25 de jan de 2017

Por que Fittipaldi faria campanha por mais riscos nas marginais? Editor Público é público. Privado é privado, será que dá para entender.

POR QUE A PRESSA?

Por que Fittipaldi faria campanha por mais riscos nas marginais?

Acidentes de trânsito são a maior causa de paraplegia. Isso faz do marketing de Doria, ao posar de cadeirante, um gesto de ignorância e hipocrisia. E da participação do ex-piloto na campanha, contradição
por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 23/01/2017 14h35, última modificação 24/01/2017 10h41
PÁGINA DA FIA E REPRODUÇÃO/TWITTER
FIA
Fittipaldi está em campanha da FIA sobre direção segura. Mas Doria o quer em campanha por mais velocidade
O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), segue em sua agenda para distrair a plateia com muito marketing e pouco governo. Depois de prometer, durante a campanha eleitoral, doar seu salário para uma “associação de crianças defeituosas” e causar polêmica ao cogitar extinguir a Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Doria andou de cadeira de rodas neste domingo (22) para tentar simular problemas que os cadeirantes costumam enfrentar na capital.
A preocupação, sem marketing e sem demagogia, com políticas públicas para pessoas com deficiência é necessária. São Paulo é a cidade com maior número de cadeirantes; apesar de haver soluções de acessibilidade em muitos pontos da cidade, a dificuldade ainda é muito grande principalmente na periferia – onde o marqueteiro Doria não chegou ainda.
Mas um dos pontos que torna a preocupação do prefeito os cadeirantes demagogia pura é a decisão de aumentar os limites de velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros. Segundo dados do IBGE, os acidentes de trânsito são a maior causa de paraplegia.
Para convencer os paulistanos que velocidades nas marginais da capital paulista não causam acidente ou morte, o tucano Doria contratou o bicampeão de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi como garoto-propaganda. O mesmo Fittipaldi, embaixador em programa da Federação Internacional de Automobilismo que pede redução de velocidade (FIA). E que em 2012 foi ao Palácio do Planalto, junto com o presidente da FIA, Jean Todt, e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, para apresentar à presidenta Dilma Rousseff uma campanha pregando internacionalmente a segurança no trânsito, com redução de velocidade em grandes cidades.
“Desde seu lançamento em 2011, a campanha FIA Action for Road Safety tem sido entusiasticamente festejada pela comunidade do automobilismo e por figuras conhecidas, como Lewis Hamilton, Sebastian Vettel, Emerson Fittipaldi, Michael Schumacher, Sébastien Loeb, Yvan Muller e Monisha Kaltenborn, que têm firmemente dado apoio à mensagem (…)”, diz Fittipaldi na campanha publicitária publicado pela própria FIA em seu site oficial. Segundo a campanha, “uma redução de 5% da velocidade média diminuiria o número de acidentes fatais em 30%”.
“Como piloto de F1, e ainda mais agora como campeão do mundo, sinto que tenho a responsabilidade de promover uma condução segura fora da pista”, declara à campanha o piloto da Mercedes Lewis Hamilton.
A contradição de Emerson Fittipaldi pode levantar suspeitas: à prefeitura paulistana, Emerson deve mais de R$ 50 mil em IPTU. Estaria Fittipaldi fazendo propaganda em troca do perdão? Na sexta-feira (20), o juiz Luiz Manuel Fonseca Pires, da 4ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo, proibiu o aumento de velocidade nas marginais.
“Quando programas políticos provocam resultados estatísticos favoráveis, tornam-se precedentes administrativos que só podem ser modificados com estudos e substancial fundamentação, afirmou o Fonseca Pires, ao conceder liminar em ação movida por entidades da sociedade civil, entre elas a associação Ciclocidade. Segundo ele, em seu despacho, a redução da velocidade encontra-se em um contexto de política pública relacionada à mobilidade urbana e que resultou em “acentuado declive dos casos de morte”, e para alterá-lo é necessária “fundamentação contextualizada” das razões pelas quais a política deve ser interrompida”, como entendeu o juiz.
Confusão do público com privado.
Depois de se vestir de gari, prestar zeladoria, plantar árvores e atacar Lula... Doria pede verba a empresários por “almoço-debate” do próprio prefeito. Presidente do grupo empresarial Lide, João Doria está pedindo contribuições de empresários para organizar uma palestra. Mas, conforme informou na quinta-feira (19) a Folha de S.Paulo, o palestrante é o próprio Doria.
O tema da palestra? “O impacto de uma gestão eficiente na cidade de São Paulo.” Os presidentes das empresas que pagarem uma cota de “copatrocínio” de R$ 50 mil terão direito de se sentar à mesa principal com o prefeito.
O curioso é que quem está à frente do Lide agora, com a ida de Doria para a prefeitura de São Paulo, é Luiz Fernando Furlan, o mesmo que foi ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no governo Lula. Ou seja: as palestras de Lula – a quem Doria chamou de maior “cara de pau” do Brasil – são criticadas e frequentemente alvo de suspeitas. Mas Doria prossegue com as suas, e ainda chama um ex-ministro de Lula para estar à frente da instituição que promove e arrecada para suas palestras.
Pega bem essa espécie de “ação entre amigos”?https://draft.blogger.com/blogger.g?blogID=29301349#editor/target=post;postID=8935683679312806647

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