10 de dez de 2016

Cotado para ministério, Imbassahy recebeu doação de R$ 300 mil da Odebrecht



Cotado para ministério, Imbassahy recebeu doação de R$ 300 mil da Odebrecht
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Gustavo Maia
Do UOL*, no Rio

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  • Sérgio Lima/Folhapress
    O deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) é cotado para ocupar ministério
    O deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) é cotado para ocupar ministério
Doações eleitorais realizadas em 2014 por empresas do Grupo Odebrecht ao deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB-BA), de aproximadamente R$ 300 mil, foram solicitadas pelo ex-diretor de Relações Institucionais da construtora, Cláudio Melo Filho, autor da primeira delação premiada da empreiteira. O tucano é cogitado como novo ministro do governo do presidente Michel Temer (PMDB).
Em seu depoimento ao MPF (Ministério Público Federal), que veio a público nesta sexta-feira (9), o ex-executivo disse que o parlamentar não pediu o "apoio financeiro", mas que os "pagamentos a pretexto de campanha" eram realizados com "a expectativa de que o candidato, caso fosse vencedor das eleições, se dedicaria aos pleitos de interesse da empresa".
Em breve entrevista por telefone ao UOL, na tarde deste sábado (9), Imbassahy afirmou que a própria delação indica que as doações foram legais. "O que ele coloca ali está correto", disse. Já o suposto objetivo dos pagamentos seria coisa "da cabeça dele [Melo Filho]".
"Eu tenho o meu mandato e faço as coisas que acho certas", declarou o deputado, que disse ter conhecido o então diretor da Odebrecht no começo do seu primeiro mandato, em 2011.
Pedro Ladeira/Folhapress
Geddel (PMDB-BA) pediu demissão após denúncia de que ele teria pressionado ministro da Cultura para liberar obras em um edifício em benefício próprio

Secretaria do Governo

O nome do deputado baiano aparece no capítulo da delação que diz respeito a pagamentos realizados a agentes políticos feitos oficialmente em 2014. "O parlamentar já foi prefeito de Salvador [de 1997 a 2005] e possui antigas relações com a empresa, tendo sido contemplado com o pagamento por ser político influente da Bahia", descreve Melo Filho, ele também baiano.
Imbassahy, que é líder do PSDB na Câmara dos Deputados, é cotado para suceder o conterrâneo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) como ministro-chefe da Secretaria de Governo, que cuida da articulação política do Planalto. O peemedebista pediu demissão no dia 25 de novembro, e o cargo está vago desde então.
A informação de que o presidente Michel Temer (PMDB) teria convidado o tucano, divulgada pelo jornal "O Globo" na quinta (8), logo provocou reação dos partidos do chamado "Centrão" da Câmara, que discordaram da escolha. O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, havia negociado a indicação diretamente com Temer.
Nesta sexta (9), o presidente declarou que "não houve convite", mas reconheceu que o nome de Imbassahy foi cogitado. O recuo desagradou os tucanos, que insistem na indicação e decidiram se contrapor ao veto do "Centrão", segundo o Blog do Josias, do UOL.
Ao senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE), em Fortaleza, Temer disse que espera momento oportuno para convidar o deputado para compor o governo. "Será na hora certa", afirmou.
Neste sábado, Imbassahy não quis falar sobre o assunto.

Doações

Duas doações de 2014 foram citadas na delação do ex-executivo da Odebrecht. Ambas foram registradas na Justiça Eleitoral --os números dos recibos constam no depoimento. Naquele ano, Imbassahy se candidatou à reeleição como deputado federal, para seu segundo mandato.
A maior delas foi feita pela CBPO Engenharia Ltda., no valor de R$ 269.700, e paga com cheque. A menor, de R$ 30.000, pela Braskem S/A, mediante transferência eletrônica. Com um total de receitas de quase R$ 2,9 milhões, Imbassahy recebeu 10% dos recursos de sua campanha das empresas da Odebrecht.
No depoimento, Melo Filho conta que sua relação com Imbassahy "é recente" e que foi apresentado a ele pelo deputado Arthur Maia (PPS-BA) --que recebeu quase R$ 600 mil em doações em 2010 e 2014-- no final de 2011.
O ex-diretor de Relações Institucionais da construtora também relatou ter se aproximado do tucano quando ambos participaram de uma visita institucional à Ucrânia, promovida pela Frente Parlamentar Brasil-Ucrânia e a Agência Espacial Brasileira. "Estive presente nessa viagem, pois esse era um tema de especial interesse para a empresa", contou. Imbassahy integrava a comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara.
"Em algumas oportunidades em que visitei o parlamentar em seu gabinete, conversamos sobre os rumos do Brasil e a política no nosso Estado da Bahia, momento em que percebi que havia uma certa frustração por não ter sido ele a indicação do seu partido para o cargo de vice-governador na chapa derrotada na eleição de 2014", acrescentou o delator.
Melo Filho contou ainda que expressou a preocupação da Odebrecht "quanto ao momento delicado vivido pela empresa". "Ele, por seu turno, se mostrou solidário ao problema vivido por Marcelo Odebrecht e também acreditava que a Bahia sofreria muito com possíveis desinvestimentos que poderiam ser feitos pela Odebrecht em seus projetos".
Na delação, ele também informa o número de telefone de Imbassahy, de DDD 61 (de Brasília), que foi confirmado como o do deputado pela reportagem.
UOL tentou contato com a Odebrecht neste sábado (10) para que a empresa comentasse a premissa de que as doações da empresa eram feitas com expectativa de que o candidato se dedicasse aos interesses da empresa. Em nota, o grupo informou que "não se manifesta sobre negociação com a Justiça".
Afirmou, no entanto, que "reforça seu compromisso com uma atuação ética, íntegra e transparente, expresso por meio das medidas concretas já adotadas para reforçar e ampliar o Sistema de Conformidade nas empresas do grupo". E lembrou do comunicado divulgado no último dia 1º, no qual a Odebrecht apresentou pediu desculpas à sociedade pelos desvios de conduta nos negócios.
*Com Agência Estado
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