3 de fev de 2014

Vietnã, mosaico compacto e diverso





Hanói (Prensa Latina) No horizonte de 2020, o Vietnã vislumbra uma drástica redução da pobreza, sobretudo nas regiões onde se assentam minorias étnicas do grande mosaico de 54 nacionalidades que integram este país indochinês.
Atingir nessa data as metas de diminuir até quatro por cento as taxa de lares com escassez econômica e a cinco por cento as da pobreza extrema nas áreas com situações mais agudas, constituem motivações centrais de uma estratégia traçada pelo Partido Comunista e pelo governo.
 


Pode-se afirmar sem equívoco que em todo esse processo se refletem os permanentes preocupação e interesse da direção política do Vietnã em atender e desenvolver as zonas mais atrasadas do país, especialmente no noroeste, no altiplano central, na costa central, no sudoeste e no leste da cordilheira Truong Son.
Ali estão concentradas as minorias e grupos étnicos em desvantagens econômicas e sociais, em cujo benefício a citada estratégia fixou entre seus principais objetivos melhorar o rendimento per capita e resolver a falta de terra para a produção agrícola que influi negativamente no bem-estar dessas populações.
O projeto inclui a reestruturação econômica, a geração de emprego e exploração das potencialidades locais, com ênfase nos propiciadores cultivos de café, castanha de caju, pimenta, borracha e chá, da mesma forma que o ecoturismo.
E ainda põe-se acento na superação educacional até contar com um centro de formação profissional comunitário capaz de satisfazer necessidades da futura industrialização e modernização do Vietnã, acompanhando-o de um melhor acesso aos serviços médicos onde os problemas sanitários são mais sentidos.
Mas nem são novos estes empenhos, tampouco não árduos os desafios que implica avançar em um complexo de variadas culturas de produção, arraigadas tradições, cosmovisões e estruturas sociais e familiares.
Dos 54 grupos étnicos existentes, os viet (ou kinh) representam 87 por cento da atual população de 90 milhões de habitantes, outros como os Tay, Thai, Muong, Hoa e Khmer somam cada um ao redor de um milhão e em escala numérica existem descendentes com somente centenas de integrantes.
Só foi a partir da independência na parte norte do Vietnã que as minorias se deram conta do grande projeto de unidade nacional, mas tiveram que decorrer três décadas de guerra, frente à reocupação francesa e a agressão estadunidense para poder se retomar a tarefa integradora.
Conseguida a libertação e reunificação do país, as instituições científicas estiveram em condições de produzir um primeiro mapa de composição dos grupos com suas peculiaridades que se mostra no Museu Etnológico em Hanói, um dos lugares de maior participação de visitantes e estudiosos por toda a informação esclarecedora que oferece.
Uns são de origem autóctone como os viet ou khan e outros resultados de antigas migrações da China, Birmânia, Indonésia e Polinésia, localizados em áreas pontuais do conjunto territorial, mas também alguns deles praticando nomadismo, que apresentam marcadas diversidades junto com similitudes.
As investigações publicadas em 1979 identificaram detalhadamente diferentes dialetos, estilos construtivos de moradias com materiais da natureza, organizações produtivas, sistemas comunitários e divisões de classes ou linhagens, regras matrimoniais e funerárias, predomínio de sociedades patriarcais e umas poucas matriarcais.
Suas cosmogonias foram tão variadas como as práticas animistas e totêmicas, a crença em gênios espirituais reitores e antepassados acompanhantes, budismo, taoismo e bramanismo.
Ao próprio tempo na quase totalidade dos grupos étnicos aprecia-se uma riqueza de vestuários, adornos e cerimônias que as entidades culturais potencializam e enaltecem, em alguns casos para promover sua certificação como patrimônio intangível da nação e da humanidade.
Desde o começo dos esforços integradores, o Estado reconheceu constitucionalmente o pleno direito como cidadãos do país aos pertencentes às minorias que contam com representantes nos diferentes níveis de poder e em todas as posições do partido e da administração pública.
Na nona legislatura da Assembleia Nacional, em 2010, seus deputados ocupavam 16 por cento das cadeiras, diferentemente dos 10 por cento na primeira e ligado a este órgão o Conselho de Minoria Étnica zela pela implementação da política de nacionalidades.
Durante a última década, o governo empreendeu múltiplas ações que priorizaram investimentos socioeconômicos e de desenvolvimento cultural, propiciatórias da criação gradual de redes de transporte em isoladas áreas montanhosas, centros educações e de serviços médicos em muitos lugares e a introdução de sistemas de irrigação.
Mas os executores desses projetos assinalam que conquanto melhoraram os rendimentos dos agricultores ao inseri-los no circuito comercial, se abandonou o fornecimento que proporcionavam de artesanatos têxteis, cerâmicas e bambu.
Com a presença de ativistas viet e o apoio de órgãos locais, conseguiu-se eliminar ou reduzir em muitas etnias casais temporões, e costumes como transações nupciais, oferendas de sacrifícios por vários dias diante de urnas de mortos, cortes de cordão umbilical com faca de bambu, afiar dentes, estreitar lóbulos de orelhas, servidões por dívida e considerar noras propriedade familiar, entre outras.
Muitas práticas dessa índole foram abolidas graças à melhoria da vida econômica e social, do mesmo modo que outras relativas à saúde.
Nisso interagiu em medida considerável a extensão da educação primária, seguida depois da introdução paulatina nas comunidades de centros secundários e vocacionais, que ensinam em vietnamita e línguas vernáculas, aos que se somaram colégios regionais superiores para facilitar o acesso de jovens às universidades.
Simultaneamente realizaram-se sistemáticas investigações sobre a literatura popular e a arte folclórica das minorias étnicas que ganharam atenção pública. Importantes investimentos fizeram-se em compilar, traduzir e interpretar os costumes, registros históricos e mitos, bem como na restauração e apresentação em festivais de instrumentos musicais, cantos e dança.
No entanto ainda ficam regiões remotas e isoladas de minorias étnicas atrasadas, às que se referiu insatisfeito o último Congresso do Partido Comunista com a convicção expressada de que muitos dos problemas prevalecentes ali só podem ser resolvidos com paciência e concorrência, e o esforço das populações locais.
No começo de 2014, o primeiro-ministro Nguyen Tan Dung destacou a importância de seguir melhorando a vida das minorias étnicas do país com um renovado impulso à política em vigor de atenção preferencial em favor de seus progressos e bem-estar.
O que se resume em criar condições a todos esses grupos para integrar a comunidade nacional ao mesmo tempo que conservem suas próprias identidades com o horizonte de 2020 em perspectiva.
texto e foto do portal Prensa Latina

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