27 de abr de 2017

A CONSTRUÇÃO DO MITO “BRASIL, REINO DA CORRUPÇÃO” NA MÍDIA NACIONAL Lília Junqueira UFPB Setembro/2013

37º ENCONTRO ANUAL DA ANPOCS ST 33

 AS CLASSES SOCIAIS NO BRASIL CONTEMPORÂNEO A CONSTRUÇÃO DO MITO “BRASIL, REINO DA CORRUPÇÃO” NA MÍDIA NACIONAL Lília Junqueira UFPB Setembro/2013 A construção do mito “Brasil: reino da corrupção” na mídia nacional Lília Junqueira1

 RESUMO: O texto apresenta os primeiros delineamentos de um estudo sobre o mito presente na identidade nacional aqui denominado “Brasil: reino da corrupção”, priorizando a análise do conteúdo moral gerado pelos produtos midiáticos, deixando em segundo plano influências das questões político-industriais e mercadológicas sobre este conteúdo. Em outras palavras, pretendese fazer um estudo do mito “na” mídia (e não um estudo da corrupção “da” mídia enquanto instituição social), refletindo sobre a influência deste mito na produção e reprodução das crenças relativas à identidade nacional junto ao público, tendo em vista que a dimensão individual ainda é aquela na qual a mídia, enquanto instituição socializadora, faz seu trabalho discursivo primordial: a atualização cotidiana da estrutura social nos indivíduos. Brasil: país da corrupção A ideia de que o Brasil é um país corrupto está presente no imaginário nacional desde os primórdios da formação da identidade brasileira. Esta ideia forte tem assumido as mais diversas formas de manifestação no decorrer da nossa história, mantendo-se presente nas expressões culturais e na vida cotidiana dos cidadãos comuns. Encontra-se disseminada na literatura, no teatro, no cinema e na televisão, no jornalismo, e até mesmo em livros didáticos. O fato de ser uma percepção social arraigada na cultura comprova sua composição em termos de sentimentos, pensamentos e energias sociais que se fermentam na base de determinados tipos de ação social bastante corriqueiros, mas nem sempre justos e éticos nas relações sociais e nas interações cotidianas. Partimos do pressuposto que não é porque o país é de fato corrupto que a ação social muitas vezes é corrupta, mas sim o contrário. É pelo fato de acreditarmos piamente nesta representação medieval do 1 Professora no Departamento de Ciências Sociais da UFPB, autora do livro Desigualdades Sociais e Telenovelas, relações ocultas entre ficção e reconhecimento, SP, Annablume 2009 e organizadora da coletânea Cultura e classes sociais na perspectiva disposicionalista, Editora da UFPE, 2010. nosso país que faz com que a ação de base corrupta muitas vezes seja reproduzida mecanicamente nos termos de Bourdieu (1998,1999). A eficácia do mito do ponto de vista prático gera a doxa, tendência “a impor a imposição da ordem estabelecida como natural (ortodoxia)” (Bourdieu,1998:14). A metáfora “Brasil: reino da corrupção” é um mito. Como todo mito ela é fechada a interferências externas, isto é, ela rotiniza a ação social dentro de parâmetros lógicos estáticos definidos internamente. E por ser um mito, a tendência é a sua permanência na estrutura social, através de todo tipo de atualização possível. Acessando a sociologia do conhecimento, é importante que se pergunte: a quem interessa esta atualização? Souza (2000, 2001, 2010) em obra dedicada o aprofundamento do tema, vem desvelando a engrenagem de nossa estrutura de classes e mostrando como a ideia de país corrupto não é mais apenas a reprodução identitária negativa da estrutura de desigualdades interna ao país, mas também é válida para as relações de desigualdade entre o Brasil e os demais países. No intuito de colaborar com esta construção argumentativa, o trabalho aqui proposto visa investigar a presença e reprodução do mito do “Brasil corrupto” na mídia nacional. Esta pesquisa se insere no projeto investigativo maior intitulado: “Mídia e privilégio no nordeste brasileiro contemporâneo: como a televisão, o cinema e o jornalismo impresso interagem nos mecanismos de autolegitimação da classe média”. Trata-se de uma pesquisa interestadual (Paraíba e Pernambuco) coordenada pela autora, abrangendo empiricamente João Pessoa, Campina Grande e Recife, que trata dos acordos e comprometimentos sentimentais, lógicos, psicológicos e ideológicos entre a classe média e as instituições midiáticas no Brasil, visando trazer à tona os delineamentos da autolegitimação e da distinção da classe média nordestina através da análise do fenômeno da interação das pessoas com a mídia na vida cotidiana. A metodologia adotada é a análise da produção midiática e entrevistas em profundidade sobre disposições sociais e recepção de mídia em Recife e João Pessoa, nos moldes de Bourdieu e Lahire. Esta pesquisa regional , por sua vez, faz parte da pesquisa nacional coordenada pelo profº Jessé Souza da UFJF intitulada: " A sociodicéia do privilégio: uma pesquisa teórico-empírica sobre as classes dominantes no Brasil contemporâneo." A identidade nacional na mídia A mídia tem sido considerada pelas ciências sociais e pelas ciências da comunicação contemporâneas um espaço público do qual emergem demandas direcionadas ao funcionamento democrático das instâncias sociais do direito e da administração (Costa, 1996). A investigação que propomos leva em consideração este fato, apontando alguns argumentos teóricos e dados empíricos que dão sustentação à ideia da existência de um campo de discussão sobre a identidade nacional, gerado pela pluralidade de veículos, abrangendo a mídia como um todo. A televisão , o cinema, o rádio, a internet e seus produtos culturais característicos da América Latina e do Brasil, mantém uma forte e constante comunicação com o público na qual questões relativas à percepção, sentimento e à moral ligadas à construção da identidade nacional na sociedade brasileira são tratadas em seus produtos em pautas de ampla discussão nacional. Para trabalhar nesta abordagem é necessário priorizar o estudo do conteúdo moral gerado pelos produtos midiáticos, deixando em segundo plano (mas não descartando da análise, ou seja, conferindo indiretamente o devido peso às) questões político-industriais e mercadológicas influenciando este conteúdo. Em outras palavras, pretendemos aqui fazer um estudo do mito do “Brasil corrupto” “na” mídia (e não um estudo da corrupção “da” mídia enquanto instituição social), refletindo sobre a influência deste mito na produção e reprodução das crenças relativas à identidade nacional junto ao público, tendo em vista que a dimensão individual ainda é aquela na qual a mídia, enquanto instituição socializadora, faz seu trabalho discursivo primordial: a atualização cotidiana da estrutura social nos indivíduos. O objetivo metodológico é levantar alguns elementos indicadores da construção moral e reprodução do mito do “Brasil corrupto” no conteúdo e na criação dos produtos midiáticos, levando em consideração o contexto mercadológico e as condições técnicas de um lado, e de outro as influências de outros campos sociais, tais como os campos político, intelectual e literário nesta construção. Neste contexto, realizou-se uma investigação de como a ideia de país corrupto é construída no conteúdo da mídia nacional, tendo como variáveis principais os gêneros midiáticos e seus condicionantes externos, pensados à luz da teoria dos campos sociais de Bourdieu (2007). Gêneros midiáticos Os gêneros são “sistemas de regras aos quais se faz referência – de modo explícito ou implícito – para realizar o processo comunicativo” (Wolf apud Souza, 2004: 44) Existem miríades de concepções sobre os gêneros nas ciências da comunicação, e já é consenso nas análises de conteúdo que a intertextualidade é majoritária na expressão cultural contemporânea como um todo, em comparação à classificação por gêneros. No entanto, os consumidores e produtores continuam fazendo classificações com base nos gêneros porque são familiares e fáceis de reconhecer, organizando com base num consenso prático a compra, o consumo e a comercialização dos produtos midiáticos. (Balogh, 2005: 146) Para utilização metodológica da nossa pesquisa não entraremos na polêmica das análises semiológicas e do discurso sobre os gêneros da comunicação, adotando apenas duas categorias básicas de gênero. O primeiro: “informação” é caracterizado por conteúdo “real” ou documental, baseado em relato de fatos ocorridos na vida social e transpostos para os mais diferentes produtos tais como jornais impressos, revistas, telejornais, boletins diários, reportagens, filmes documentários, etc. O segundo: “ficção” é caracterizado por conteúdo narrativo, ou seja, são produtos criados por autores, artistas, roteiristas e publicitários, tais como literatura, filmes, telenovelas, séries, anúncios, histórias em quadrinhos, etc. A maior frequência destes dois gêneros na grade da TV, por exemplo, confere representatividade do nosso universo de pesquisa dentro da mídia nacional: GÊNEROS E HORAS TRANSMITIDOS PELA TV EM 2011 Gêneros transmitidos Horas de exibição % Informação 13 183:04 25,1 Ficção 11 243:40 21,4 Entretenimento 8 877:33 16,9 Religioso 4 965:38 9,5 Esporte 3 455:09 6,6 Educativo 317:41 0,6 Político 62:41 0,1 Outros 10 351:20 19,8 Total 52 456:46 100 Dados do anuário Obitel (Observatório Ibero-americano da Ficção Televisiva), Lopes, Gómez (orgs.), Ed. Sulina, Porto Alegre, 2012. 1.

Gênero “informação” O jornalismo no Brasil nasceu, como no resto do mundo, no contexto do surgimento de uma esfera pública. Mas a necessidade crescente de autonomia dos jornais levou à incorporação de tecnologia e a acordos comprometedores com empresas e governos, o que acabou descaracterizando a racionalidade da opinião. Do ponto de vista político, no Brasil se dá uma evolução começando pelas posições políticas de esquerda na primeira fase, censura, e surgimento de jornais de esquerda e de direita (a partir da 1ª metade do séc. XX), na segunda fase, e inserção no mercado mundial e informatização na terceira (a partir do final dos anos 70). No entanto, mesmo com todo o avanço do campo jornalístico na atualidade, o posicionamento moral dos jornais continua muito vulnerável às movimentações do campo econômico e político, de forma que o teor deste posicionamento varia conforme os períodos de alto ou baixo aquecimento do mercado capitalista, substrato essencial de toda a mídia (Bourdieu, 1997). Por isso o campo jornalístico continua lançando mão corriqueiramente dos mitos na produção das notícias. O mito é uma mensagem de compreensão instantânea, conhecida a fundo pelo senso comum, receita infalível de sucesso na comunicação. Quando o jornalismo passa por períodos de mudança profunda e é necessário aumentar a receita urgente, o mito é empregado sem pudor, enquanto recurso discursivo de eficácia simbólica, que reverte em eficácia comercial. É o que acontece nos dias de hoje em que a mídia nacional se vê pressionada entre as exigências de mais qualidade na produção para concorrência no mercado latino americano e internacional, mas ao mesmo tempo, se vê pressionada a baixar a qualidade dos produtos em termos de conteúdo para atender a mudança ocorrida na demanda interna. Esta mudança é social. Trata-se do impacto do peso da entrada de cerca de 40 milhões de pessoas no mercado consumidor de mídia nos últimos 10 anos, reconfigurando completamente o público midiático no país. Na produção do conteúdo da mídia, a consequência é a mudança do padrão social para baixo, ou seja, a mídia é obrigada a comunicar-se em grande escala com a classe mais popular, deixando de estar voltada exclusivamente para a classe média, como no passado. “O crescimento do mercado consumidor foi extraordinário em todo o setor de telecomunicações do país em 2011. O crescimento da TV paga, por exemplo, foi de 31,4%, alcançando um total de 42 milhões de pessoas ou 22% da população. Esse resultado eleva para 12,7 milhões o número de assinantes, tornando o Brasil o maior mercado de TV por assinatura da América Latina em números absolutos. Os dados positivos devem-se especialmente ao aumento do poder de compra da classe C, que passou a representar 30% dos assinantes. Como efeito desse processo de democratização havido no sistema das comunicações no país em 2011, o perfil dos assinantes da TV paga passou a ser: 43% da classe C; 26% da classe B; 24% da classe A; e 7% da classe D.” (Obitel Brasil 2012) Decorrente, entre outros, destes condicionantes sociais sobre o jornalístico, fortalecem-se, no Brasil, hoje, algumas características notáveis do fazer jornalístico nacional facilmente perceptíveis por qualquer leitor ou telespectador atento às notícias disponibilizadas nos mais diferentes veículos brasileiros, que reproduzem de forma prática o substrato favorável para a reprodução dos mitos em geral através do próprio ethos jornalístico: a. Desrespeito às fontes O forte teor jornalístico de “opinião” no qual as notícias são frequentemente ensaísticas e personalizadas, o que se justifica na crença interna e externa ao campo jornalístico do posicionamento social imparcial privilegiado dos jornalistas. Estes se veem e são vistos como pessoas portadoras de uma visão privilegiada, mais ampla, da sociedade. Na prática, há pouca pesquisa e pouco recurso é feito a quem faz pesquisa para ser fonte das notícias. No telejornalismo esse efeito mórbido da distinção social entre o jornalista (a priori “culto”) e o público (inculto) se revela na atitude dos repórteres brasileiros evitarem dar a palavra aos entrevistados durante as reportagens. O entrevistado diz duas palavras e o repórter interrompe para “traduzir” o que foi dito e em seguida desenvolve uma interpretação da informação, não deixando espaço para que o espectador tire suas próprias conclusões diante da informação dada pela fonte. Desvalorizando o discurso da fonte e valorizando o próprio discurso, os repórteres e jornalistas inconscientemente reproduzem mitos relativos à inferioridade cultural, educacional e moral da população. O tratamento das fontes é muito mais controlado no jornalismo internacional, de forma a exibir e transmitir um maior respeito com as pessoas que prestam informações aos repórteres e jornalistas, sejam eles expostos ou não ao público. b. Superficialidade e sensacionalismo Trata-se do fenômeno do jornalismo raso, condicionado pela instantaneidade da produção, obrigando o apelo aos estereótipos. O mesmo reverte frequentemente no aumento do apelo à má vulgarização científica na interpretação dos fatos e na restrição da investigação à superfície dos fatos. O aumento do apelo ao conteúdo “fácil” se acrescenta à valorização do “sensacional”, efeito traduzido, por exemplo, no aumento da frequência e do espaço e tempo dedicados às notícias policiais na pauta jornalística, de forma a fomentar o escândalo. O jornalismo tenta a todo custo explorar comercialmente a criminalidade procurando dar destaque aos crimes e às questões ligadas à violência cotidiana. O aumento da exposição da violência aumenta o sentimento de impunidade que por sua vez aumenta a certeza de que vivemos num país desordenado, um espécie de terra sem lei. Considerar o público leitor e espectador como social e culturalmente inferior é uma estratégia psicológica profissional que facilita para o jornalista atuar nesta dinâmica discursiva e prática formatada historicamente dentro do campo profissional. c. O transbordamento do gênero ficcional para o jornalístico e político. No âmbito do tratamento discursivo, temos a tradição da notícia narrada como uma história. Faz parte da nossa cultura oral e ainda está presente no repente e na literatura de cordel no nordeste. No contexto das fragmentações discursivas (que atingem, na atualidade, o campo jornalístico no mundo inteiro), no Brasil esta tradição facilita o transbordamento do gênero ficcional sobre o jornalístico. Decorre daí o maior fomento à criatividade do jornalista em detrimento do distanciamento com relação ao acontecimento que seria o ideal para a elaboração racional da notícia. Este fato fortalece o apelo aos estereótipos e a falta de isenção do profissional da notícia. A campanha de Jarbas Vasconcelos para governador em 2006, por exemplo, aprofundou a utilização deste recurso, apresentando suas propostas no horário eleitoral em formato de novela. A reprodução do mito no gênero jornalístico-documental Tendo em vista a incorporação pelos repórteres e jornalistas do habitus de produção de notícia favorável à utilização dos mitos, a seguir levantamos alguns indicadores sobre como este mito seria reproduzido: a. A hiperexposição do tema da corrupção política: A hiperexposição levando a um superdimensionamento do problema. Leques de produtos midiáticos são inteiramente produzidos para avaliar um problema exacerbado pela mídia, utilizando como fonte, por exemplo o portal da Transparência Brasil cuja trabalho social insuspeitado é priorizar e reforçar a indignação pública do país consigo mesmo. A ideia da “honestidade” sendo colocada como principal capital político, em detrimento da capacidade de proposição, administração e gerenciamento de projetos e instituições voltadas para o bem comum visando o real desenvolvimento nacional. O debate sobre a corrupção é frequentemente um debate vazio, uma caça às bruxas de cunho quase religioso que ocupa o lugar do verdadeiro debate político. Deste ponto de vista, o combate à corrupção é pior para o país do que a corrupção real. b. A hiperexposição do tema da “impunidade”: Os bandidos estão todos os dias durante muito tempo na fatia mais nobre do horário da grade da TV, em cadernos especiais sobre violência dos jornais estaduais e regionais impressos, nas colunas dos grandes jornais nacionais, na internet e até no jornalismo a cabo. O jornalismo-denúncia, servindo de apêndice funcional às instituições de controle e vigilância pública é positivo, mas paradoxal, porque leva ao mesmo tempo, a uma mistura de funções entre as instituições e ao empoderamento da mídia. Outra consequência questionável da hiperexposição do tema da impunidade seria o transbordamento das funções do ministério público e do judiciário para a mídia. Tal fenômeno implica na institucionalização do “jornalista-herói”, ou aquele que “tem a coragem de dizer as verdades sobre os verdadeiros culpados”, ou pior ainda, o “jornalista-juiz”, na percepção popular. c. Enquadramento ou “ângulo da notícia” pela dicotomia correção x corrupção: Dentro da tendência à fragmentação vivida pela mídia contemporânea, o jornalismo ganhou liberdade de definir a pauta, ou seja de escolher o que vai ser noticiado e consequentemente, para a sociedade, o que vai ser discutido. Há um enfraquecimento do controle estatal na notícia. Por outro lado há uma pressão para abordar certos temas que dão mais audiência e visibilidade às empresas jornalísticas em que se privilegia a espetacularização e o combate ao crime e a corrupção que acabam se tornando apologias ao crime e a corrupção. A partir do jornalismo tecnológico, o enfraquecimento das fronteiras entre os gêneros narrativos vai fomentar a base de uma disseminação da lógica da corrupção em todos os tipos de notícias de quaisquer temas e em todo os tipos de ficção nacional. Mudanças recentes no campo jornalístico tais como a fragmentação do conteúdo da mídia nas sociedades complexas, a informatização e ampliação do mercado e da concorrência, a interatividade, levaram à autoreferencialidade na qual, na construção de seu conteúdo, a mídia faz referência a si mesma, eliminando a linha divisória entre produtor e receptor. A notícia pode ser criada em pleno fluxo na rede. (Soster, 2009; Jenkins,2008; Primo, 2011). Estes mecanismos reforçam o tratamento de qualquer tema pelo viés da corrupção, a partir do enquadramento específico do assunto, o ângulo da notícia, que vai posicionar a ideia em torno do eixo da honestidade ou não, da corrupção ou não dos atores envolvidos. 2. Gênero “ficção” A narrativa ficcional é a forma mais antiga de expressão de que se tem notícia. Desde a antiguidade a humanidade expressa ideias em sequência cronológica para todo tipo de finalidade comunicativa. No século XIX surge o romance escrito e o romance folhetim, cujo desdobramento histórico está na base da ficção como é conhecida hoje. O cinema, os filmes para TV, as novelas, as séries e mini-séries, até o vídeo-clips são estruturados dentro do mesmo formato sequencial. Na comunicação contemporânea as narrativas ficcionais se multiplicaram vertiginosamente no interior dos veículos de comunicação seja de forma separada, bem definida em determinados produtos característicos, seja de forma difusa, menos definida, mas presente pela intertextualidade com outros gêneros, no conteúdo dos mais diferentes produtos. No Brasil a dinâmica dos campos culturais reflete condicionamentos relevantes também para a ficção nacional. Da mesma forma que acontece com o campo do jornalismo, a ficção é fortemente ancorada nos campos econômico e social, no entanto, do ponto de vista de sua origem discursiva, a sobreposição ou área de interseção do campo da produção midiática ficcional se dá em primeiro lugar com o campo intelectual, principalmente o literário. Da mesma forma, quando este campo passa por dificuldades tais como as atuais geradas no contexto do aumento súbito do mercado consumidor, a ficção televisiva se comporta mais conforme o campo econômico e social e menos com o intelectual e literário. Este recuo para o atendimento de exigências econômicas e sociais leva a um menor investimento criativo e a um respectivo empobrecimento do conteúdo. Da ficção escrita para a ficção midiática, há uma perda de racionalidade, já exaustivamente assinalada pela sociologia da comunicação clássica, sobretudo a Escola de Frankfurt (Adorno,1987; Horkheimer;1985, Benjamim;1986), o que facilita o apelo ao mito do Brasil: país da corrupção no conteúdo: a. Na busca da audiência (TV) e espectadores (cinema) acaba-se apelando para o mesmo sensacionalismo do gênero jornalístico. Não existe história sem o exótico, o diferente, o inabitual e sem muito sofrimento por parte dos personagens. Na crise, o investimento no sensacionalismo garante a estabilidade comercial do veículo. b. O recurso narrativo mais fácil e garantido do heroísmo versus vilanismo é estruturado semiologicamente nesta oposição, necessitando dos estereótipos de papéis sociais para construir os personagens. Naturalmente ele se presta às oposições personalistas entre honestos e corruptos, adequando-se muito bem às matrizes narrativas modernistas e ao “modelo semiológico Damattiano”.2 2 No livro “A casa e a rua, espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil”, RJ, Guanabara, 1987, Ro– berto DaMatta desenvolve um modelo das relações de gênero e de classe no Brasil indicando a presença de esterótipos destas relações na literatura moderna brasileira e nas novelas adaptadas desta literatura. Alguns destes estereótipos são a “mulher da casa”, a “mulher da rua”, o “malan– dro” e o “caxias”. No Brasil temos acesso à produção em ficção de vários países, mesmo que, no conjunto da mídia nacional a norte americana seja predominante. No entanto, temos uma vasta produção de ficção nacional cujo carro chefe são as telenovelas e mais recentemente o cinema nacional. Para estudar o “mito do Brasil: país da corrupção”, a proposta é tomar como universo a ficção e o jornalismo, dada a sua representatividade. Juntos, ficção e jornalismo ocuparam, em 2011, 46% da programação televisiva no Brasil. Definida esta opção metodológica, é importante sinalizar algumas características da ficção nacional que dão indícios da presença do referido mito na ideia de identidade nacional construída na nossa mídia. A construção do mito no gênero ficcional Na mídia nacional é comum o tratamento da desigualdade social por meio de fórmulas narrativas personalistas estáticas. Heróis malandros, mulheres e homens pobres buscando ascensão social via casamento, casais românticos em que um dos dois é trânsfuga de classe e o “heroísmo bandido” no cinema, são padrões, modelos narrativos quase estáticos e estereotipados do papel e das relações sociais no país real. Estudos em profundidade realizados para conhecer as práticas de escrita de roteiros das telenovelas (Junqueira, 2009, 2010) e do cinema (Moreno, 1994) nos levaram a localizar a razão mais séria desta formatação. Ela está na relação entre os campos de produção ficcional e literário românticomodernista desde a primeira mídia nacional, a qual, apoiada na literatura e nas ciências sociais, deu prioridade, alimentou, estimulou, fortaleceu, difundiu e se constituiu de uma certa percepção do país típica da geração da classe média de esquerda nos anos 1960 e1970. Desde sua origem, a ficção midiática nacional apoiou-se na produção intelectual brasileira, seja nas obras das ciências sociais, seja na literatura. Nomes como Gilberto Freyre, Raimundo Faoro, Sérgio Buarque, e mais recentemente Roberto DaMatta foram inspirações trazidas do campo intelectual para a produção da ficção midática. No campo literário, as grandes fontes inspiradoras foram principalmente a corrente romântica (com a influência mais direta de autores como José de Alencar) e a modernista, (com Jorge Amado e outros). Na obra destes autores, a construção das instituições nacionais nunca apresentou o perfil necessário para o seu funcionamento correto dentro de um sistema equilibrado de poderes e de distribuição de bens. O Estado, o mercado, instituições responsáveis pela regulamentação social capitalista, sempre foram deformados pelas relações sociais agrárias e familiares, características do tempo do engenho de açúcar. Tais relações exercem, na sociedade brasileira, uma função impermeabilizante à socialização para uma vida social moderna. A obra de DaMatta sintetiza esta teoria da identidade nacional em categorias mais concretas e objetivas, com tipos definidos de homens e mulheres presentes na sociedade brasileira, que estão na literatura modernista e foram reproduzidos na mídia. O problema social colocado por este contato dos dois campos é o resultado social diferente em termos de imaginário da identidade nacional que esta relação produz e difunde nos produtos colocados à disposição para o consumo nacional. O campo literário atinge população alfabetizada e suscita reflexão. O midiático reproduz, banaliza, reforça, repete à exaustão, faz verdadeira lavagem cerebral com os estereótipos e leva a população que se vê no espelho da mídia a ver-se como ela diz, ou seja, num país DaMattiano. Ou seja a teoria que era uma crítica séria e embasada na história nacional na literatura e nas ciências sociais, reproduzida na mídia de forma massiva e massificante principalmente nas excessivas horas de novelas na TV e no cinema nacional, se torna uma apologia à falta de ética nacional, e cristaliza no senso comum, todos os dias e todas as horas, uma identidade nacional de país corrupto. Alguns mecanismos de construção e reprodução do mito do Brasil corrupto podem ser identificados nestes padrões ou elementos fixos das matrizes de escrita de roteiros e personagens: a. O herói malandro. Desde “Macunaíma” predomina no país o elogio do herói malandro como mito do caráter brasileiro. Este mito é reforçado nos anos 60 pela contracultura e o underground que atuaram no sentido de contrapor-se ao governo militar e a uma ética ufanista que valorizava o espaço privado, a família conservadora e a chefia do homem adulto, branco. Para isso, várias manifestações culturais da classe média passaram a exaltar a marginalidade e a violência. “A marginalização é tomada (...) no sentido de ameaça ao sistema; ela é valorizada exatamente como opção de violência, em suas possibilidades de agressão e transgressão. A contestação é assumida conscientemente. O uso do tóxico, a bissexualidade, o comportamento descolonizado são vividos e sentidos como gestos perigosos, ilegais e, portanto, assumidos como contestação de caráter político.” (Holanda, 1992:52) Neste bojo, outras marginalizações foram valorizadas, inclusive aquelas tradicionais, sobre a preguiça e a malandragem, contidas nos romances e nos livros de ciências sociais, e entraram forte no conteúdo das peças de teatro, na literatura, no cinema e na televisão. Como a ficção nacional está apoiada nesta produção intelectual e literária, o mito do “heróimalandro” contaminou a mídia e se alastrou, incorporando definitivamente esta visão do Brasil e dos brasileiros. Na teledramaturgia, os anos 69 e 70 o surgimento do “anti-herói” nos roteiros de Dias Gomes (por exemplo Gabriela cravo e canela, baseada na obra homônima de Jorge Amado) representa um divisor de águas na história do produto (Campedelli, 1987). Esta categorização mítica de personagens ficcionais construída a partir de analogias com as categorias dos estereótipos brasileiros gerencia toda a dinâmica das relações sociais na representação de sociedade brasileira feita pela ficção nacional. Os papéis de gênero e de classe já vem prontos, altamente estereotipados numa lógica perversa de permanência de uma visão do país daquilo que ele não é mais. As trajetórias de trânsfugas de classe da favela para os bairros nobres e vice-versa, por exemplo, já são clássicas nas novelas. b. A matriz narrativa da corrupção nas telenovelas: No citado estudo da teledramaturgia (Junqueira, 2009) pode se perceber a permanência da matriz narrativa do personalismo, cuja marca principal é a identidade nacional corrupta se reproduzindo no decorrer das décadas a partir dos anos 70, sendo passada de geração para geração de autores que, ao trabalhar nos roteiros, mantém a estrutura das dicotomias entre honestidade e corrupção, valorizando a corrupção e a marginalidade no perfil psicológico do brasileiro. Autores como Gilberto Braga, por exemplo, ao apresentar personagens ávidos por ascensão social em suas novelas, apresenta os trapaceiros e corruptos como os heróis da situação. Os pobres são pessoas que estão nas histórias para serem usadas pelos ricos e depois abandonados. Os intelectuais e os telespectadores das classes mais altas viram anti-maniqueísmo e sofisticação nos roteiros, e Gilberto Braga foi considerado um mestre das telenovelas. Mas o verdadeiro resultado social de sua obra foi o perverso reforço perceptivo, sentimental e moral, uma verdadeira “lavagem cerebral” com o apoio e o aplauso de toda a classe média para que todas as classes pensassem cada vez mais nossa sociedade como um lugar de relações medievais que nunca vão mudar. a. O herói bandido no cinema: Desde a cinédia até os filmes chamados “de retomada”, passando pela “estética da fome” de Glauber Rocha, e pela obra de Nelson Rodrigues, uma matriz semelhante de escrita de roteiros reproduz no cinema nacional a perspectiva da inferioridade nacional e o mito da corrupção endêmica no Brasil. Filmes como “O Bandido da luz vermelha”, a recuperação histórica da imagem de Lampião nos anos 90 e a imagem da polícia e da violência glorificadas em “Tropa de Elite” até o mais atual filme sobre a história do doente mental que pensava ser o filho do dono da Gollinhas aéreas. O estudo aprofundado da matriz da identidade nacional baseada no mito do Brasil: país da corrupção no cinema ainda está para ser feita, mas há abundância de indícios e dados que levam a pensar em matrizes bem próximas às detectadas na “história” dos roteiros das telenovelas, e consequentemente, à presença forte do mito do Brasil corrupto também no cinema. Hipótese Jornalismo e ficção são, antes de mais nada, manifestações superestruturais do campo econômico (Bourdieu, 1997). No entanto, no primeiro as determinações deste campo são suavizadas pela necessidade de conexão harmônica sobretudo com o campo político. Já na produção midiática de ficção, as determinações do campo econômico são suavizadas pela necessidade de conexão harmônica com o campo intelectual via “cultura”. Esta diferença influencia na forma como o mito do Brasil corrupto se manifesta e se reproduz em cada uma. De onde vem e como é feito o trabalho que permite a permanência das matrizes em cada um. Nos momentos de crise, há um recuo de ambas para o campo econômico. Pode ter havido um momento de forte crise que “traumatizou”, ou paralisou a evolução da reflexão do país sobre si mesmo, e a classe média está fortemente implicada nesse processo, porque é nela que estiveram posicionados os intelectuais e artistas responsáveis pela reflexão que deveria renovar o imaginário nacional no que se refere à identidade nacional. O fortalecimento dos contatos entre o campo intelectual e o literário nas décadas de 1960 e 1970 geraram, através da mídia, uma valorização cultural da marginalidade. No caso da teledramaturgia, este fato é exemplificado na necessidade de capital simbólico para fundamentar suas histórias, para falar do Brasil num contexto de repressão política. O campo intelectual e acadêmico de esquerda por um lado, tinha o interesse de difundir suas teorias junto ao senso comum, e o desenvolvimento desse trabalho através das artes era interessante tanto eticamente quanto em termos práticos, num contexto de regime militar, onde a censura atingia a todos. De outro lado porque foi seduzido pela temática da marginalidade nos termos colocados por Hollanda (1992). Em resumo, a valorização da marginalidade seria um capital simbólico de contato entre campos culturais, absorvido pela ficção midiática. De acordo com estes fatos, apresentamos a seguinte hipótese para direcionar a investigação: A permanência das matrizes de reprodução do mito do Brasil: país da corrupção na mídia nacional seriam originados nas relações subjetivas de interinfluência entre os campos midiático, político, intelectual e literário, por força de acontecimentos históricos nos anos 1950-1960 que teriam causado um forte impacto na classe média a ponto de causar a paralização da evolução natural da autoimagem nacional (para a nossa real condição de país caracterizado por relações sociais modernas) devido a causalidades complexas, entrelaçadas. Estes impactos formataram negativamente o imaginário cultural sobre a identidade nacional, que ficou bloqueada a partir de então, sendo reproduzida sem grandes mudanças até os dias de hoje. Três destas causalidades podem ser vislumbradas: Política: No golpe militar houve um recuo do campo midiático para as determinações econômicas, traduzida no âmbito do trabalho jornalístico e de criação ficcional, através do reforço das matrizes de conteúdo ficcional antiquadas, ultrapassadas, que não correspondiam mais ao estado de desenvolvimento da sociedade brasileira. Uma espécie de efeito de trava (Elias, 1994; Junqueira, 2003) teria acontecido na consciência coletiva da classe média, que por meio de seu trabalho ideológico, contaminou toda a sociedade. Social: A urbanização muito rápida e desordenada do Brasil, sem apoio em instituições coesas constitui um cenário de difícil ação positiva para a classe média que , tendo comprado a ideia da inferioridade do Brasil diante dos países desenvolvidos, criou sobre si mesma um sentimento de impotência coletivo, dando lugar ao fenômeno que Elias chamou de “efeito de trava” e impedindo o brasileiro de ver-se como ele realmente é e de assumir sua condição social de homem moderno, e consequentemente sua função de transmitir essa ideia ao conjunto da sociedade. Para produzir a ideia de modernidade na mídia, a classe média dos anos 60 teria que ter uma autoimagem positiva. Eles não tinham esse sentimento que naquele contexto constituía um importante capital sócio-psicológico e moral. Religiosa: A quebra da hegemonia da religião católica na representação da configuração da vida social no Brasil, ocasionando uma mudança de paradigma nos valores mal absorvida pela mídia, que manteve na criação ficcional a ética católica do sofrimento nas interações sociais nacionais de todo tipo. Mais uma vez a postura de autoinferioridade da classe média (incorporada e inconsciente) atuou no reforço, ao invés do rompimento, com a doxa do sofrimento de ordem religiosa que permeava as tensões psicológicas no interior de nossas relações sociais. A modernidade deveria, em tese, enfraquecer este tipo de tensão, reforçando a individualidade e imparcialidade nas relações. A investigação fará a crítica da consciência social da classe média da época que, comprando a ideia da substancialização dos países centrais como superiores, sem perceber, acabou colocando em funcionamento uma máquina de reprodução de uma ideologia perversa sobre o Brasil que é o fazer acreditar que o país não tem capacidade de mudança para melhor, a despeito da mudança real para melhor. Esta classe média ainda se vê como separada, pior ainda, como vítima da engrenagem psico-social excludente que ela mesma ajudou a produzir. Bibliografia: ADORNO,Theodor W. “A Indústria Cultural”, in: Cohn, Gabriel (org) Comunicação e Indústria Cultural. São Paulo, T. A. Queiroz, 1987. ________________ e Horkheimer, Max. Dialética do Esclarecimento, Rio de Janeiro, Zahar, 1985. BALOGH, Anna Maria. Conjunções, disjunções, transmutações. Da literatura ao cinema e à TV. São Paulo, Annablumme, 2005. BENJAMIM, Walter. Obras escolhidas. Magia e técnica, arte e política. SP, Brasiliense, 1986. 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