15 de jul de 2016

As contas na Suíça do homem forte de Serra -Por Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual

As contas na Suíça do homem forte de Serra
Por Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual:

Surge um novo personagem nas negociações das delações premiadas das empreiteiras com a Operação Lava Jato: Márcio Fortes, um dos fundadores do PSDB, ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro – não confundir com o ex-ministro das Cidades do governo Lula. Tesoureiro de campanha eleitoral, ele seria um dos arrecadadores do agora chanceler interino José Serra junto aos empresários, donos de construtoras. A repercussão das citações deixou o tucanato, além de preocupado, em alerta. Tanto é que Serra se apressou em contratar uma assessoria jurídica só para se dedicar ao tema, além de consultar mais advogados sobre o assunto.

Fortes deixou a Câmara dos Deputados em 2007, ao final da legislatura. No mesmo ano, foi nomeado tesoureiro do PSDB, voltando a ocupar um cargo na executiva nacional do partido. Convidado pelo então governador José Serra, assumiu a presidência da Empresa de Planejamento Metropolitano de São Paulo (Emplasa).

Em 2002, a fiscalização da Receita Federal encontrou notas fiscais frias na prestação de contas da campanha tucana à Presidência da República, quando Serra foi o candidato do PSDB. O valor das notas, emitidas por duas empresas – uma fantasma e outra, considerada inidônea, somaram R$ 1,144 milhão.

Uma delas, a Marka Serviços de Engenharia, estava desativada desde 1996 e pertencia a Márcio Fortes, o arrecadador de campanha de Serra, que era secretário-geral do PSDB desde 1999, cargo que ocupou até 2003.

A outra empresa, a Gold Stone Publicidade e Propaganda, aparece nos registros como tendo sido aberta em 1996, mas nunca existiu fisicamente. A Receita nunca conseguiu localizar o endereço declarado como sede da empresa, que nunca recolheu um único centavo de imposto. Apesar disso, a empresa mantinha conta bancária e foi autuada também por ter obtido receita sem origem comprovada.

Como punição pela utilização de notas frias, o PSDB teve sua imunidade tributária suspensa e foi autuado em R$ 7 milhões. Se chamado a se explicar sobre as empresas fantasmas, nem Serra nem o próprio Fortes, terão como alegar que de nada sabiam.

Além da proximidade comprovada com José Serra, Fortes também está implicado em outro "cabeludo" episódio pouco louvável da política nacional. Em 2002, ele foi formalmente acusado pelo PFL, hoje DEM, de contratar arapongas para investigar a então governadora Roseana Sarney (MA), à época potencial candidata à presidência.

Quem sabe, se chamado forem por Moro e seus procuradores, os dois tucanos tenham de explicar um caso mais recente: o chamado Swissleaks, de 2015, que por aqui ganhou o nome de Suiçalão.

Pois Márcio Fortes apareceu na lista de correntistas do HSBC na Suíça vazada por um ex-funcionário do banco e que deu origem ao escândalo de escala mundial. A lista de políticos foi divulgada no ano passado pelo portalUOL.

Marcio Fortes, que fora do PSDB é empresário da construção civil, presidiu a João Fortes Engenharia, construtora criada e que carrega o nome de seu pai, em 1950, abriu duas contas da lista em 1991, quando presidia o Banerj, banco estatal fluminense. Elas foram encerradas em 2003 e 2004, mas nenhuma delas foi incluída nas declarações de bens entregues ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) em 1998, quando se elegeu deputado.

Fortes ainda aparece na lista como proprietário de uma terceira conta no HSBC suíço. Em 2006, quando concorreu a deputado federal pelo PSDB fluminense, sua conta, identificada como “Aframfran Holdings Limited”, tinha um saldo de US$ 2,413 milhões. Mas não aparece na declaração de patrimônio que o tucano entregou à Justiça Eleitoral.

Em 2010, ele concorreu ao cargo de vice-governador do Rio na chapa encabeçada por Fernando Gabeira (PV). À Justiça Eleitoral, o tucano comunicou que tinha na época um patrimônio de R$ 4.442.412,71, sendo 13 imóveis, um carro e R$ 117.342,03 na Caixa Econômica Federal. Novamente, o tucano não declarou possuir conta no HSBC.

Será que desta vez haverá investigação?


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