9 de fev de 2017

Combate à corrupção não pode destruir economia, diz professor

30 de janeiro de 2017 - 16h06 

Combate à corrupção não pode destruir economia, diz professor


  
"O combate à corrupção no Brasil se dá sem preservar o ativo, que é do país e não apenas do acionista, que é a empresa", disse o professor, doutor em Economia pela Unicamp.

Na esteira do combate à corrupção, a Lava Jato tem deixado, de fato, um rastro de destruição na economia brasileira, em especial na cadeia produtiva de petróleo e gás: obras paralisadas, corte de investimentos e muitas, muitas demissões.

Segundo dados da consultoria Tendências, da queda de 3,8% do PIB (Produto Interno Bruto) de 2015, 2 pontos estariam relacionados aos prejuízos acarretados pela operação. Houve quem falasse em 2,5 pontos percentuais. A maioria das consultorias calculou um impacto de cerca de 120 bilhões de reais na economia.

“O que nós estamos assistindo no Brasil é a destruição de ativos importantes, relevantes para o país, pelo que eles geram de impostos, de empregos, de renda para a população”, afirmou Lacerda.

O professor comparou o que acontece no Brasil à situação na Alemanha. "Lá, houve tratamento de questões recentes envolvendo grades empresas alemães, em que o executivo foi punido, a empresa pagou uma pesada multa, mas ela continuou operando (...)  Eles multaram os executivos -se o dono é executivo, será multado duas vezes -, mas o principal é manter a operação dessas empresas", disse.

Segundo ele, é preciso manter as empresas funcionando, "mediante contrapartida, regras de compliance, de governança, mas evitando um desemprego maciço, como tem ocorrido" no Brasil.

"Aliás, eu acho muito curioso, quando se diz assim: o resultado da operação Lava Jato. Houve uma recuperação de R$ 2 bilhões. Ora, você destruiu o patrimônio de trilhões, se você for ver o poder de tudo isso. Então, tem que combater a corrupção, todos nós queremos um país mais limpo, mas isso não pode ser feito às custas da destruição da economia". 

http://www.vermelho.org.br/noticia/292735-1
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