22 de abr de 2017

Memória das Jornadas de Junho: ainda sinto o cheiro do vinagre e do gás lacrimogêneo


Ilustração de Lyn Nascimento
Ilustração de Lyn Nascimento

Memória das Jornadas de Junho: ainda sinto o cheiro do vinagre e do gás lacrimogêneo


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Demian Melo
“Não vai ter Copa!”
Ninguém seria capaz de afirmar onde foi que surgiu tal palavra de ordem, mas talvez essa, e não “Não é só por 20 centavos!”, seja a mais genuína palavra de ordem surgida nas Jornadas de Junho de 2013. Disputadas pelas mais diversas forças políticas do país, da esquerda à direita do espectro político, aquelas Jornadas ainda são motivo de muitas controvérsias interpretativas.
Contudo, não seria extravagante afirmar que aquele levante enigmático, não previsto por ninguém, fez explodir na cena pública uma enorme insatisfação social que estava adormecida. Embora hoje analistas possam afirmar que os sinais de recessão na economia brasileira já estivessem presentes, seria enganoso sugerir que a recessão econômica gerou aquele processo.[1] Afinal, até o fim de 2014 no mercado de trabalho vivia-se o baixo desemprego, embora, como bem apontou o sociólogo Ruy Braga, tal mercado de trabalho aquecido no período de vigência da hegemonia lulista foi caracterizado por empregos de péssima qualidade, precários, embora tenha havido uma melhora real no poder de compra dos salários em seu auge.[2] Não foi por acaso que das hostes do governo petista uma das primeiras versões sobre o levante de Junho tenha sido a da “ingratidão”.
O contraste entre os gastos faraônicos na construção de estádios de futebol em várias capitais e os péssimos serviços públicos no país foi incontestavelmente um elemento explicativo da consciência crítica que foi às ruas naquele ano. E se hoje sabemos mais detalhes sobre as falcatruas e superfaturamentos que envolveram a construção dessa plêiade de elefantes brancos espalhados pelo país, ninguém pode esquecer que nos protestos de rua os manifestantes já levantavam essa lebre. Daí que, como afirmei no início, “Não vai ter Copa!” foi uma palavra de ordem genuína daquele processo. As denúncias sobre a corrupção tinham esse como um dos seus principais objetos. Cabral no Rio era denunciado juntamente com o milionário Eike Batista como atores da corrupção. Cantávamos: “Ôh Balancê, Balancê, escuta o que vou te dizer; Eike Batista vai se fuder, e leva o Cabral com você!” Diferentemente do teor dos carnacoxinhas de 2015, embalados pela midiática operação Lava Jato, em 2013 a palavra de ordem contra a corrupção, combinada à crítica do sistema de transportes urbanos controlados por oligarquias empresariais, possuía contornos anticapitalistas.
“A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura!” foi outra palavra de ordem das Jornadas. Claro, nesse caso, não surgiu em Junho de 2013. Mas a memória viva do colaboracionismo das empresas da família Marinho com a ditadura militar foi motivada pela (não surpreendente) cobertura tendenciosa com a qual a Globo fez dos primeiros protestos contra o aumento dos preços das passagens no transporte público em 2013, como também seu apoio pornográfico à violência desmedida com a qual o aparato de repressão do Estado, especialmente a Polícia Militar, atacou manifestantes. “Confronto entre manifestantes e a PM” foi e é o padrão dessa narrativa mestra da afamada linha editorial das Organizações Globo.
Como se sabe, até a repressão violenta ocorrida em 13 de junho daquele ano na capital paulista, quando profissionais da imprensa empresarial foram alvo dos cães de guarda da ordem, para a mídia todos os manifestantes foram retratados como “vândalos”. Daquele dia em diante, quando até o ex-CCC[3] Boris Casoy criticou o que chamou de “violência excessiva”, surgiu a narrativa da “minoria de vândalos”, “infiltrados entre os manifestantes pacíficos”, ou, o hit parade daquele momento: “mascarados infiltrados entre os manifestantes pacíficos”. A partir daquela data, a divisão entre “pacíficos” e “vândalos” deu o tom da cobertura da imprensa. Quem não se lembra do patético Arnaldo Jabor dizendo no Jornal da Globo que os manifestantes “não valiam nem 20 centavos”? E, como lembraram os ativistas do Movimento Passe Livre, o famoso editorial da Folha de S. Paulo daquele mesmo 13 de junho de 2013, que praticamente clamou pela violência policial para “garantir o direito de ir e vir”?[4] Tudo mudou naquele dia, uma quinta-feira. E no fim de semana seguinte o escândalo da repressão violenta e a visível alteração da relação de forças na opinião pública fez a linha da grande imprensa sofrer uma drástica alteração.
A revista Veja de 16 de junho, a mesma que no fim de semana imediatamente anterior havia caracterizado os protestos contra o aumento das passagens como “um movimento de baderneiros”, passou cinicamente a “apoiá-lo”. A capa dessa edição sugere o apoio até mesmo às ações mais radicais, como a quebra de vidraças de bancos. Mas, naturalmente, essa mudança não se dirigiu para um apoio inocente. Tratava-se fundamentalmente de disputar a agenda das manifestações, atitude à qual se jogou toda a imprensa empresarial. E os mesmos âncoras televisivos que há poucos dias condenavam o movimento passaram a lhe exigir que incorporassem “outras pautas tão importantes para o país”, como a luta contra a PEC 37 e tudo mais que era, na verdade, parte da agenda que a oposição de direita ao lulismo vinha urdindo ao longo dos últimos anos, como a “redução do número de ministérios”.[5] Assim, depois de um não menos patético mea-culpa do Jabour, no dia 17 de junho, nas manifestações bem mais massivas que as da semana anterior, pôde-se ver muitas pessoas com cartazes pedindo o “Fim da PEC 37”, tema sobre a qual a maioria da sociedade desconhecia o teor. Embora não se tenha visto qualquer sinal de uma crítica popular “ao número de ministérios”, a âncora do Jornal das Dez da Globo News, Mariana Godoy, num episódio de enorme desfaçatez, ao narrar os protestos daquela segunda 17 de junho, simplesmente esqueceu de falar do estopim de todo aquele movimento: o aumento dos preços das passagens. A jornalista afirmou que as manifestações seriam “contra a PEC 37, o número de ministérios e a corrupção”.
Aí se incorporou na nova narrativa da imprensa a ideia de que tais manifestações seriam “sem líderes, e sem partidos políticos”, termos exaustivamente repetidos naquela semana de 17 a 21 de junho. Daí que as bandeiras vermelhas, mesmo aquelas que não ostentavam o símbolo do Partido dos Trabalhadores, passaram a ser duramente reprimidas pelos próprios novos manifestantes que, naquela semana, resolveram aderir aos protestos. É preciso lembrar que o PT, então o partido do governo, cuja militância não teve qualquer relevância na organização dos protestos até aquele momento, foi de fato o principal alvo dos novos manifestantes, que encararam suas bandeiras naqueles protestos como uma espécie de “oportunismo”. Mas a verdade é que sobrou pra todo mundo da esquerda naquela semana, tendo sido o dia 20 de junho o momento em que a violência contra os chamados “vermelhos” atingiu o patamar mais expressivo.
No Rio de Janeiro, a coluna dos manifestantes da esquerda, com suas bandeiras vermelhas, foi violentamente atacada por um grupo de bate-paus pagos para isso, e a violência só não foi fatal por obra e graça de uma pequena organização da esquerda que, num momento de lucidez admirável, resolveu tomar para si a tarefa de proteger com seus militantes toda a coluna da esquerda. Como se sabe essa organização é o PSTU.[6] Muita gente não apanhou naquele dia, entre eles este que escreve estas linhas, em razão dessa correta atitude da pequena agremiação trotskista. O mais insólito, porém, foi o que ocorreu no mesmo dia na capital paulista, quando até o autonomista MPL – totalmente independente dos partidos de esquerda, mesmo os mais radicais – teve de se retirar do protesto depois que uma coluna de fascistas (carecas, neonazis, integralistas etc.) atacou violentamente todas pessoas que se identificavam com a esquerda. Tal como no Rio, foram aplaudidos por dezenas de bobalhões com a camisa da corrupta CBF insuflados pela mídia.
Episódios parecidos repetiram-se em outras capitais.
A manifestação de 20 de junho de 2013 foi a mais massiva do país, e só a manipulação grosseira dos dados pode lhe tirar seu lugar da maior da história do Brasil.[7] A questão de fundo é que quando o processo atingiu proporções gigantescas a direita também foi às ruas,[8] e embora tenha se mostrado incapaz de dirigir o processo naquela altura dos acontecimentos, se escondeu por detrás das bandeiras verde-amarelas. Nada mais emblemático do que em São Paulo, logo após a esquerda ter sido expulsa do ato, milhares de pessoas com a camisa da CBF terem cantado o Hino Nacional na frente da sede da FIESP, a maior organização empresarial do país. Os ovos do pato amarelo se chocaram ali.
O legado das Jornadas de Junho
Somado aos episódios de violência, a narrativa dos partidários do governo do PT buscou caracterizar todo aquele processo como uma espécie de “conspiração da direita”. Não seria a primeira vez que as organizações e ativistas que se localizaram politicamente na oposição de esquerda ao lulismo foram caracterizadas como “fazendo o jogo da direita” por parte dos adeptos mais ferrenhos da narrativa petista. Não é preciso nem perder muito tempo com esse tipo de acusação infundada proveniente de quem, ao longo de 13 anos no governo, governou com partidos de direita, favorecendo os interesses do grande capital brasileiro e estrangeiro, do setor bancário, empreiteiras, passando pelo agronegócio e de industriais beneficiados pelas políticas lulistas.
Todavia é preciso lembrar também como esse campo à esquerda do lulismo não conseguiu nem criar uma unidade interna, nem se colocar como alternativa de poder. Daí que a oposição de direita tenha conseguido no momento posterior cavalgar na crise com maior desenvoltura.
É preciso lembrar, porém, das inúmeras oportunidades perdidas para a oposição de esquerda ao lulismo no processo político recente. É verdade que depois de Junho a maré conservadora que já vinha se esboçando como parte das contradições do lulismo – ele próprio uma forma de pacificação do conflito social que gesta uma experiência social conservadora – ganhou força (como já afirmamos em outro lugar).[9] Entretanto, podemos lembrar da emblemática greve dos professores e demais profissionais da educação básica no Rio no segundo semestre daquele mesmo ano de 2013, quando a esquerda não-lulista novamente deu o tom nas ruas da capital carioca. Sim, porque, embora dividida, aquela jornada de luta teve como protagonista um sindicato historicamente de esquerda, e que, embora com sua direção e formato absolutamente contestados pela sua base social, tal contestação situava-se também à sua esquerda. No auge desse movimento, quando novamente os cães de guarda do Estado foram jogados contra professores, estudantes, merendeiras, serventes e demais apoiadores daquele belíssimo movimento, cem mil pessoas voltaram a ocupar as ruas da Avenida Rio Branco em 15 de outubro (Dia do Professor), ganhando notável apoio social – apesar da Globo, do Judiciário, do PMDB e, é necessário lembrar, do governo do PT, que ainda fazia parte dos governos de Cabral e Eduardo Paes. Embora derrotada, aquela greve dos educadores cariocas mostrou a força e também as fragilidades da esquerda social.
Tratou-se de um movimento bem diferente da também contagiante greve dos garis no Carnaval do ano seguinte, que também ganhou enorme respaldo social. Esta última pode sem dúvida ser lida como um movimento espontâneo, onde os trabalhadores ultrapassaram um sindicato notadamente pelego e ligado à Prefeitura para realizar uma vitoriosa luta. Não é o caso da greve dos educadores em 2013, e isso não pelo simples fato de que a dos garis tenha sido vitoriosa e a outra não. Pois embora em inúmeros momentos os trabalhadores da educação tenham colocado em xeque posições defendidas pela direção do sindicato, eram nas assembléias massivas do SEPE que aquele movimento se organizou. Nos dois movimentos o caráter de classe se manifestou com força.
“Não vai ter Copa!”
Em 2014, a expectativa geral, dos governos federal e estaduais, das organizações de esquerda, da direita, da Globo, da Veja, da blogosfera mais suja, bem como das novas mídias alternativas, era que a realização da Copa do Mundo seria palco de um levante das proporções de Junho do ano anterior, ou talvez maior. Contra essa possibilidade virtual, todo o aparato repressivo do Estado, a inteligência infiltrada nos movimentos sociais, passando pelo judiciário, PM, ABIN e o escambau, agiram de forma coordenada. A mídia já havia se prestado na fabricação do inimigo público, os Black blocs, que, como já se repetiu exaustivamente, não são uma organização política, mas uma tática empregada por agrupamentos autonomistas, anarquistas e grupelhos – é preciso dizer as coisas como são – sem qualquer chance de ameaça real ao governo, e muito menos à ordem capitalista. Contudo, como resposta à crescente violência policial, os identificados como Black blocs haviam conseguido importante legitimidade social em 2013 – e novamente é preciso lembrar as coisas como foram –, especialmente quando, na mencionada greve dos educadores do Rio os adeptos de tal tática, protegeram manifestantes covardemente encurralados pela PM na Câmara Municipal do Rio. Está em minha memória como na mencionada manifestação com cem mil pessoas em solidariedade aos educadores do Rio a coluna dos Black blocs foi ovacionada pela multidão que ocupavam toda a Cinelândia.
Só que a fetichização da tática, estimulada inicialmente por essa breve legitimidade social, acabou levando a que no Brasil se operasse aquilo que em inúmeros locais do mundo também já havia ocorrido: o esvaziamento das ruas em razão dos enfrentamentos. Esvaziadas as ruas, foi fácil para os serviços de inteligência, da P2 ao lamentável ministro da Justiça petista, José Eduardo Cardoso, angariar convencimento massivo na mencionada fabricação dos vândalos. O desastre provocado pela trágica morte do cinegrafista da Band, Santiago de Andrade – atingindo por um rojão em 6 de fevereiro de 2014 –, serviu como o pretexto para uma caça às bruxas, tendo a mídia empresarial se prestado ao papel sujo de tentar vincular o episódio ao deputado Marcelo Freixo do PSOL, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio, e principal adversário do PMDB no estado.
O passo seguinte foi uma sucessão de arbitrariedades contra o próprio ordenamento jurídico do país, feito (e não seria a primeira vez) pelos próprios operadores do Judiciário. Uma escalada autoritária teve como auge a prisão preventiva de 23 ativistas no Rio antes da realização dos jogos da Copa, num verdadeiro escândalo. Chegou-se ao ponto de vincular os ativistas presos à morte do cinegrafista da Band, num processo vergonhoso onde a boçalidade do aparelho policial fluminense chegou ao cúmulo de arrolar entre os acusados de “terrorismo” o emblemático líder anarquista russo Mikhail Bakunin, morto em 1876.
O que restava das Jornadas de Junho àquela altura era a palavra de ordem “Não vai ter Copa!”, slogan esse que uma parte da mesma esquerda que protagonizou, tomou as ruas e apanhou em 2013 combateu como ilusória. Mas quantas palavras de ordem ilusórias já não moveram as esperanças daqueles que lutam contra a ordem do capital, como “Não passarão!” na Espanha revolucionária da década de 1930, ou “Os trabalhadores não vão pagar pela crise!” nos dias que correm? Ao não compreenderem aquilo como um legado genuíno de Junho tal esquerda demonstrou toda sua impotência em se apresentar como verdadeira alternativa ao lulismo e ao conservadorismo em ascensão.
Embora ainda sinta o cheiro do vinagre e do gás lacrimogêneo, é um truísmo que muita coisa aconteceu nesses quatro anos que nos separam das Jornadas de Junho. O agravamento da crise política, as mobilizações de massa das direitas, o golpe de 2016 e a vitória eleitoral das direitas no mesmo ano são o que Rafael Vieira denominou de reação às Jornadas de 2013,[10] compondo aquilo que muitos têm chamado de onda conservadora.[11] Só que o espírito de Junho ainda se faz presente e foi possível senti-lo na Primavera Feminista em 2015 e nas mobilizações feministas que se seguiram, assim como no belíssimo movimento de ocupação das escolas públicas no final de 2015. Modestamente, nosso Blog se propõe a cultivar essa memória das rebeliões de 2013. Não por nostalgia, e sim por um compromisso ativo e militante com todas as lutas dos trabalhadores e por uma nova insurgência.
Notas
[1] A tentativa de vincular o ciclo das lutas sociais às flutuações econômicas foi caracterizada pelo historiador marxista Edward Thompson de concepção espasmódica do protesto social. Cf. THOMPSON, E. P. A economia moral da multidão inglesa no século XVIII. In. Costumes em comum. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
[2] BRAGA, Ruy. A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista. São Paulo: Boitempo, 2012.
[3][3] Comando de Caça aos Comunistas (CCC) foi uma organização de extrema-direita atuante durante o período da ditadura militar, da qual Casoy fez parte.
[4] MOVIMENTO PASSE LIVRE DE SÃO PAULO. Não começou em Salvador, não vai terminar em São Paulo. Cidades Rebeldes. São Paulo: Carta Maior e Boitempo, 2013.
[5] Essa última demanda, desconhecida quando das administrações tucanas, se voltava simplesmente para inviabilizar o esquema que sustentaram o pacto lulista entre o PT e os partidos conservadores ao longo de mais de uma década.
[6] Militantes de outras pequenas organizações, como o PCB e PCR também participaram da tarefa, embora a iniciativa tenha partido do PSTU. A propósito, alguns de seus militantes ficaram gravemente feridos. Tornado logo depois o “patinho feio” da esquerda, poucos hoje têm a honestidade de lhe reconhecer esse mérito.
[7] O papel da imprensa de insuflar e depois inventar que os carnacoxinhas de 2015 foram “as maiores da história do Brasil” é parte dessa manipulação grosseira.
[8] Hoje se sabe que o próprio PSDB contratou os tais grupos fascistas para o serviço sujo.
[9] MELO, Demian. Para além da marolinha: a crise e a onda conservadora no Brasil. Blog Junho, 6 de janeiro de 2016. http://bit.ly/2osLmBP
[10] VIEIRA, Rafael. Para uma crítica do Projeto de Lei 193/2016, que inclui na LDB o Programa “Escola Sem Partido”. Blog Junho, 1 de abril de 2017. http://bit.ly/2oJyqM8
[11] Cf. DEMIER, Felipe; HOEVELER, Rejane (org.). A onda conservadora: ensaios sobre os atuais tempos sombrios no Brasil. Rio de Janeiro: Mauad, 2016.
http://blogjunho.com.br/memoria-das-jornadas-de-junho-ainda-sinto-o-cheiro-do-vinagre-e-do-gas-lacrimogeneo/
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