13 de jun de 2017

MIDIATIVISMO Midiativistas homenageiam saudoso fotógrafo Daniel Cruz, co-fundador do Mariachi


MIDIATIVISMO

Midiativistas homenageiam saudoso fotógrafo Daniel Cruz, co-fundador do Mariachi



Quinta-feira, dia 08/06, integrantes do movimento midiativista carioca prestaram uma grande homenagem/celebração a um de seus fundadores. Na data em que completaria 36 anos, Daniel Cruz, fotógrafo, cineasta, co-fundador do Coletivo Mariachi e falecido em fevereiro desse ano teve seus trabalhos relembrados em uma vernissage, na qual foram apresentadas fotos, vídeos, culminando com um show de sua antiga banda de punk rock, “Os Podridões”.

A Casa Cultural Othello na Lapa ficou cheia de pessoas que foram prestar homenagem a Daniel Cruz.
Autor de uma obra de grande importância social, Daniel iniciou sua carreira fazendo fotojornalismo na redação do jornal “O Povo”, posteriormente trabalhou nas principais agremiações da mídia corporativa, sempre se destacando por seu belo e inconfundível enquadramento, um grau fora do centro, propositalmente questionando o modelo clássico da fotografia encontrada nos jornais da época. Já em meados dos anos dois mil Daniel passou a se dedicar a fotografia corporativa, segmento aonde obteve grande sucesso, nesse período seu telefone não parava de tocar, tanto para o trabalho, como também amigos que o chamavam para festas, viagens e todo tipo de diversão.

Dois grandes fotógrafos de conflito: Severino Silva e Daniel Cruz em incursão na comunidade da Mangueira.
No início dessa década, o fotógrafo conheceu seu grande amor, a cineasta e jornalista Claudia Castelo, fato que o levou a se aproximar das realizações audiovisuais do cinema brasileiro. Claudia, uma afiadíssima montadora, o ensinou a editar e lhe passou os conceitos iniciais da montagem dialética. Juntos criaram a iniciativa chamada “Câmera Aberta”, com intuito de produzir para cinema e fundamentalmente também para o cada vez mais crescente segmento de realizações voltadas para internet. Ocorre que o canal é contemporâneo às jornadas insurrecionais iniciadas em junho de 2013. As sucessivas agressões policiais e as mentiras deslavadas publicadas pela mídia corporativa fizeram que Daniel e Claudia, intuitivamente, assim como outros realizadores, abandonassem a ideia de segurar o material para um documentário, passando em vez disso há publicar as imagens logo após os fatos ocorridos na manifestação, ou no máximo no dia seguinte a ela, essa descrição de fatos é um lugar comum no surgimento dos principais coletivos que fazem parte da movida “Midiativista”, movimento que veio revolucionar a comunicação social nesse país.
Vídeo realizado por Daniel e Claudia ainda no Câmera Aberta:
Após uma manifestação, já em Julho de 2013, Daniel e Claudia decidiram passar a integrar o Coletivo Mariachi, após convite realizado pelo seu fundador, o “Anarco Buda”. A página do coletivo vinha postando matérias com grande sucesso em seus canais no Youtube e no Facebook, após a entrada de Daniel e Claudia o coletivo explodiu nas redes”. A consolidação do Mariachi se deu bem no início, os churrascos que ele promovia e os encontros para realizar edição, articularam um grupo de pessoas que foi as ruas construir o público e a credibilidade das mídias independentes, porém muito mais do que isso, o que fica do Dani é sua coragem em momentos difíceis e seu grande coração“.” Gustavo Henrique Dopcke, representante do Coletivo Mariachi em fala proferida no evento.
Uma forte motivação social era percebida em seus vídeos:
Daniel Cruz realizou diversos trabalhos dentro do Mariachi, principalmente na parte de vídeos, área que é chamada carinhosamente pelos midiativistas de “Cinema Ligeiro”. Sua obra nesse segmento absorveu a narrativa bem humorada, direta, cheia de planos sequência, marcantes cartelas e fades pretos, empreendida pelo fundador do coletivo e acrescentou um charme e uma ironia totalmente carioca, como é possível ver no vídeo viral em que ele espinafra o ex-prefeito Eduardo Paes.
Eduardo Paes e sua Portela:
O processo de construção estético político das chamadas novas mídias criadas no Rio de Janeiro a partir de 2013, como MIC, Vinhetando, Linhas de Fuga Audiovisual, 2V, RIA e também o Mariachi é atualmente objeto de estudo de diversos centros de ensino no mundo globalizado, podendo ser citados como exemplo as universidades de Berlin, Toulouse, UERJ, UFSC, Museu Nacional e etc. Porém, necessário se faz ressaltar, que o papel e a responsabilidade de Daniel Cruz nisso são evidentemente latentes, não apenas pelo seu talento e capacidade, certamente muito mais pela sua figura humana sempre compromissada com as causas dos menos favorecidos.
A vida estressante do fotojornalismo, a dureza de se manter uma postura midiativista, assim como velhos hábitos excessivos adquiridos ainda na juventude, além do desgosto pelo abandono de velhos amigos da mídia levaram o “Gordo”, ainda muito jovem com 35 anos, a desenvolver uma ulceração no Pâncreas, doença que subitamente o retirou da vida para história em fevereiro desse ano. A homenagem, realizada nessa última quinta, por um grupo de amigos comunicadores reuniu gregos e troianos e até a sua antiga banda de punk rock e rockabilly, “Os Podridões” tocou na festa. O velho Dani certamente diria – Só faltou fazerem uma ciranda.
Homenagem audiovisual realizada por Diogo Lyra, fundador do Coletivo Vinhetando.
Foto de Capa: Fernanda Vicky

Artistas de diversas vertentes estiveram presentes no tributo a Daniel Cruz. Foto: Sérgio Oliveira.
O rock dos Podridões encerrou a noite. Foto: Sérgio Oliveira.
http://midiacoletiva.org/midiativistas-homenageiam-saudoso-fotografo-daniel-cruz-co-fundador-mariachi/

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