24 de jul de 2015

Dívida dos EUA chega a 60 bilhões de dólares e duplica em 12 anos

Em apenas 12 anos, a dívida dos Estados Unidos reproduziu-se à razão de 6.950 milhões de dólares diários, ou 5 milhões de dólares por minuto. Por Marco Antonio Moreno, El Blog Salmón

Dívida pública e privada dos EUA 1966-2014
A dívida dos Estados Unidos atingiu um novo recorde e supera os 60 biliões de dólares demonstrando que os norte-americanos não aprenderam nada com a crise de 2008. De acordo com os dados da Reserva Federal de St. Louis, em dezembro de 2013 os Estados Unidos acumulavam 59,4 biliões (trillions) de dólares de dívida, incluindo 17 biliões de dólares em dívida pública. Com esta cifra, os Estados Unidos contribuem com mais da quarta parte da carga mundial da dívida que é estimada em 240 biliões de dólares. Desde o estouro da bolha "pontocom", no início do milénio, a dívida duplicou. Em finais do ano 2001, a dívida chegava a 29 biliões de dólares, como mostra o gráfico, quando hoje ascende aos 60 biliões de dólares. Assim, em apenas 12 anos, a dívida dos Estados Unidos reproduziu-se à razão de 6.950 milhões de dólares diários, ou 5 milhões de dólares por minuto.
Ainda que grande parte da expansão da dívida pública dos Estados Unidos seja fruto do colossal gasto bélico que significou a guerra de Iraque (5 biliões de dólares nos primeiros dois anos), a outra parte do descomunal endividamento é um produto direto da crise desencadeada no ano 2008. Nessa altura, a Reserva Federal inundou os mercados financeiros para atrasar o colapso do sistema financeiro mundial. Antes da crise, a Reserva Federal tinha no seu balanço mais de 800 mil milhões de dólares em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Em apenas três anos, o balanço da Fed elevou-se para 4,3 biliões de dólares em títulos do Tesouro. E a Fed continua a comprar, mês a mês, títulos no valor de 35 mil milhões de dólares.
Dívida privada: quase 4 vezes a dívida pública
No entanto, o maior aumento da dívida corresponde ao setor privado, de empresas e de consumidores manifestamente insolventes, que multiplica por quatro vezes a dívida pública. O forte crescimento da dívida pessoal permite prever uma recessão no futuro, mais claramente que o aumento da dívida pública, os desequilíbrios comerciais ou outros fatores. Nos últimos três anos, a dívida individual aumentou 22%, atingindo no passado mês de abril um recorde histórico de 3,8 biliões. Metade dos cidadãos vive mês a mês e sem nenhum tipo de reserva financeira. A revista Time informou que 56% dos norte-americanos vivem de um crédito subprime, e que 44% dispõem de menos de 6 dólares de poupança para enfrentar dificuldades.
As características do mercado de bens de raíz segue uma via semelhante à crise subprime de 2008, e mais da metade dos proprietários não pode pagar os seus créditos hipotecários, como informa o MarketWatch. Muitos proprietários deixam, além disso, a sua propriedade em garantia para obter novos empréstimos de consumo, dado que o salário não chega para cobrir as suas necessidades. A isto é preciso acrescentar a bolha dos empréstimos estudantis que atingem 1,08 biliões de dólares, como informou a Fed de Nova York. Deste valor, 124.300 milhões de dólares encontram-se em situação de não-pagamento e com uma morosidade (atraso do pagamento) que supera os 120 dias.
A geração jovem é a mais afetada pelo peso da dívida dos Estados Unidos. Um da cada quatro jovens entre 22 e 33 anos sente-se esmagado pela sua parcela de dívida, como informou a CNN numa reportagem. Cada um deles gasta mais de metade dos seus rendimentos com o pagamento dos cartões de crédito, da hipoteca ou dos empréstimos estudantis.
Este gráfico mostra-nos a evolução histórica da variação da dívida dos Estados Unidos.
Taxa de variação da dívida dos Estados Unidos 1952-2014
A dívida aumentou de forma sustentada desde o início dos anos 50 até à sua explosão em meados dos anos 80 pela "repressão financeira" iniciada por Paul Volcker a partir da Reserva Federal. Estas fortes medidas de restrição de crédito – através das taxas de juros – provocaram a década perdida da América Latina. E tal foi a repressão a nível global que a velocidade de variação do crédito baixou de 17,44% de meados dos 80 para menos de 5% no início dos 90, quando já Alan Greenspan tinha substituído Paul Volcker no comando da Fed.
Com Greenspan, a expansão do crédito voltou a aumentar a uma velocidade de 10 por cento, caindo a pique de julho de 2007 a janeiro de 2010 (período de Bernanke) de 11% a -1,5%. A partir de 2010, a evolução do crédito ampliou-se sem parar, e mesmo estando ainda em níveis que não chegam aos dos anos 80, as características dessa economia são hoje muito diferentes. Os Estados Unidos já não são o motor da economia mundial e os seus atuais níveis de investimento, de emprego e de desenvolvimento estão nos antípodas do que eram há 50 anos, quando os Estados Unidos impunham a seu hegemonia como a primeira potência do planeta.
Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.ne
Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net

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