12 de jul de 2016

Renda de Bilro - Brasi


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Renda de Bilro

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É só passearmos pela Lagoa da Conceição que encontramos um monte daquelas senhoras simpáticas costurando em uma grande almofada. Os vários pauzinhos que parecem exigir centenas de dedos de quem os manuseia são os bilros. Com esses instrumentos e a técnica passada por gerações, as rendeiras fazem seus pontos no ar, sem precisarem de um tecido como base, o que diferencia a renda de bilro das demais modalidades de bordados. Entre as rendas mais conhecidas, produzidas na Ilha, estão a “Maria Morena” e a “Tramoia”, ou renda de sete pares, que é considerada um produto típico de Santa Catarina, produzida principalmente por artesãs do Ribeirão da IlhaSanto Antônio de Lisboa e da Lagoa da Conceição.
Essa técnica não tem uma origem certa, mas há pesquisadores que dizem ter surgido no século XV, em Flandres, na Bélgica, de onde se espalhou pela Europa, principalmente Itália e França, até chegar a Portugal e ao Arquipélago dos Açores, maiores centros de produções.
No Brasil, trouxeram a especialidade de fazer renda para enfeitar trajes e alfaias da igreja, além de toalhas, cortinas, lençóis e peças de vestuário dos nobres. Na Ilha de Santa Catarina, a renda de bilro foi influência dos primeiros açorianos que se instalaram nos municípios do litoral, chegando na antiga Desterro em 6 de janeiro de 1748.
Sobrevivência naqueles tempos eram homens trabalhando longos períodos na pesca, com redes artesanais, e mulheres tecendo os fios nas almofadas de bilro, para serem vendidas no mercado ou trocadas por produtos de necessidade básica, ajudando no orçamento familiar. Dessa tradição cultural passada pelas gerações, criou-se o ditado popular “onde há rede, há renda”.
Fazer renda de bilro é uma arte tão admirada por aqui que ganhou um dia especial. Em homenagem à história preservada que veio dos Açores e está até hoje na nossa realidade, 21 de Outubro é o Dia Municipal da Rendeira. E para que essa tradição seja mantida, a Fundação Franklin Cascaes mantém um núcleo de oficinas de renda de bilro no Centro Cultural Bento Silvério, desde 1990, localizado na Lagoa da Conceição.
Centro de Referência da Renda de Bilro
Para preservar atividades culturais no Brasil, o Ministério da Cultura criou o Promoart, um programa que percorreu o país para conhecer e valorizar as manifestações culturais. Em Santa Catarina foram escolhidos para representar a cultura catarinense a renda de bilro de Florianópolis e o bordado Ucraniano de Itaiópolis.
O Centro de Referência da Renda de Bilro é fruto de uma parceria entre Promoart, a prefeitura de Florianópolis e a Casa dos Açores, pois foi constatado que Florianópolis tem o maior número de rendeiras do Sul do Brasil, justificando a criação do Centro. Hoje ele oferece aos visitantes do Casarão da Lagoa, sede do Centro de Referência da Renda de Bilro na Lagoa da Conceição, uma exposição permanente com trabalhos das rendeiras de Florianópolis, uma pequena loja com itens de rendas de bilro, desde decoração a vestuário, uma biblioteca e um centro museográfico com acervo de fotos, vídeos e livros. As atividades do Centro de Referência da Renda de Bilro não ficam restritas ao Casarão da Lagoa, outras comunidades como SambaquiPântano do SulRio Vermelho e Estreito são beneficiadas com oficinas de renda de bilro e um curso de gestão para as rendeiras.
As oficinas oferecidas são ministradas pelas próprias rendeiras que ensinam as formas de fazer o pique – molde utilizado com o desenho da renda – e como fazer pontos em almofadas e assim preservar o artesanato que chegou à Ilha de Santa Catarina no século XVIII. A prefeitura de Florianópolis remunera as rendeiras que vão orientar os alunos e as oficinas são gratuitas.
Outro serviço oferecido pelo projeto é o curso de gestão direcionado às rendeiras que têm o bilro como fonte de renda, pois mostrou a viabilidade de produção de renda de bilro em grupo, o que facilita o trabalho das rendeiras quando há uma grande encomenda.
Em 2011, quando os pesquisadores do Centro de Referência da Renda de Bilro começaram a contagem de rendeiras em Florianópolis foram estimadas cerca de 500 rendeiras. Os pesquisadores conseguiram cadastrar 250 rendeiras. Esses cadastros estão arquivados na Fundação Franklin Cascaes, onde servirão de fonte de pesquisa para os interessados.
Endereço
Centro Cultural Bento Silvério – Casarão da Lagoa – Rua Henrique Veras do Nascimento, 50 – Lagoa da Conceição.
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