4 de mar de 2017

Altamiro Borges: Como a mídia esconde secretário de Alckmin que alterou zoneamento


Altamiro Borges: Como a mídia esconde secretário de Alckmin que alterou zoneamento

04 de março de 2017 às 09h01

  
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Alckmin e o chefete do ‘Endireita Brasil’
O governador Geraldo Alckmin deve recompensar bem os donos da mídia. Nenhuma denúncia contra sua gestão dura muito tempo nos jornalões, revistonas de emissoras de rádio e tevê.
Elas até aparecem, em pequenas notinhas e sem destaque, mas logo somem.
No início de fevereiro, a imprensa paulista noticiou que o secretário estadual do Meio Ambiente de São Paulo, o fascistóide Ricardo Salles, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal por suspeita de improbidade administrativa.
Ele e mais duas funcionárias da sua equipe teriam escondido alterações em mapas do zoneamento ambiental do rio Tietê.
Segundo o promotor Silvio Antônio Marques, os mapas foram “modificados de forma maliciosa”, tornando frouxa a proteção ao mais importante rio que corta a região metropolitana de São Paulo.
Segundo a investigação, as mudanças em seis mapas de zoneamento visaram beneficiar poderosas empresas.
“Em um dos pontos identificados pela equipe técnica que assessora o promotor Leandro Leme, a alteração ocorreu exatamente em uma área vizinha a uma grande indústria do município de Suzano. ‘Áreas de proteção, agora, poderão virar industriais’, disse o promotor Leme”, descreveu uma reportagem da Folha.
“A equipe da Promotoria identificou as mudanças, que não foram registradas nos mapas, e nem foram discutidas na véspera da reunião do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), em 31 de janeiro… Durante a assembleia em janeiro, presidida pelo secretário Ricardo Salles, o representante da Promotoria, Marcos Funari, pediu para que o texto do decreto de proteção ao Tietê não fosse votado e solicitou esclarecimentos sobre as mudanças. Salles disse que todas as alterações ocorreram após discussões técnicas, ‘não deu ouvidos’ à Promotoria, segundo Leandro Leme, e promoveu a votação, que aprovou o texto”.
“Depois da reunião do Consema, um membro da Fundação Florestal procurou a Promotoria para dizer que ele havia mudado os mapas a pedidos de pessoas da própria secretaria. E que todas as mudanças haviam sido claramente identificadas nas figuras. O funcionário estranhou a ausência das alterações no texto final e demitiu-se, diz o Ministério Público. Os mapas são fundamentais pois indicam, com precisão, as áreas para mineração, indústria e moradia, mas registram também os locais protegidos, que quase não podem ser ocupados”, concluiu a reportagem da Folha.
Direitista parceiro do Instituto Millenium
A denúncia mereceria uma investigação jornalística mais rigorosa sobre as empresas beneficiadas e os possíveis esquemas de corrupção na secretaria.
O assunto, porém, sumiu de pauta.
Ninguém mais fala sobre as “modificações maliciosas” de Ricardo Salles.
E olha que o rapaz tem uma história sinistra, o que talvez ajude a explicar o tolerância da imprensa.
Ele foi o criador do Movimento Endireita Brasil (MEB), entidade parceira do Instituto Millenium, o antro dos barões da mídia nativa.
Suas posições políticas beiram o extremismo fascista.
Basta conferir alguns trechos da biografia postada na enciclopédia virtual Wikipédia:
Ricardo Salles foi secretário particular do governador Geraldo Alckmin de 2013 a 2014, e Secretário do Meio Ambiente desde 2016… Ele foi candidato a deputado estadual pelo DEM em 2010 (não se elegeu) e candidato a vereador em 2012, pelo PSDB (desistiu antes da eleição). Segundo o próprio site do movimento, os membros do Endireita Brasil, “fizeram curso de liderança no Leadership Institute nos EUA”, o qual exibe em sua página principal o lema “training conservative activists, students and leaders since 1979” (treinando ativistas, estudantes e líderes conservadores desde 1979).
Oposicionista ferrenho do PT e de Lula, o Endireita Brasil declarava não ser “apenas anti-Lula, somos contra a quase todos os políticos brasileiros”. Também negou que fosse um movimento ligado ao PSDB: “não somos tucanos”, é o que se lê num post de 13 de agosto de 2007. Todavia, isso não impediu que Ricardo Salles tentasse por duas vezes ingressar na vida política. Em 2010, apresentando-se como representante de uma “nova direita, acima de tudo democrática”, ele posicionou-se “contra o aborto, a favor da pena de morte e contra o uso de drogas”.
A escolha de Ricardo Salles para secretário particular de Geraldo Alckmin em março de 2013 gerou enorme celeuma, mesmo dentro do seu partido (PSDB). Segundo o relato de um “pessedebista histórico” ao Diário do Centro do Mundo, “Salles defende o regime militar, é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, contra o aborto, abomina o Estado e se define o único direitista assumido do Brasil, seja lá o que isso quer dizer”. O governador teria sido procurado por “secretários de Estado e integrantes do PSDB”, preocupados com o estrago que a nomeação do polêmico advogado causaria à imagem do partido”.
Referindo-se à recusa de Salles em reconhecer os assassinatos políticos cometidos pela ditadura militar (ele denomina a Comissão da Verdade de “Comissão da Vingança”), a revista CartaCapital, em matéria de 2013, definiu-o como “o perfeito idiota paulistano”. Em 18 de julho de 2016, Salles retornou ao governo estadual, agora assumindo a Secretaria do Meio Ambiente. A nomeação, mais uma vez, causou revolta entre “caciques” do PSDB. O ex-governador Alberto Goldman se disse “enjoado” com o ato. Isso foi logo após o [novo] partido de Salles (o PP) ter aderido à pré-candidatura de João Doria para a eleição municipal de São Paulo de 2016. Na avaliação de Goldman, “mais um motivo para não votar em Dória”.
Defensor da ditadura e das torturas
Quando foi empossado como secretário do Meio Ambiente de Geraldo Alckmin, em julho do ano passado, a Rede Brasil Atual também publicou uma longa reportagem sobre a sinistra figura.
Lembrou que “a nomeação foi feita em troca do apoio do PP, legenda do deputado federal Paulo Maluf, à candidatura de João Dória à prefeitura de São Paulo”.
Citou ainda a sua famosa palestra no Clube Militar, no Rio de Janeiro, quando o fascista afirmou que “não vamos ver generais e coronéis, acima dos 80 anos, presos por causa dos crimes de 64… Se é que esses crimes ocorreram”.
Na ocasião, o Ricardo Salles também disse que “entre uma ditadura de esquerda e uma de direita, foi melhor para o Brasil ter tido uma de direita”.
A reportagem enfatizou que o MEB “foi um dos mais empenhados na campanha pelo impeachment da presidenta Dilma e na perseguição a pessoas ligadas a ela ou que a defendessem. Em uma postagem feita em abril de 2016, nas redes sociais do Endireita Brasil, o grupo ofereceu R$ 1 mil para quem hostilizasse o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), em um restaurante do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo”.
“Já na posse como secretário do Meio Ambiente, ele prometeu menos preservação e mais apoio ao agronegócio, “único setor da economia brasileira que vai bem”. Para ele, a preservação de áreas de mata ciliar de acordo com o tamanho dos rios, nascentes ou córregos — como determina o Código Florestal —, pode tornar inviável a produção agrícola em alguns locais. Além disso, o advogado se manifestou contra o tombamento integral da Serra da Mantiqueira e disse que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ‘não tem mais razão de existir’”.
Este sujeito, que agora está sendo investigado pelo Ministério Público Federal por adulterar mapas de zoneamento ambiental visando favorecer grandes empresas, não merece maior empenho do tal “jornalismo investigativo” da mídia venal.
Nada que afete a imagem do “picolé de chuchu” é tratado como prioridade pela chamada grande imprensa.
Afinal, Geraldo Alckmin ainda pode se tornar uma alternativa da direita para as eleições de presidenciais de 2018.
Além disso, ele mantém generoso relacionamento com os barões da mídia — sabe-se lá a que preço, já que não há transparência sobre a publicidade oficial.
Em tempo: Na semana passada, o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu afastar das suas funções o juiz José Roberto Leme Alves, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Guarulhos. Ele era o responsável pelos processos de desapropriação de terrenos para a construção do Rodoanel Norte.
A obra é uma das vitrines do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo as investigações, há suspeita de que desapropriações foram feitas pela via judicial com valores bem acima dos de mercado.
O suposto esquema de superfaturamento na construção do Rodoanel teria desviado cerca de R$ 1,3 bilhão. Também neste escândalo, o nome do “picolé de chuchu” quase não é citado.
Talvez por isso ele tenha recebido o apelido de “Santo” pela Odebrecht!
Leia também:
http://www.viomundo.com.br/politica/altamiro-borges-como-a-midia-escondeu-assessor-de-alckmin-que-alterou-zoneamento.html
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