6 de dez de 2016

Contra confinamento de Doria, internautas organizam Virada Cultural Clandestina. Editor - CULTURA NA RUA, é o que se faz em todas as capitais do mundo

REAÇÃO

Contra confinamento de Doria, internautas organizam Virada Cultural Clandestina

Prefeito eleito anuncia retirada de evento das ruas para levá-la para Interlagos, a exemplo de festivais pagos. Cidadãos prometem se apropriar da Virada e promover "balada autônoma"
por Redação RBA publicado 06/12/2016 13:37, última modificação 06/12/2016 13:58
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Doria: 'Não é preciso esperar a Virada Cultural'
São Paulo – Após o prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciar que pretende confinar a próxima edição da Virada Cultural no Autódromo de Interlagos, na zona sul da capital, internautas reagiram em oposição ao tucano. Via redes sociais, cidadãos descontentes com a decisão que tira o evento tradicional das ruas cidade, em especial do Centro, criaram um evento paraleloconvocando coletivos culturais e paulistanos para uma "Virada Cultural Clandestina".
Desde ontem (5), quando a página foi criada, até as 13h de hoje, já são mais de 50 mil interessados em participar do evento. "O mínimo que nós, cidadãos paulistanos, que curtimos a Virada Cultural no Centro, com problemas que podem ser minimizados, mas com uma troca humana intensa e fundamental para a saúde mental coletiva da cidade, devemos fazer é, além de protestar para que o 'Doriana' volte atrás dessa ideia de jerico, é nos apropriar da Virada", afirma a página organizadora, Paulada Diária.
A Virada Clandestina foi marcada para 19 a 21 de maio, período em que há 11 anos o evento vem sendo realizado com sucesso. Nos últimos anos, os shows e apresentações diversas vêm se espalhando pela cidade, e centros culturais em bairros periféricos vem recebendo parte da programação, facilitando o acesso da população a atrações diversas da cultura popular. Neste ano foram mais de 700 atividades em mais de 100 locais. Em levantamento realizado pela prefeitura, 86,6% dos presentes classificaram a Virada como excelentes e boas.
Internautas prometem ainda que, se o tucano não recuar em sua decisão, devem "colar no Centro no dia que é para ser e fazer a balada lá, de forma autônoma, autogestionada, todos os coletivos que agitam a cidade para armar o barraco e fazer sua bagunça e, de repente, isso vira algo ainda mais legal do que a Virada é hoje".
A polêmica começou durante um discurso do prefeito eleito em plenária da entidade de empresários Fecomércio-SP, na capital. "O convívio as pessoas podem ter naturalmente todos os dias. Não é preciso esperar a Virada Cultural", disse Doria, ao comparar o modelo por ele idealizado com grandes festivais pagos, como o Lollapalooza. A reação negativa pelas redes sociais foi instantânea. Em geral, internautas afirmam que a atitude do prefeito é típica de quem não conhece a cidade e a importância do evento.
Em seu discurso para empresários, Dória ainda lembrou que deve seguir com seu plano de privatizar o autódromo de Interlagos, onde pretende realizar a Virada Cultural confinada. O prefeito eleito, que pautou sua campanha afirmando não ser político, também vai contra o próprio partido. A primeira edição da Virada foi realizada por seu correligionário tucano, e hoje ministro das Relações Exteriores, José Serra (2005-2006).
Adversário político de Doria, Andrea Matarazzo, que deixou o ninho tucano e migrou para o PSD, após denunciar fraudes nas prévias do PSDB para favorecer Doria no pleito deste ano, se manifestou contra o que chamou de "fim da Virada". "Confinar é como um show patrocinado como qualquer outro em Interlagos. Vão credenciar, vai ter camarote VIP, toda aquela coisa (…) O essencial é que (as pessoas) conheçam os espaços, que abram restaurantes, os bares", disse o vereador em entrevista para o jornal Folha de S. Paulo. Doria, porém, afirmou que não pretende cobrar ingressos para a virada confinada.
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