22 de nov de 2016

Pacifistas da Índia: Brics corre riscos com Modi e Temer


21 de novembro de 2016 - 18h28 

Pacifistas da Índia: Brics corre riscos com Modi e Temer


Nara Singh, Inácio Carvalho, Nolitpal Basu e Rubens Diniz (dir. para a esq.)Nara Singh, Inácio Carvalho, Nolitpal Basu e Rubens Diniz (dir. para a esq.)
"A Índia tem passado por um processo de recrudescimento do neoliberalismo", afirmou Nolitpal Basu, secretário-geral da Organização pela Paz e Solidariedade da Índia em entrevista concedida ao Portal Vermelho.

"A Índia é um país fortemente diversificado, com etnias e religiões diferentes, e a classe dominante usa isso para aprofundar a dominação que exerce", afirma Basu.

O grupo político no poder atualmente, de direita, utiliza as fissuras na sociedade, tanto religiosas quanto étnicas, para ampliar o domínio que tem sobre a população.

"O atual premiê do país, Narendra Modi, é próximo dos Estados Unidos, o que mudou bastante a forma como as elites indianas procedem. Hoje, apesar de termos um governo de direita, a aproximação com os Estados Unidos fez com que os conflitos entre a burguesia fossem amenizados, mas a situação do povo não teve mudanças para melhor", diz Basu.

"No plano internacional, essa aproximação rendeu uma melhoria nas relações com os vizinhos, que são apoiados pelos EUA, mas isso não significa que a população esteja vivendo melhor", destaca.

"O que aconteceu foi a ampliação das lutas sociais, por causa do recrudescimento do neoliberalismo". Basu conta que as religiões presentes no país são usadas pela elite dominante como vetores de dominação e de submissão.

"A luta contra a injustiça social, contra o imperialismo, contra o autoritarismo do Estado é, hoje, bem mais intensa que no passado", conta Nara Singh, vice-presidente da associação Médicos da Índia pela Paz e pelo Desenvolvimento e também vice-presidente da Organização de Paz e Solidariedade da Índia.

"No dia 2 de setembro mais de 16 milhões de trabalhadores cruzaram os braços em toda a Índia, em uma ampla demonstração de insatisfação com os rumos da economia do país, determinados agora pelo partido de Narendra Modi, que é supervisionado de perto pelos EUA", conta Singh.

Sobre a participação do país no Brics, grupo que reune a Índia com o Brasil, a China e a Rússia, tanto Basu quanto Singh consideram que agora, com Modi e Temer na presidência de Índia e Brasil, o papel do Brics tende a ficar em segundo plano.

"Fundado para ser uma alternativa à unipolarização criada após o fim do bloco socialista, o Brics agora tem dois países governados por neoliberais, que não estão perdendo tempo em sabotar as iniciativas tomadas no grupo no passado, agindo a favor do imperialismo estadunidense", denuncia Basu.

Nolitpal Basu e Nora Singh estavam acompanhados por Rubens Diniz, assessor de Luciana Santos, presidenta do PCdoB, e foram recebidos na redação do Portal pelo editor Inácio Carvalho e sua equipe.


Do Portal Vermelho

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