27 de abr de 2017

Folha e Globo preparam terreno para Doria agir na Cracolândia. -Editor - a limpeza e higienização da região da chamada Cracolandia é imperiosa, pois a especulação imobiliária está ávida em faturar, só que precisam limpar a área. Um problema de saúde pública, tratado como caso policialesco e de higienização.

 

Folha e Globo preparam terreno para Doria agir na Cracolândia


No mesmo dia que Doria se reuniu para debater novo programa de repressão, matérias da Globo e da Folha de S.Paulo mostram venda de drogas com vídeos de investigação disponibilizados pela Polícia Civil
Foto: TV Globo / Reprodução
Foto: TV Globo / Reprodução
A agenda do prefeito João Doria deu especial atenção para a questão da Cracolândia, nesta quarta-feira, 26, com duas reuniões sobre o Programa Redenção, que promete acabar com o tráfico na região. O prefeito se reuniu às 9h com o Comitê do projeto, e às 14h30 com o Comitê Executivo, composto por secretários de Segurança Pública, Segurança Urbana, Urbanismo e Licenciamentos, Governo, Saúde, Comunicação e Assistência Social e Desenvolvimento.
Também hoje, coincidentemente, o jornal Folha de S.Paulo e Jornal Hoje e o Portal G1, da Rede Globo, destacaram vídeos obtidos junto a uma investigação da Polícia Civil que mostram a venda de drogas na Cracolândia e divulgaram como a Prefeitura de São Paulo pretende resolver o problema com o novo programa.
Ambas as reportagens mostram como é realizada a venda de drogas na Cracolândia “a céu aberto”, destacando a liberdade dos traficantes e o alto rendimento das vendas, ainda que supervisionados por Guardas Civis Metropolitanos e Policiais Militares, que fazem rondas constantes e em grupos na região.
A solução dos problemas na matéria do G1 aparece nas respostas da Prefeitura, única fonte do texto, que promete “implantar o programa Redenção para que a região da Luz, hoje afetada pelo consumo e tráfico de drogas, passe por uma grande transformação social e urbana”.
Já a Folha aprofundou mais o tema, trazendo um panorama dos problemas enfrentados no bairro da Luz, como a degradação e a venda de drogas nos prédios, e o programa aplicado pela antiga gestão municipal, o De Braços Abertos. Por fim, apresenta as soluções da gestão Doria, em três fases: o fim da presença fixa da Polícia Militar; a aplicação de “mais inteligência policial” e “operações ocasionais”; e a geração de empregos “condicionado ao tratamento”. A vantagem do novo programa, segundo a reportagem, é a operação conjunta com o Governo do Estado, que por vezes fez ações policiais sem avisar a antiga gestão.
De acordo com a reportagem da Folha, os vídeos foram obtidos após serem divulgados “em recente reunião entre integrantes da prefeitura, do governo do Estado e do Ministério Público”, sem especificar a data. A reportagem da Globo diz ter obtido o material com a Polícia Civil, após “investigação” de 30 dias, em que foram feitas gravações escondidas no chamado “fluxo”, a feira de venda e consumo de drogas.

O que dizem ativistas da região sobre o problema

O programa Redenção vem sofrendo resistência de ativistas que trabalham na região da Cracolândia, principalmente do coletivo A Craco Resiste, grupo de ex-trabalhadores da saúde que atendiam usuários do fluxo. De acordo com eles, a ação de Doria é higienista, porque encerra programas que já vinham dando resultados, como o De Braços Abertos, e propõe medidas sem uma franca e aberta discussão com a sociedade civil e os principais atores da região, como os moradores e os próprios usuários.
“Continua a campanha para justificar a anunciada ação para por fim na Cracolândia, tentando levar a opinião pública a aceitar toda a truculência que a prefeitura e o governo estadual pretendem usar no local. Os usuários se concentram na área porque há venda de drogas, isso é sabido há quase 30 anos. A reportagem não traz nada, nenhum fato ou elemento além disso. Mostra ainda as conclusões da suposta inteligência da Polícia que em um mês de trabalho conseguiu apenas descobrir o óbvio. Fica evidente que o Poder Público não tem um projeto real para a Cracolândia e quer insistir na agressão e na ineficiência com os argumentos de sempre”, comentou em postagem no Facebook o coletivo.
No último dia 13 de março, o coletivo fez uma manifestação em frente à Secretaria de Segurança Pública, enquanto aconteceu uma reunião do Comitê do Projeto Redenção. A principal reivindicação era justamente a participação do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas e Álcool, formado por especialistas e que não foi integrado ao Comitê formado pelo prefeito.
"Com a nossa chegada, ele [Doria] já saiu pelos fundos, e não quis ouvir a nossa proposta para uma política pública que esteja voltada para a população de rua", afirmou o ativista França no dia.
O psicólogo Bruno Logan, que trabalhou no cuidado de usuários de crack da Cracolândia, também comentou o tema: “Hoje o SPTV e Jornal Hoje, anunciaram que estão vendendo crack na Cracolândia (incrível, hein?). Ao meu ver, me parece até uma ação articulada pela Globo e o governo, eles precisam justificar uma ação e a Globo resolveu essa justificativa.Eu aposto, em menos de 72h o prefeito e governador de SP vão fazer uma ação/resposta desastrosa na região, aproveitando a greve geral e o feriado prolongado, para que está ação passe despercebida ou quase.Eu lamento muito pelas pessoas da Cracolândia, ano após ano, o governo repete o mesmo erro, repressão após repressão...
É sério que ainda não deu para perceber que não dá para resolver esta questão complexa (pessoas em vulnerabilidade, em situação de rua e usuárias de drogas), com repressão?A intenção é dar uma resposta simplista para a massa, com intenção de votos, não se preocupam com as pessoas, não se preocupam com os usuários, está é a real!”.

Mudança na Secretaria marca aceleração do projeto

A aceleração do projeto acontece após a demissão da Secretária Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, Soninha Francine, no último dia 17 de abril. O prefeito João Doria fez um vídeo com a vereadora afirmando que a “decisão foi conjunta” sobre a saída, e que a secretaria precisa de “mais força na gestão administrativa” e que isso não está no “espírito” de Soninha.
Após o anúncio no Facebook, a ex-secretária rebateu as afirmações dizendo que deu o melhor durante sua gestão e planejava “a construção com esmero de um plano para cenas de uso, começando pelo território hiper complexo da “cracolândia”’. Com isso, acabou demitida em uma divulgação à lá ‘O Aprendiz’, reality show que foi apresentado pelo atual prefeito.
O então secretário adjunto da pasta, Felipe Sabará, assumiu o cargo. Para a mesma Folha, (que o apelidou de “Mini-Doria”) disse trabalhar com foco em resultados e pretende resolver o problema da Cracolândia com “gestão”. Sabará foi acusado por moradores de rua da região da Praça 14 Bis, na Av. Nove de Julho, Centro da capital, de ter omitido o cargo na prefeitura e se apresentado como da ONG Arcah, à qual foi diretor, em abordagem na qual pegou dados pessoais, e depois, já na prefeitura, prometeu casa em ocupação para forçar a retirada da comunidade do local, de acordo com relatos.
https://ninja.oximity.com/article/Folha-e-Globo-preparam-terreno-para-Do-1

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