4 de mar de 2017

José Villani, o primeiro preso político do golpe de 64. - Editor - os GOLPISTAS PROPINEIROS LHE DERAM UM NOVO DISSABOR AOS 88 ANOS, MASSACRANDO O GOVERNO DILMA E A DEMOCRACIA PORQUE TANTO LUTOU.

 

José Villani, o primeiro preso político do golpe de 64

O primeiro preso da ditadura militar faleceu, e com ele histórias do início do golpe em 1964 e da memória que aflige o país até hoje para alguns.
Por Nilmar Lage
Foto: Nilmar Lage / Mídia NINJA
Foto: Nilmar Lage / Mídia NINJA
Era tarde tranquila em meados de setembro, transição do inverno para primavera de 2016, eu estava em Juiz de Fora, um escritório simples, com um homem simples mas que na verdade era um documento da história do Brasil. José Villani Côrtes recebeu-me cordialmente após um breve telefonema me identificando enquanto jovem documentarista na busca de histórias sobre o golpe de 1964. Villani ainda estava exaltado pois não acreditava que viveria para assistir outro rompimento com o processo democrático como foi o golpe dado na presidente Dilma, 15 dias antes de nossa conversa e após duas horas de bate papo, ele permitiu que eu ligasse a câmera para começarmos o trabalho.
General Olympio Mourão Filho. Foto: Acervo UH/Folhapress
General Olympio Mourão Filho. Foto: Acervo UH/Folhapress
Militando desde os 15 ou 16 anos José Villani morava em Juiz de Fora, cidade sede da 4ª Divisão de Infantaria do Exército Brasileiro, que comandada por Olympio Mourão Filho, deu início ao processo de intervenção que culminou com o golpe de 64. “Eles já estavam se organizando, obviamente, então na manhã do dia 29 ou 30 (de março) eles me prenderam na sede da cooperativa e me levaram pro quartel. Depois de umas duas horas chegou outra pessoa, que eu não conhecia e também ficou lá”. A marcha das tropas de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro acontece nas primeiras horas do dia 31 de março, assim, José Villani é considerado o primeiro preso político da ditadura no Brasil, pois sua prisão aconteceu dois dias antes, na “Operação Gaiola”, que era a tomada pelo exército das sedes de sindicatos e organizações trabalhistas, para evitar reações ao golpe.
Tropas de Mourão Filho marcham de Juiz de Fora até o Rio de Janeiro na véspera do golpe militar de 1964
Tropas de Mourão Filho marcham de Juiz de Fora até o Rio de Janeiro na véspera do golpe militar de 1964
Villani não quis entrar em detalhes sobre sua prisão, “preso é preso, não tem o mesmo conforto que em casa. Eu não quero entrar em minúcias disso não”. Mas sabia de sua importância histórica e visivelmente apresentava desconforto com o sofrimento psicológico que viveu e mesmo após todos esses anos sentia-se perseguido pelos militares. Sem ter noção do que é passar por qualquer tipo de tortura, respeitei sua posição. Contudo, dias depois ao agendar uma entrevista com um general que participou da marcha para o golpe, pude entender o porquê de sua inquietude, já que o escritório do general ficava no andar acima do dele. Coincidência? Pode ser, talvez.
Foto: Nilmar Lage / Mídia NINJA
Foto: Nilmar Lage / Mídia NINJA
Dias depois José Villani me recebeu em sua casa, cortês como seu sobrenome indica, posou para algumas fotos, não gostou daquelas que eram menos tradicionais e preferiu alguns retratos mais clássicos. Estive com ele novamente para convidar para abertura da exposição e exibição do documentário. À época ele reclamava um pouco da tosse que não passava e não foi ao evento. Ficamos combinados que entregaria uma cópia do filme em março, quando eu voltaria para o fim da exposição. Não deu tempo. Fiquei sabendo que aquela tosse piorou e Villani faleceu por complicações de pneumonia no último dia 13.
Foto: Nilmar Lage / Mídia NINJA
Foto: Nilmar Lage / Mídia NINJA
Talvez eu tenha tido a honra de ser o último a entrevistar o primeiro preso da ditadura brasileira, mas isso não é de longe o mais importante. Ressalto muito mais sua vontade de lutar por mais direitos e as lições de quem, mesmo com 88 anos, morreu presidindo o Sindicato dos Aposentados do Banco do Brasil em Juiz de Fora. Sabiamente me disse que "luta é eu me movimentar, fazer alguma coisa, me declarar. Mentalmente a minha luta continua. Eu me sinto um lutador. Um reformador também, porque eu gostaria que as coisas fossem melhores."https://ninja.oximity.com/article/Jos%C3%A9-Villani-o-primeiro-preso-pol-1

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