28 de set de 2016

Principal acusador de Lula está envolvido em esquema com facção criminosa no Acre - midianinja - Tião Vitor de Rio Branco-AC

 

Principal acusador de Lula está envolvido em esquema com facção criminosa no Acre

Por Tião Vitor, de Rio Branco
Major Rocha foi o autor da representação contra o ex-presidente Lula acusando-o de ser o proprietário do tríplex de Guarujá
A prisão de dois importantes assessores do deputado federal Wherles Fernandes da Rocha (PSDB/AC), o Major Rocha, coloca o parlamentar no meio de um escândalo que pode ligá-lo à organização criminosa Comando Vermelho. Os dois assessores são Mariceudo Silva do Nascimento e sua esposa Érika Cristina de Oliveira Souza.

Rocha fez representação contra o ex-presidente Lula no caso do triplex do Guarujá, no último dia 30 de abril, aceita pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.

Mariceudo é considerado o braço direito do bandido conhecido como Paulinho Calafate, o principal líder do Comando Vermelho no Acre. Érika é nomeada no cargo de Secretária Parlamentar, nível SP04, no gabinete do parlamentar acreano. Mariceudo também trabalha para Rocha, mas sem nomeação na Câmara dos Deputados.
Os dois foram presos juntamente com outras 63 pessoas na Operação Êxodo, desencadeada pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira, 15, em Rio Branco e em Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade do Estado. Todos são pessoas acusadas de ligação com o crime organizado e de praticar roubos, homicídios, tráfico de droga, associação para o tráfico, associação criminosa, além de ataques contra patrimônios no Acre.
De acordo com o secretário de Segurança Pública do Acre, delegado Emylson Farias, as prisões são resultado de mais de um ano de investigações. Na fase desta quinta-feira, nove delegados e 150 agentes de polícia atuaram no cumprimento de 95 mandados de prisão e de busca e apreensão.
“Nos últimos 40 dias já são quase 500 pessoas presas por conta das operações realizadas pelos órgãos de segurança. Sempre tenho dito que isso faz parte de um plano operacional efetivado de forma positiva. Nessa operação foram efetuadas 63 prisões e 32 mandados de busca em Rio Branco e Cruzeiro do Sul. Todos os envolvidos ordenavam execuções, ameaças a autoridades, roubo e tráfico de drogas - alguns do alto escalão e outros na parte de execução. Essa é uma ação forte de Estado que tem mostrado capacidade de força contra as organizações criminosas. Essa operação ainda vai ter inúmeros desdobramentos”, disse o secretário.
O homem que deu contrato para membros do Comando Vermelho na Câmara dos Deputados é major da reserva da Polícia Militar. Foi sob o seu comando no batalhão da PM da cidade de Sena Madureira, localizada a 144 quilômetros de Rio Branco, que se desenvolveu um dos crimes mais hediondos do Estado: a morte da estudante Luziene Queiroz, de 17 anos.
Ela foi estuprada, teve a garganta cortada à faca e o seu corpo foi abandonado em um terreno baldio ao lado da escola onde estudava, no centro de Sena Madureira, em maio de 1999.
Três jovens agricultores foram presos e acusados pelo crime. Embora houvessem provas de que eles estavam longe da cidade naquele dia, foram torturados por dias até que confessassem a autoria do homicídio.

As torturas teriam acontecido pela PM comandada por Rocha.

Ele próprio teria participado de diversas sessões de tortura. Em novembro de 2001, os três jovens foram considerados inocentes, mas isso não evitou que o pai de um deles se suicidasse de desgosto por ver o filho preso injustamente e nada poder fazer.
Em outro caso mais recente, Rocha foi acusado de várias irregularidades quando presidia a Associação dos Militares do Acre (AME), entre elas, de ter comprado um veículo em seu nome com recursos da instituição.

Rocha também é suspeito de proteger o irmão Jemmy Web Fernandes da Rocha, que é assaltante com extensa ficha criminal, inclusive, por assalto a banco.

No caso atual, o envolvimento de Rocha com os dois assessores membros do Comando Vermelho não se dava apenas em nível profissional. O parlamentar é amigo pessoal do casal Mariceudo e Érika e participou de vários eventos sociais na casa dos suspeitos.
Rocha nega conhecer envolvimento de assessores com o crimeEm nota divulgada na manhã desta quinta-feira, o Major Rocha reconheceu ter ligações com Mariceudo e Érika. Garantiu que ambos prestam serviço para ele desde 2014, quando trabalharam nasua campanha para deputado federal, mas diz desconhecer que tinham ligações com o crime organizado.

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