30 de jul de 2017

A direita está “se achando”! O contrassenso apontado pelo autor - Entre 2011 e 2013, mesmo com apenas dois deputados federais, o PRTB recebeu, a título de Fundo Partidário, R$ 4.962.343,83. - Editor - ENFATIZO A NECESSIDADE DE UMA CONSTITUINTE POPULAR, ONDE O POVO DEFINA O QUE QUER PARA SI E PARA O PAÍS.

por Marcelo Auler  http://marceloauler.com.br/a-direita-esta-se-achando/
brasilmais à diretaOs efeitos do golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff, e entregou a República a uma trupe encalacradas com denúncias criminais, que promove o desmonte das políticas sociais e a venda de ativos importantes do país, fez a chamada direita se acharProva disto ocorreu, neste sábado (29/7), no Bourbon Convention Ibirapuera Hotel, em São Paulo, onde realizaram o I Fórum Nacional da Direita e Conservadorismo do Brasil.
Patrocinado pela Fundação Jânio Quadros, ligada ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), o fórum foi uma iniciativa de José Levy Fidelix da Cruz. Fundador e presidente do PRTB, ele é um político que concorreu a quase todos os cargos, sem jamais se eleger. Ainda assim, tinha pretensão de provocar uma grande mudança, como anunciava o cartaz prevendo que:
“A partir desta data o Brasil vai ficar mais à direita”.
O encontro, sem dúvida, resulta da maciça campanha contra partidos de esquerda, em especial o PT, promovida a partir da Operação Lava Jato, com o apoio da mídia tradicional. Não, por outro motivo, quem andou no saguão do hotel, logo se convenceu e relatou ao Blog:
“É uma festa, aonde são louvados Moro e Dallagnol. Eles não estão presentes, mas é como se estivessem”.
Entre os títulos à disposição, livros enaltecendo a Lava Jato, Moro e Dallagnol, e outros falando mal dos governos petistas.
Entre os títulos à disposição, livros enaltecendo a Lava Jato, Moro e Dallagnol, e outros falando mal dos governos petistas.
Quem duvidasse da influência da turma do juiz Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol nos organizadores e participantes do encontro bastava rodar pelas bancadas que vendiam livros e verificar o que se oferecia.
Estavam ali: Lava Jato, de Vladimir Netto; A Luta Contra a Corrupção, do próprio Dallagnol; Operação Lava Lula, de Adib Abdouni; A Década Perdida, de Marco Antônio Villa; Ascensão e Queda de Dilma Rousseff, de Jorge Bastos Moreno; Mãos Limpas e Lava Jato, de Rodrigo Chemin; Sérgio Moro, de Joice Hasselmann.Este e outros títulos que endeusam a chamada República de Curitiba, o capitalismo, a direita brasileira e enxovalham petistas e a esquerda.
Não apenas os livros mostravam a influência da Operação Lava Jato nesta tentativa de fazer crescer a direita no país.
Uma tentativa, registre-se, que nesse caso partiu de um partido político que participou das últimas cinco eleições para a Câmara Federal e ao longo de todo este tempo teve representantes eleitos em uma única legislatura – a 54ª (2011-2015).
Essa bancada foi composta por apenas dois deputados federais, um do Rio de Janeiro e outro do Amapá.
O próprio Levy Fidelix, que já tramitou por quatro partidos diferentes – PL (1986/88); PTR (1988/93); PTRB (1993/94) e, finalmente, PRTB (desde 1994) – participou de diversas eleições e nunca conquistou qualquer cargo. Suas votações sempre foram pífias. Disputou para deputado estadual por São Paulo (1986) e conquistou 735 votos; deputado federal (1988), obteve 541 votos; prefeitura da capital paulista (1996) quando recebeu 3.608 votos; governador de São Paulo (1998), atingindo 14.406 sufrágios; novamente a governador (2002) tendo ainda menos votos: 8.654; em 2004, a vereador na Capital quando conquistou apenas 3.382 eleitores; em 2006, em nova tentativa de chegar à Câmara Federal por São Paulo, recebeu somente 5.518 sufrágios.
Por duas vezes concorreu à presidência da República e jamais passou da 7ª colocação: em 2010, teve 57.960 votos; em 2014, o resultado foi um pouco melhor conquistando a confiança de 446 878 eleitores.
Mas há um fator que chama a atenção. Entre 2011 e 2013, mesmo com apenas dois deputados federais, o PRTB recebeu, a título de Fundo Partidário, R$ 4.962.343,83.
As palestras do encontro
As palestras do encontro
Os debates do Fórum deste sábado girariam em torno de temas bem favoráveis ao conservadorismo que tenta se impor na sociedade neste período nebuloso da política brasileira.
Abrangiam do “liberalismo econômico e conservadorismo no Brasil” a “Fabianismo, Gramscismo e foro de São Paulo no poder político dos últimos 30 anos”. Mas passavam também por questões chaves como “Aparelhamento ideológico, político e partidário do sistema educacional” e a discussão da “Vulnerabilidade do processo eleitoral, urnas eletrônicas e pesquisas inconfiáveis”.
Um deles chamava mais a atenção, parecendo ser uma bandeira do grupo: “Segurança Nacional e a Participação das Forças Armadas no momento atual brasileiro”.
Se os livros oferecidos já demonstravam a influência do público alvo pela Operação Lava Jato e seus operadores, a lista de palestrantes – que segundo Levy, nada cobraram – era de tradicionais adeptos da cruzada antipetista que surgiu no país pela “República de Curitiba”.
Estavam anunciados – e o blog não sabe se todos compareceram, por não ter ido conferir:  o general de brigada Paulo Chagas, um anticomunista ferrenho que preside o grupo “Terrorismo Nunca Mais” (Ternuma); Luiz Philippe de Orleans e Bragança, descendente da família imperial, é um dos líderes e fundador do movimento liberal Acorda Brasil, que foi favorável ao impeachment de Dilma; a jogadora de vôlei, Ana Paula Henkel; a procuradora do Distrito Federal, Beatriz Kicis, tradicional ativista da direita; a jornalista paranaense Joice Hasselmann, defensora intransigente de Sérgio Moro, de quem escreveu uma biografia. Ela foi condenada a indenizar a filha do jornalista Luis Nassif por acusá-la de participar de protestos em Nova Iorque sem que Luiza Aguirre Nassif estivesse lá.
Estavam anunciados ainda Miguel Nagib, fundador do movimento escola sem partido; Jorge Luiz Izar, coordenador do Movimento Vem Pra Rua; Maria Aparecida Cortiz, e Amilcar Brunazo Filho, dois nomes que levantam suspeitas sobre as urnas eletrônicas brasileiras: Márcio Coutinho, presidente do PRTB no Maranhão, esteve envolvido na campanha a governador de Edinho Lobão e chegou a ser acusado de representar o pai dele, o ex-ministro Edson Lobão, na Diamond – uma holding nas Ilhas Cayman, conhecido paraíso fiscal no Caribe.
Na hora do mais badalado palestrante, Olavo de Carvalho, o Youtube registrou 161 espectadores.
Na hora do mais badalado palestrante, Olavo de Carvalho, o Youtube registrou 166 espectadores.
Também foram divulgados os nomes dos coronéis Gerson Chagas e Cesário Lage, e ainda de Jairo Glikson, Claudia Castro, Allan dos Santos, Meire Lopes, Luiz Antônio Nabhan Garcia, Ricardo Augusto Felício, Thomaz Korontai.
Mas o ponto forte seria o escritor e ativista de direita Olavo Carvalho, através de vídeo conferência no final do encontro.
Não se sabe as condições exigidas para a inscrição dos participantes, porém não devem ter sido muitas, pois foi transmitido pelo Youtube. Prática adotada pelos organizadores para tentar atingir um amplo público Pelo jeito, ficou na tentativa.
Tal expectativa é difícil conferir à distância, mas não parece ter sido atingida. Houve momento em que o Youtube registrou 2.084 assistentes ao vivo. Número muito aquém dos milhares de espectadores que Levy anunciou nas convocações que fez para o Fórum pelo site do seu partido.
De qualquer forma, trata-se de uma quantidade bem maior daqueles que se dispuseram, às 19h30min, ouvir a estrela principal do encontro: o escritor e ativista da direita que os tem como um perfeito porta-voz do conservadorismo, Olavo de Carvalho. Ao falar, segundo registros do próprio Youtube, sua audiência se limitava a 166 pessoas, como mostra a ilustração acima.
Ou seja, a prevalecer esses dados disponibilizados pelo próprio Youtube, a extrema direita que queria se fazer ouvir neste sábado, não conseguiu o público desejado. Dificilmente o dia 29 de julho será visto como a data em que o Brasil deu um “direita volver”. Mas estão se movimentando. Só não podem se achar como pretendiam

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