12 de dez de 2016

Resistindo ao roubo corporativo das sementes


Resistindo ao roubo corporativo das sementes

Por Vandana Shiva | ZNet
Choldraboldra - 4 de Outubro de 2011
http://choldraboldra.blogspot.com.es/2011/10/resistindo-ao-roubo-corporativo-das.html
Vivemos uma situação de emergência alimentar. Tanto a especulação quanto a utilização dos alimentos como biocombustíveis têm contribuído para o aumento descontrolado dos preços, aumentando o número de pessoas às quais é negado o direito à alimentação. Além disso, a agricultura industrial está dizimando um número cada vez maior de espécies, devido ao uso de substâncias que aniquilam abelhas e borboletas, minhocas e outros organismos garantidores da fertilidade do solo. Animais e plantas estão desaparecendo conforme as monoculturas deslocam a biodiversidade.
A agricultura industrial globalizada é responsável pela produção de 40% do excedente de gás carbônico na atmosfera, uma quantidade capaz de desestabilizar os ciclos agrícolas causando o caos climático e criando ainda mais ameaças à segurança alimentar.
Mas, sem dúvidas, a maior ameaça que enfrentamos é a do monitoramento das sementes, que saem das mãos dos agricultores e das comunidades e vão parar nas mãos das grandes corporações. O monopólio das sementes de algodão e a introdução do algodão BT geneticamente modificado deram origem a uma série de suicídios de agricultores na Índia.
250 mil agricultores tiraram as suas vidas devido às dividas induzidas pelos altos custos das sementes não renováveis, que giram bilhões de dólares para empresas como a Monsanto.
Em 1987, começamos a Navdanya para enfrentar o desafio trazido pelas sementes geneticamente modificadas, pelas patentes e pelo monopólio.
Estamos tendo bons resultados tanto na recuperação da soberania das sementes quanto na criação de bancos comunitários (agora são 60 bancos) de sementes com o intuito de resgatá-las como bens comuns. Estamos provando, cotidianamente, como a agricultura ecológica produz mais alimentos com maior valor nutricional por hectare do que as monoculturas, reduzindo custos para os agricultores e para a terra.
Entretanto, nossos esforços são como um feixe de luz em um quarto muito escuro. Nós mantemos as possibilidades e trabalhamos com as alternativas, mas sabemos que a emergência alimentar exige uma resposta mais abrangente.
O movimento deve ser tornar mais integrado, desde as sementes até a mesa, no interior e nas cidades, no Sul e no Norte. Precisamos desafiar de forma mais incisiva o controle da alimentação pelas corporações e os governos que atuam aumentando – em lugar de impedir – o abuso corporativo das sementes e dos solos, dos nossos corpos e da nossa saúde.
Michele Obama tem uma horta de orgânicos na Casa Branca, mas a administração de Obama abraça a causa dos transgênicos ao redor do mundo. O acordo que normatiza as relações agrícolas entre a Índia e os Estados Unidos, assinado pelo presidente Bush e pelo Primeiro Ministro Singh, em 2005 – ao mesmo tempo em que foi assinado o acordo nuclear entre a Índia e os Estados Unidos – contou com membros da Monsanto, da ADM e do Walmart para a sua elaboração. Assim, fica claro como o sequestro do nosso sistema alimentar é, em última instância, o sequestro da nossa democracia. É por isso que precisamos fazer da luta pela democracia alimentar o núcleo de defesa da liberdade e da sobrevivência. Do contrário, teremos acirrada a ditadura alimentar com o colapso dos sistemas alimentares e das sociedades. Precisamos ser bem sucedidos na manutenção dos ecossistemas e das comunidades resistentes para que tenhamos uma alternativa.
Vandana Shiva é física, eco-feminista, filosofa e ativista pela biodiversidade, conservação dos solos e direitos das comunidades agrícolas.

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