8 de dez de 2012

Obras de Niemeyer em Brasília ajudaram a atrair mais turistas nos últimos anos


 
Criações de Oscar Niemeyer são o principal atrativo da capital do país. Imagem do Palácio Nereu Ramos, Congresso Nacional,  inaugurado em 1960 e tombado pelo  Iphan em 2007, quando Niemeyer completou 100 anos. Foto: ABr./Arquivo
Correio Braziliense
Publicação: 07/12/2012 09:42Atualização: 07/12/2012 11:29
Criações de Oscar Niemeyer são o principal atrativo da capital do país. Imagem do Palácio Nereu Ramos, Congresso Nacional, inaugurado em 1960 e tombado pelo Iphan em 2007, quando Niemeyer completou 100 anos. Foto: ABr./Arquivo
Para quem trabalha com turismo em Brasília, não há dúvida: as criações de Oscar Niemeyer são o principal atrativo da capital do país. Não há quem venha a passeio ou a trabalho que resista à beleza da arquitetura em estilo moderno concentrada principalmente no Eixo Monumental. Ali estão a Torre de TV, a Catedral, o Congresso Nacional, os palácios da Justiça e do Planalto e o Museu Nacional, pontos mais visitados da cidade.


Nos arredores desses edifícios floresce uma economia formal, conduzida por profissionais do trade turístico e também a informal, fonte de sustento de ambulantes e de suas famílias que vivem da venda de souvenirs cujos desenhos imitam as linhas curvas do arquiteto. Todos os anos, cerca de 2,6 milhões de pessoas desembarcam no aeroporto Juscelino Kubitschek. Dessas, um milhão vem fazer turismo de negócios, de eventos ou simplesmente conhecer a arquitetura da cidade. Os dados estão no projeto de desenvolvimento integrado do turismo no Brasil, da Barcelona Media. A estimativa é que cada turista deixa por aqui uma média de R$ 290 por dia.

A Secretaria de Turismo do DF não tem estatísticas do setor, mas a Barcelona Media avalia que no Centro-Oeste (GO, DF, MS e MT) as atividades turísticas geram R$ 5,04 bilhões e mantêm 112 mil empregos formais, ante R$ 127 bilhões registrados em todo o país. Segundo o secretário de Turismo do DF, Luís Otávio Neves, a arquitetura é central para o segmento de turismo de lazer. “Niemeyer é o grande chamamento para nossa cidade. Ele coloca Brasília no cenário internacional, temos o maior acervo de obras dele. Recebemos grupos de arquitetos de várias partes do mundo para conhecer as obras”, afirma.

As palavras do secretário são confirmadas pelo arquiteto norte-americano Jonathan Hickerson, 30 anos, que em depoimento ao Correio há dois meses mostrou sua admiração pelo mestre Oscar: “Tudo isso que estou vendo aqui aprendi na faculdade, e é muito diferente de tudo que eu já vi”. O negócio de Niemeyer era criar beleza. Preencher os grandes espaços vazios com “prédios em escala monumental”, como ensina o professor Neio Campos, diretor do Centro de Excelência em Turismo da UnB. Para ele, o fato de a cidade ter conquistado o título de patrimônio cultural da humanidade contribui para aumentar a curiosidade de outros povos.

Em 2008, cerca de 29.485 mil estrangeiros vieram conhecer os monumentos que projetaram Brasília no mundo. Até outubro deste ano, foram 63.384, o que representa acréscimo de 114% considerando o balanço parcial. Entre 2010 e 2011, quando as empresas aéreas internacionais apostaram em voos diários para cá, o aumento foi de 67,1%.
O turismo brasiliense poderia ser mais robusto, mas enfrenta problemas de continuidade, segundo especialistas do setor. “Cada secretário da área cria um roteiro novo, o que dificulta a consolidação do produto e a fidelização do público consumidor”, observa Delfim da Costa Almeida, secretário Executivo do Brasília Convention Visitors Bureau (BRC&VB). “Já tivemos o roteiro Niemeyer, que passou a se chamar Arquitetônico para incluir obras de outros profissionais reconhecidos, como Alexandre Chan, idealizador da Ponte JK. Mas, mesmo com a generalização, as edificações do Niemeyer é que despontam, são a estrela explorada por todas as agências de turismo”, afirma.

Delfin diz também que é preciso melhorar a infraestrutura de alguns locais, como a torre digital: “hoje os guias se constrangem em levar os turistas até lá devido à falta de lanchonetes, bares, banheiros”. Mesmo assim, cerca de cinco mil brasilienses frequentam o local todos os fins de semana.

Brasília rende homenagens ao homem que a tornou bela. Não se pode esquecer de citar também Lúcio Costa, Athos Bulcão e Burle Marx como parceiros da construção da cidade do futuro no presente. Juntos, eles fizeram uma obra que se sustenta pela beleza, longe do mar e das montanhas, destinos turísticos tão comuns. O trade turístico reconhece isso. E os ambulantes, com suas simpáticas quinquilharias, agradecem.

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