30 de nov de 2015

Ingarikó-RR- cruzam a fronteira para discutir turismo com os Pemon do Monte Roraima na Venezuela

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O território Ingarikó, Wîi Tîpi, está situado na porção setentrional da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, uma região de impressionante beleza natural que tem, cada vez mais, chamado a atenção de turistas. Seus principais atrativos são as trilhas e cachoeiras no entorno da Serra do Sol, a possibilidade de dormir ao pé do Monte Roraima na aldeia Karamanpak tëi e o acesso ao Monte Caburai, extremo norte do Brasil.Fonte Instituto Socio Ambiental, texto e fotos
Ainda que as poucas e intermitentes visitas turísticas no território Wîi Tîpi tenham motivado alguns ingarikó a se qualificar em cursos técnicos de turismo oferecidos pelo Instituto Federal de Roraima (IFRR), tais experiências anteriores desencadearam problemas e imprevistos que culminaram na suspensão temporária da entrada de turistas na região. Na última Assembleia extraordinária do Conselho do Povo Indígena Ingarikó (Coping) ficou decidido que a atividade turística só deveria acontecer depois que estivesse melhor organizado.
Com a recente Instrução Normativa (IN) 03/2015, divulgada em julho pela Funai, que regulamenta o turismo em Terras Indígenas, a expectativa é de que os Ingarikó tenham maior segurança jurídica para ordenar o turismo em seu território. A IN estabelece que o turismo pode acontecer somentes se for proposto por indígenas, suas comunidades indígenas ou organizações representativas, portanto de base comunitária, visando a promoção e a valorização da sóciobiodiversidade e a geração de renda indígena, mediante a apresentação de um Plano de Visitação a ser aprovado pela Funai.
Buscando compreender melhor os impactos e os benefícios da atividade, os Ingarikó visitaram as comunidades Pemon Kuramakapay e Paraitepuy, ambas situadas próximas ao Monte Roraima, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela. A comissão Ingarikó foi recebida por autoridades indígenas e do estado venezuelano, que explicaram como funciona o turismo na região, os desafios ligados ao relacionamento com as operadoras de turismo, a influência dos valores e costumes ocidentais nas comunidades, a dificuldade de controlar o acesso ao Monte Roraima e os problemas relacionados à destinação do lixo deixado pelos turistas. Foram mencionados também os benefícios trazidos com a geração de renda por meio de venda do artesanato, dos restaurantes e hospedagens nas comunidades indígenas e o pagamento aos guias e carregadores. Muitas pessoas enfatizaram a importância da atividade como alternativa ao garimpo, que cresceu muito na região nos últimos anos.
O intercâmbio foi favorecido pelo fato de que os Pemon visitados e os Ingarikó, que fazem parte do povo Kapon, partilham uma história e cultura comuns, e estão localizados nas áreas protegidas Parque Nacional Canaima e Parque Nacional Monte Roraima. Promovido pelo Coping entre 24 e 26 de outubro, contou com o apoio e assessoria do Instituto Socioambiental. Durante a Assembleia Anual, que ocorrerá neste mês de novembro, os Ingarikó irão compartilhar a experiência e traçar diretrizes sobre a atividade.
Ana Paula Souto Maior, Estêvão Benfica e Virgínia Amaral
ISA
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