Público Transformador abre uma fresta para entrada de ar em um ambiente sufocante

Vamos aplaudir o Coletivo MP TRANSFORMADOR, vamos dar boas vindas a esses promotores do Brasil que não se conformam com o raciocínio monolítico e empobrecido que dominou o Ministério Público (MP) brasileiro, com exceções no MPT. O monotemático MP se perdeu por completo e teve seu apogeu na propositura e defesa religiosa desse delírio processual das desmedidas contra a corrupção, que instauraria um estado fascista ente nós e tornaria oficialmente o MP na versão tropicalista da GESTÃO.
Tornou-se um MP, não  apenas acusador, mas completamente obcecado pela condenação, agravando aos níveis de desespero a tragédia penitenciaria brasileira. Um MP tão perdido que, muito além de apoiar a invasão policial das escolas ocupadas (não invadidas, quem invadiu as escolas foi a Polícia; os alunos, sim, nada mais faziam que ocupá-las), se deram a ofender estudantes, algemar estudantes, a processar os pais dos estudantes por não os impedir de ir à escola. Um MP que foi se tornando a extensão da viatura da polícia militar, um MP que, ao assumir protagonismo de investigações seletivas, deixou de lado o compromisso com a legalidade. Um MP que fez da delação premiada um festival absolutamente midiático de destruição de pessoas e de reputações. A delação não mais é um meio de investigação, mas um meio de extorsão, de chantagem, de canalhice processual. A delação fez com que promotores e juízes criassem simbioses clandestinas e invisíveis, destruindo a dialética processual.
Esse Coletivo é como alguém que consegue abrir uma fresta para entrada de ar em um ambiente sufocante. Ao vento fresco da liberdade, vem também o medo da liberdade, o medo de ser livre. A Grande Baleia Institucional tem um ventre acolhedor, todos se tornam irmanados e corporativamenteincompreendidos. A Grande Baleia Institucional exige lealdade e fidelidade caninas de seus habitantes e devolve com salários e penduricalhos, carros oficiais e insígnias, elevadores privativos e vestes talares, aos que correspondem à expectativa do não-pensamento, aos que rejeitam furiosos a possibilidade de serem livres e autônomos e constitucionalistas. Aliás, essa uma, a Constituição passou a ser  a inimiga a ser combatida ou o monstro disforme a ser domado. Quem a defende, decerto está vinculado aos piores interesses. A Constituição nos fará o paraíso dos comunistas, ateus e corruptos.
A Grande Baleia Institucional fez com que jovens promotores pensassem como velhos burocratas. A lei e a ordem, a ordem ser mantida a qualquer preço acabou por implicar a prisão de crianças, a invasão das escolas por policiais armados, algo que sequer a ditadura militar cogitou em fazer; juntamente aos coturnos da polícia, os ternos bem cortados dos promotores, compuseram os cenários das escolas nessas últimas semanas. Imaginei ingenuamente que a foto de um dessas centenas de confrontos fossem despertar o MP desse sonho letárgico e autoritário. Errei completamente.
Boas vindas aos Coletivos de Transformação!
Vida longa aos promotores e procuradores que o compõem. De minha parte, publicamente, me ofereço a defendê-los, com o mesmo amor que devotam à Grande Baleia Institucional que agora os amaldiçoa, caso venham a ser perseguidos pelas posições libertárias que defendem.
Conclamo todos os advogados comprometidos com o processo democrático que o façam, que o façamos, porque esse pessoal vai levar chumbo grosso. Defendê-los é exercer a cidadania no que ela tem de mais revigorante: defender a liberdade.
Viva o Coletivo!
Roberto Tardelli é Advogado Sócio da Banca Tardelli, Giacon e Conway. Procurador de Justiça do MPSP Aposentado.
Segunda-feira, 14 de novembro de 2016

SOBRE O AUTOR

Roberto Tardelli
Roberto Tardelli
Advogado Sócio da Banca Tardelli, Giacon e Conway. Procurador de Justiça do MPSP Aposentado.     no  justificando

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