19 de abr de 2017

Banco público é da sociedade e não de um governo. -Editor- é importante o engajamento da soiedade, visando preservar o Banco do Brasil, Caixa Economica Federal e BNDES, incólume da especulação dos rentistas nacionais e internacionais.

CARTILHA

Banco público é da sociedade e não de um governo

Sindicato lança cartilha com informações sobre o papel crucial dessas instituições para a sociedade; com linguagem simples e acessível, publicação vai contribuir na luta em defesa de BB, Caixa, BNDES e bancos estaduais, contra ataques do governo Temer
  • Cláudia Motta, Spbancarios
  • Publicado em 10/04/2017 18:00 / Atualizado em 11/04/2017 18:02


São Paulo – Economistas, representantes dos trabalhadores, da indústria, dos estudantes, lideranças dos movimentos sem teto, sem terra, professores universitários, engenheiros, políticos, ex-integrantes do sistema financeiro. Um público tão eclético, e uma certeza: sem a força dos bancos públicos o Brasil para.
Essa foi a tônica dos debates que culminaram, no fim da tarde da segunda-feira 10, no lançamento da cartilha Em Defesa dos Bancos Públicos. A edição, elaborada pelo Sindicato em parceria com os professores de economia João Sicsú e Antonio Alves Junior, traduz, em textos simples e linguagem acessível, tudo que o Brasil pode perder, caso o governo Temer tenha sucesso em seus ataques contra essas instituições.
Caixa e BB passam por um processo de desmonte com planos de dispensa de bancários e fechamento de unidades. O BNDES vê sua política de crédito para desenvolvimento do país comprometida por encarecimento na taxa de juro e fuga de recursos para o Tesouro. As instituições estaduais que ainda restam, estão na mira do modelo privatista com lógica neoliberal que retomou espaço após o golpe do ano passado.
“Temos um problema no Brasil e no mundo que é a desigualdade social. A gente não vai ser feliz enquanto não acabar com isso”, afirmou a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, no evento de lançamento da cartilha. “A gente está vivendo uma crise econômica criada pelo sistema financeiro, e os banqueiros, as grandes multinacionais, querem aproveitar e tirar da população para garantir os ganhos deles. Mas somos mais, somos 99%, eles são o 1%. Querem retirar direitos da maioria para dar para essa minoria já muito privilegiada. Precisamos continuar na luta.Temos uma possibilidade grande de mostrar nossa força na greve do dia 28”, convoca a dirigente.
“Representamos uma categoria que conseguiu avançar, mas temos muito a fazer para acabar com essa desigualdade, para melhorar o grau de formação e de informação do nosso povo. E essa cartilha quer contribuir com isso”, destacou Juvandia, lembrando que o seminário e o lançamento da publicação faz parte das comemorações dos 94 anos de história do Sindicato.
Da tese para o mundo real – Professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Antonio Alves Junior contou que o trabalho de produção da cartilha foi difícil, mas muito agradável. “Passei a vida toda estudando o sistema bancário e passei a vida toda falando mal de banco no país, relata o acadêmico, que tem tese na UFRRJ sobre o setor. “Com esse sentimento hostil na sociedade, como fazer um documento sobre defesa dos bancos públicos? Enfim, acho que conseguimos fazer um trabalho acessível e que vai permitir aos cidadãos entender a importância que essas instituições têm para a sociedade.”
Parceiro do Sindicato em outras publicações, João Sicsú explicou que desta vez o material foi concebido em dois formatos: uma edição maior, voltada para dirigentes sindicais e do movimento social. E uma menor, com textos mais curtos e muito infográfico “que é a história em quadrinho para adultos”.
“Um conjunto de instrumentos para o dirigente trabalhar a cartilha junto à população, e deixar claro que os bancos públicos são da sociedade e não pertencem a nenhum governo”, disse o professor, elogiando a parceria feita com o Sindicato em outras publicações – sobre Previdência e reforma tributária – com a participação dos técnicos do Dieese que compõem a equipe da Secretaria de Estudos Socioeconômicos da entidade. “Funciona muito bem.”
Para Juvandia, o material aborda um assunto difícil, técnico, traduzido de uma forma que as pessoas possam entender. “Por exemplo, deixa claro quanto o agricultor paga de juro hoje, com o crédito direcionado para eles, e o encarecimento desse crédito que se refletiria para toda a sociedade com alta no preço dos alimentos.”
“Vamos distribuir para toda categoria, clientes, para a população. Um instrumento de trabalho, de debate desse modelo de financiamento de sociedade que a gente quer. Uma parceria super importante com a universidade: essas pesquisas cumprem seu papel quando saem para a sociedade e contribuem para a vida prática.”
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