19 de mar de 2017

Mulher, seu sinônimo é luta!



Mulher, seu sinônimo é luta!


Ocupação feita pelas mulheres do MST na fazenda de Eike Batista recebe a visita de artistas mineiros, que vieram trazer seu apoio ao movimento e ao novo acampamento.
Fotos: Mídia NINJA
No dia 8 de Março, as mulheres do MST ocuparam a fazenda Santa Terezinha, no município de Itatiauçu, Minas Gerais, com um simbolismo muito forte. Além de ser o Dia Internacional da Mulher, a fazenda pertence ao empresário Eike Batista, preso por envolvimento em corrupção investigada pela Operação Lava Jato que já dura 3 anos.
Com cerca de 100 mulheres e pouco mais de 40 famílias, o MST entrou na fazenda na manhã do dia 8 e já foi intimidado pela polícia duas vezes. A primeira foi poucas horas depois de ocupar, as forças militares do estado mineiro vieram fortemente armadas, e foram espantados pela força das mulheres do Movimento dos Trabalhadores rurais Sem-Terra. No dia seguinte, a Força de Choque esteve presente, e novamente não passaram. As mulheres ocuparam e falaram para quem quiser ouvir: "Viemos pra ficar, e daqui não sairemos".
Neste sábado, 18, artistas mineiros estiveram presentes na ocupação, que já conta com cerca de 300 famílias, em um ato de apoio ao Acampamento recente do MST. A visita também foi motivada pelo ato realizado pelas mulheres contra a Reforma da Previdência e pela Reforma Agrária, transmitido Ao Vivo pela Mídia NINJA. Nomes como Titane, Flávio Renegado, Pedro Morais, entre outros, estiveram no ato e também protestaram contra a Reforma que afetará principalmente a população rural.
Ster Hoffmann, da Coordenação Nacional do MST, falou ao final do ato sobre a importância da ação e da ocupação da fazenda de 3 mil hectares, que irá receber famílias que sonham com seu pedaço de terra para produzir e fazer parte da cadeia da agricultura familiar, fornecendo alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, para a população da região.
O ato teve também a juventude do Movimento presente, que, incansável, cantou, batucou e dançou durante todo a manifestação.
O MST conta com 350 mil famílias assentadas em seus 33 anos de existência, e a fazenda de Eike Batista, improdutiva há 6 anos, tem terra suficiente para centenas de famílias ingressarem nesse rol de famílias com seu pedaço de terra, conquistada com muita luta. E essa luta está sendo feita principalmente pelas mulheres. Quem conhece as mulheres do MST vê na cara delas força, nas suas ações a coragem, e em todas elas o substantivo luta. Elas levantam barracas, cobrem com lona, cozinham, cuidam dos filhos, pegam na enxada e no facão. Se defendem, e são exaltadas pelos companheiros do movimento como grande força, respeitadas como iguais, e lutam diariamente pela reforma agrária e também contra o machismo. Uma das palavras de ordem, puxada pelos homens no ato, provou isso: "Lugar de mulher é no tanque... de guerra!"
Mulher é sinônimo de luta, e isso é provado a cada momento que você anda pelo acampamento criado pelas mulheres do MST. No barracão principal, foto da Mercedes Sosa, e símbolos da luta da mulher e do Movimento, que casam perfeitamente. Acordam cedo e não param, cuidam de suas terras recém conquistadas e de todas as outras atribuições socialmente impostas às mulheres como os cuidados da casa e dos filhos, e fazem isso o tempo todo sorrindo. Te recebem em suas barracas e oferecem café, algo para comer, uma boa prosa. E enfrentam a polícia, se necessário for, para manter seu espaço e sua luta, que é distribuição de terras para todas as famílias que necessitam no Brasil. Elas são a prova viva de que "MST, A LUTA É PRA VALER!"

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