25 de fev de 2017

Tempos de crise por Fernanda Cirenza

Tempos de crise


O show de horrores ressuscita até um personagem histórico da política nacional, que insiste em ser mal lembrado
Obra "Operários", de Tarsila do Amaral (1933), óleo sobre tela (150 cm x 250 cm). Foto: Reprodução
Obra “Operários”, de Tarsila do Amaral (1933), óleo sobre tela (150 cm x 250 cm). Foto: Reprodução

volta à prisão do ex-ministro José Dirceu, que cumpria pena em regime domiciliar em Brasília por sua condenação no mensalão, abriu outra fase da Operação Lava Jato nos primeiros dias deste mês de agosto. Dirceu agora também é apontado como suspeito de ser “instituidor e beneficiário” do esquema de corrupção na Petrobras. Sua transferência da capital federal para as dependências da Polícia Federal em Curitiba foi autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, por estarem lá concentrados os processos da Lava Jato.
Dias antes, a mesma operação inaugurou seu primeiro roteiro fora da Petrobras, prendendo Othon Luiz Pinheiro da Silva, diretor-presidente licenciado da Eletronuclear e vice-almirante da Marinha na reserva desde 2004. Essa apuração quer rever contratos firmados entre a Eletronuclear, vinculada ao Ministério das Minas e Energia, e empresas que já estavam sob suspeita na Lava Jato.
Othon, 76 anos, considerado o “pai” da energia nuclear no País, também supervisiona o estratégico programa de submarinos no Brasil e viabilizou a contratação da Odebrecht na construção do estaleiro e da base naval em Itaguaí, no Rio de Janeiro. Lá estão sendo montados quatro submarinos convencionais e um nuclear, em acordo firmado, em 2009, entre Brasil e França. A Marinha, que comanda esse projeto, informou que não vai se manifestar. Vale dizer que a obra, em estágio avançado de execução, é considerada uma das maiores em andamento no País. O programa é estratégico, pois os submarinos farão parte da defesa da costa nacional da chamada Amazônia Azul, com todas as suas riquezas, inclusive o Pré-Sal.
Apontar e esmiuçar irregularidades faz parte do jogo democrático, não há o que discordar. Mas, enquanto se levantam erros e culpados, a disputa política se acirra de forma assustadora. O deputado Eduardo Cunha, PMDB-RJ, presidente da Câmara e pessoalmente ex-aliado do governo, brada por justiça, mas se esquece de que o Supremo Tribunal Federal pode abrir processo contra ele por suspeita de ter recebido propina do mesmo esquema de corrupção que a Lava Jato investiga.
Por outro lado, a oposição orquestrada por um PSDB dividido, tímida até bem pouco tempo atrás, revive seus tempos de glória ao defender o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Nessa conta, não entram prescrição, atrasos, incúria e engavetamento que beneficiam políticos do partido tucano, também acusados das mesmas irregularidades.
O show de horrores ressuscita até um personagem histórico da política nacional, que insiste em ser mal lembrado. Também nos primeiros dias de agosto, processo conjunto entre o Ministério Público de São Paulo e a Justiça britânica, condenou o ex-prefeito paulistano Paulo Maluf a devolver, em sentença definitiva, cerca de R$ 80 milhões aos cofres públicos da capital paulista. Segundo promotores do MP, o dinheiro foi desviado durante a gestão de Maluf à frente do governo municipal, entre 1993 e 1996. Tem tempo. Na investigação, o montante descoberto estava depositado por duas offshores no paraíso fiscal da Ilha de Jersey, no Reino Unido.
Enquanto novas e antigas histórias de escândalo chocam e entristecem a sociedade, o País entra em estado de paralisia, acentuado por um desempenho de fragilidade do governo. Assim, o Comitê de Política Monetária, o Copom, elevou pela sétima vez consecutiva, em julho, a taxa básica de juros. No entanto, o comunicado do comitê alivia a dose, sugerindo que o ciclo de aumentos chegou ao fim. O estrago já está feito e um de seus efeitos é a alta taxa de desemprego e, consequentemente, o freio no consumo.
Na sequência de más notícias, uma bomba de fabricação caseira foi arremessada contra o Instituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, no último dia do mês de julho. Não houve feridos. Mais uma investigação é aberta para averiguar as responsabilidades. O que se sabe até agora é que para bombas há lei. Mas para o ódio o antídoto ainda não foi descoberto.
Nas páginas a seguir, uma série de reportagens, entrevistas e artigos assinados por pessoas que entendem o Brasil de ontem, o de hoje e têm ideias para o Brasil do futuro.
Leia a cobertura completa na edição de agosto, já nas bancas!
Link curto: http://brasileiros.com.br/nNHNO
http://brasileiros.com.br/2015/08/tempos-de-crise/

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