4 de abr de 2015

CAU/RO lidera campanha para recuperar forte militar do século XVIII. as margens do rio Guaporé


Obra histórica em Rondônia terá sua arquitetura original restaurada. Conselho vai fornecer orientação técnica e ajudar na coleta de apoios financeiros


Portão principal do Real Forte do Príncipe da Beira (imagem atual sem a ponte, que foi substituída pela escada).

O Real Forte Príncipe da Beira foi construído em 1776 pela Coroa Portuguesa às margens do Rio Guaporé, próximo à fronteira com a Bolívia. Está nos limites do município de Costa Marques, em Rondônia, administrado pelo Exército e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Seu objetivo era consolidar o comando português em uma área de difícil acesso da floresta amazônica, a 220m acima do nível do mar.

A restauração completa de sua arquitetura original será realizada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Rondônia (CAU/RO), a partir de uma campanha de arrecadação de recursos por meio da Lei Rouanet e da mobilização junto à população do Estado. Será criada uma conta específica para a verba destinada a esse projeto. O CAU/RO não aplicará recursos próprios na restauração. Todo o trabalho será fiscalizado pelo Iphan e apoiado pelo Exército.




Praça interna contendo edificações de armazéns, oficina da guarda. casas de oficiais, capela, casa de guarda, calabouços e cisterna.

“A reabilitação desse monumento representará um novo conceito dentro da capacidade dos arquitetos de todo este nosso Brasil”, disse o presidente do CAU/RO, João Alves de Lacerda. No dia 24 de janeiro, presidentes e conselheiros dos CAU de todo o Brasil presentes à 8ª Reunião Plenária Ampliada do CAU/BR se comprometeram a apoiar a iniciativa do CAU/RO. Em 31 de janeiro, o presidente do CAU/BR esteve em Rondônia para acompanhar o lançamento do projeto.

Um das contribuições será angariada junto ao Ministério da Cultura de Portugal. Por meio do acordo de cooperação entre o CAU/BR e a Ordem dos Arquitectos daquele país, serão solicitados os projetos originais do forte, hoje no arquivo histórico do governo português.

“Trata-se de uma obra ímpar da arquitetura militar portuguesa no Brasil. O forte foi construído para rechaçar invasões de outras nações, e hoje esse restauro pretende torná-lo uma atração turística, para brasileiros e estrangeiros”, disse o presidente do CAU/BR, Haroldo Pinheiro.
 

ARQUITETURA E HISTÓRIA – O Real Forte Príncipe da Beira é uma quadrado com 970m de perímetro, com muralhas com 10m de altura. Seus quatro baluartes são armados com 14 canhoneiras cada um. Como nos castelos medievais, era cercado por um fosso profundo. O acesso se dava por meio de uma ponte elevadiça que conduzia a um portão com 3m de altura. No interior, existiam 14 quartos, mais capela, armazém, depósitos e celas. Sua cor avermelhada deve-se ao uso de pedras de canga laterítica, abundante na região.

Foi abandonado logo após a proclamação da República, sendo saqueado e tomado pela floresta. Em 1914, foi reencontrado pelo Marechal Rondon, que retornou em 1930 para instalar ali o Contingente Especial de Fronteira do Forte Príncipe da Beira, que, em 1954, teve a sua designação mudada para 7º Pelotão de Fronteira. Em 1950, foi tombado pelo Iphan.

Segundo o historiador Abnael Machado de Lima o forte, com sua imponência em meio à floresta, representava a força e o poder do colonialismo português. Uma monumental praça bélica de resistência militar para marcar a soberania portuguesa – e depois brasileira – na região. “Era a ostentação da dominação”, escreveu Abnael no livro História do Real Forte Príncipe da Beira – 236 anos.
http://www.caubr.gov.br/

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