27 de dez de 2016

Operação Sinal Fechado: Em quatro cheques, George Olímpio deu R$ 1 milhão ao senador @joseagripino


Operação Sinal Fechado: Em quatro cheques, George Olímpio deu R$ 1 milhão ao senador @joseagripino

Posted on 09/05/2012
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Faltavam cerca de duas semanas para o primeiro turno das eleições de 2010.  O senador José Agripino (DEM/RN) realizou um coquetel em seu apartamento na capital natalense.  O apartamento, uma cobertura, possui uma secção superior que os íntimos chamam de sótão.  Uma escada, fina, leva ao piso superior.
O empresário paulista, sócio do advogado Luiz Antonio Tavolaro, Alcides Barbosa, foi convidado para a festa.  Alcides, que faz parte do grupo que organiza e toca a inspeção veicular em Natal, o Consórcio Inspar, tem uma relação muito próxima aos tucanos Aloysio Nunes Ferreira e Clóvis Carvalho.  Estava em Natal tentando emplacar um negócio de construção de casas junto ao governo do estado na gestão de Iberê Ferreira de Souza. Barbosa foi convidado quase como representante dos tucanos de alta plumagem citados acima.
Ao chegar na festa, Alcides encontra seus sócios, o advogado George Olímpio e o suplente de senador João Faustino (PSDB).  O coquetel vai avançando e, quase no fim, Agripino pega João Faustino pelo braço e sobe para seu sótão, ao lado de George Olímpio.  Despede-se de Alcides, mandando recomendações a Aloysio Nunes Ferreira.  Pouco depois desce as escadas, se desculpa com o empresário e chama-o a subir também.
Lá em cima, Agripino é apresentado a George por João Faustino.  George diz ao senador que deseja investir R$ 1 milhão para a sua campanha. Agripino lembra que é o fim da campanha e estando todo mundo no aperto, o dinheiro era bem aceito.
No entanto George diz não ter o dinheiro naquele momento e, em poucos instantes, todos chegam ao acordo de esquentar a doação com cheques – não se sabe se de George ou do Inspar.  José Agripino resolve ligar para o seu suplente, José Bezerra Júnior, o Ximbica, e lhe pede que venha a seu apartamento.
Ximbica chega e é apresentado a George. Falando alto, Bezerra cita Lauro Maia como responsável pelo Inspar, questionando Agripino por ter-lhe posto naquela situação.  Na conversa, todos chegam a um acordo: George Olímpio daria a José Bezerra Júnior R$ 1 milhão em quatro cheques de R$ 250 mil, a serem descontados mensalmente a partir de janeiro de 2011.  Ximbica faria o depósito do dinheiro imediatamente.
Após esse episódio, George alardeava a segurança do negócio com base no fato de que dera esse volume de dinheiro a Agripino.  Também por isso, em fevereiro, José Agripino desistiu do desgaste de confrontar o governo Rosalba em prol do Consórcio Inspar.  No dia do anúncio do fim do convênio, em 09 de fevereiro, Agripino chamou George para uma conversa em Brasília e anunciou-lhe ser impossível prosseguir no pleito com governo.  Por isso, devolveu os dois últimos sem descontar.  Quanto ao dinheiro inicialmente pago a José na campanha, não há registro de que tenha sido efetivamente devolvido.
Entre várias coisas que George dizia nesse caso, a que mais o afastou do atual governo foi ter afirmado que doara o dinheiro para a campanha de Rosalba Ciarlini também – mas Agripino usou o dinheiro integralmente.
Essa história foi contada na delação premiada realizada por Alcides Barbosa para o Ministério Público do RN.  Seu advogado, Daniel Alves Pessoa, confirma as informações como sendo o teor do depoimento dado no âmbito do acordo com o MP-RN.
Mas tem mais.  E outros nomes foram citados.
O depoimento explícita que há uma relação, não bem explicada, entre a dupla Luiz Antonio Tavolaro e Alcides (que era uma espécie de sócio), com o senador Aloysio Nunes Ferreira.  A relação diz respeito, inclusive, a Clóvis [Carvalho?], que viajou de jatinho fretado a Natal para tratar da questão da inspeção veicular.  Qual o interesse dos tucanos nesse negócio?
Tavolaro, caso você não se lembre, era o Procurador-Geral do Município em São José do Rio Preto (SP).  Pediu exoneração no dia que foi deflagrada a Operação Sinal Fechada.  Tavolaro é responsável pelas cenas e relatos de ameaça a Alcides e sua esposa.
Luiz Trindade, um dos advogados ligados a Tavolara, é acusado de ter ameaçado a esposa de Alcides, dizendo que quem muito fala termina por morrer em um acidente na rua.  E mais de uma vez.
Alcides demonstra ter ficado e se sentido bastante isolado.  Parece que armaram para que ele pagasse sozinho pelos crimes.  E conseguiram fazer com que ele adiasse a delação que tinha intenção de fazer desde o primeiro dia.
As vantagens indevidas 
Segundo relata Alcides, João Faustino teria pedido R$ 150 mil a Carlos Zafred para a campanha de 2010 a fim de cumprir um compromisso com José Agripino.  Mas Carlos não pagou e por isso “deu pau”.  Essa época é aquela em que o acordo com José Maranhão para financiamento de campanha.  Alcides relata o acordo com José Maranhão na Paraíba, já explicitado na denúncia do Ministério Público.  
E afirma que George Olímpio deu R$ 200 mil para Eduardo Patrício, que havia acabado de se separar, e um carro, conseguido junto a Joca, filho de Iberê Ferreira.
Alcides informa ainda que George Olímpio pagou R$ 300 mil ao deputado estadual Ezequiel Ferreira de Souza para elaboração e aprovação da lei que instituiu a inspeção veicular obrigatória, em agosto de 2009.
Barbosa também esclarece que o ex-governador Iberê Ferreira paticipou na licitação, na inspeção e teria uma participação percentual na inspeção – de 15% nos lucros.  Esse é o mesmo percentual que caberia à ex-governadora Wilma de Faria.  Já a João Faustino cabia dez por cento.
Barbosa também esclarece que o ex-governador Iberê Ferreira paticipou na licitação, na inspeção e teria uma participação percentual na inspeção – de 15% nos lucros.  Esse é o mesmo percentual que caberia à ex-governadora Wilma de Faria.  Já a João Faustino cabia dez por cento.
Sobre o novo governo, Alcides diz que havia garantias da Facility, no Rio de Janeiro, e por Marcos Rola (da EIT), em São Paulo, de que o negócio seria reativado com a entrada dos novos sócios.  Havia um entendimento no grupo, à época, que apenas Robinson Faria se opunha à reativação do negócio em virtude de uma informação repassada por Ezequiel Ferreira de Sousa de que George Olímpio continuava sendo sócio de Marcus Vinícius no escritório.
Outros desembargadores
Alcides Barbosa também relata que foi feito um acerto, já em 2011, com Érico Ferreira e seu pai, o desembargador Expedito Ferreira: cada um receberia, mensalmente, R$ 50 mil em dinheiro vivo, a partir do momento em que Érico assumiu a diretoria-geral do Detran até o dia da Operação Sinal Fechado.
Para garantir o cartório, que rendia R$ 700 mil, a organização repassou R$ 1 milhão de Mou para o ex-governador Iberê Ferreira.  Uma parte desse dinheiro ficou com Luiz Carlos Chop.  Além de Iberê, seu filho Joca também tinha uma participação nos cartórios e na inspeção.
Segundo Alcides Barbosa, já no governo Rosalba, Paulo de Tarso Fernandes trabalhava pela manutenção da inspeção, mas substituindo Marcus Vinícius por Rosseaux Rocha, identificado como testa-de-ferro de Iberê Ferreira e seu filho Joca.  Alcides dá a entender que Paulo de Tarso sabia perfeitamente as cirscuntâncias, criminosas até, do Consório.  Citar Paulo de Tarso seria o mesmo que citar Robinson Farias?
O depoimento de Alcides Barbosa também envolve outros desembargadores, além de Expedito Ferreira.  Segundo ele, o que João Faustino mandava, Saraiva Sobrinho fazia – o filho de João, e também réu, Edson Faustino, era assessor de Saraiva. O grupo também foi conversar com o desembargador Osvaldo Cruz na casa dele – a quem George Olímpio já havia dado R$ 100 mil em favor dos negócios dos cartórios.   Além disso, George pagou a festa da posse de Saraiva na presidência do TRE.
Meses atrás, publiquei que o desembargador Saraiva Sobrinho teria recebido vantagem indevida para transportar o processo da Inspeção Veicular para a Justiça Federal.  Alcides confirma que houve uma decisão favorável a isso no âmbito do Tribunal de Justiça.  Não sabia no entanto que fora pronunciada por Saraiva Sobrinho – em 19 de abril de 2011, Saraiva remeteu o instrumento recursal ao TRF da 5a Região.
A última denúncia de destaque no texto diz respeito a Rousseaux. Segundo Alcides, Rosseuax utilizou o nome de Valter Alves e de seu pai, o senador-ministro Garibaldi Alves Filho, para tentar uma propina de R$ 2,5 milhões para liberar a construção de casas no padrão das que se realiza em São Paulo.  Alcides acha que a solicitação de repasse de dinheiro é um blefe e que os dois políticos do PMDB de nada sabiam.
Bate-papo
Conversarmos, rapidamente, com o advogado Daniel Alves Pessoa sobre o teor do depoimento de Alcides:
Blog: Desde o primeiro momento, Alcides diz que desejou realizar a delação premiada.  Porém, tendo recebido ameaças da parte do próprio advogado, desistiu.  Que tipo de ameaça ele recebeu?
Daniel Pessoa: Primeiro, a própria situação gera temor porque envolve interesses de muitas pessoas.  Além disso, ele recebeu essas visitas que, fizeram uma ameaça direta e explícita, ele se sentiu intimidado.  E o fato de terem ido ao encontro da mulher dele, ameaçando-a também.
Blog: Alcides demonstra um certo arrependimento de algumas coisas que falava nas interceptações.  Você pode explicar isso?
DP: Na verdade, ele não demonstra arrependimento.  Ele esclarece alguns conteúdos das interceptações e dos e-mails trocados.  Fazia parte do jogo, principalmente com os parceiros de Natal.
Blog: O advogado Luiz Trindade disse à esposa do seu cliente que ela poderia sofrer um acidente na rua, caso falasse demais.  Parece, então, que intimidação e ameaça fazem parte do jogo desse grupo. O que vocês fizeram a respeito?
DP: Vai ser inserido no processo e vai se apurar provável crime de ameaça.  
Blog: Qual o próximo passo da defesa de Alcides Barbosa?
DP: Aguardar a citação para poder realizar a defesa prévia.
https://deolhonodiscurso.wordpress.com/2012/05/09/operacao-sinal-fechado-em-quatro-cheques-george-olimpio-deu-r-1-milhao-ao-senador-joseagripino/
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