15 de ago de 2017

Bancada ruralista quer CPMI do Endividamento Agrícola e mais perdão de dívidas. - Editor - GOLPISTA SEGUE A RISCA A LETRA DA MÚSICA "PERDÃO FEITO PRÁ GENTE PEDIR". CABE NAS URNAS "ATIRAR A PRIMEIRA PEDRA NA CANDIDATURA DESSES GOLPISTAS, REJEITANDO-OS E MANDANDO-OS PARA CASA.

- 0 comentários

Bancada ruralista quer CPMI do Endividamento Agrícola e mais perdão de dívidas


Comissão foi proposta por Jerônimo Goergen (PP-RS), um dos coordenadores na Frente Parlamentar da Agropecuária; MP do Funrural já tem 745 emendas no Congresso
O governo está perdoando demais as dívidas no setor agropecuário? Não para o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), coordenador da Comissão de Direito de Propriedade da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). O deputado descreve em seu site um quadro alarmante no agronegócio. “O motor da economia nacional está prestes a fundir”, diz ele. Uma das soluções? Mais perdão de dívidas.
Para isso ele propõe a criação da CPMI do Endividamento Agrícola, “como forma de levantar a real situação enfrentada pelo setor e propor saídas para a grave crise econômica”. Goergen conta que a proposta nasceu de uma reunião com representantes dos sindicatos rurais da região sul do Rio Grande do Sul. “A rentabilidade caiu pela metade em algumas atividades, o custo de produção aumentou e as dívidas atingiram níveis estratosféricos”, descreve o deputado.
Segundo Goergen, o endividamento “só aumenta”, apesar dos programas de renegociação de dívidas. “Muitos já têm dificuldades em acessar os benefícios, porque estão comprometidos com programas anteriores”, aponta. “E isso tem repercutindo na hora de tomar financiamentos, porque já não podem assumir novos compromissos. Isso é muito sério e essa bolha vai estourar a qualquer momento”.

Goergen votou contra arquivamento da denúncia contra Temer. (Foto: Agência Câmara)

ENXURRADA DE EMENDAS
A Medida Provisória que refinanciou o Funrural não foi suficiente, diz o coordenador na FPA. O governo perdoou até R$ 10 bilhões em dívidas. E alongou o pagamento das dívidas restantes até 2032, com redução de 100% dos juros e até 25% das multas. Mesmo assim, Goergen aponta que o governo está “em busca de arrecadação e não percebe que o produtor não tem dinheiro para atender”.
Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária, a MP do Funrural já recebeu 745 emendas no Congresso. A instituição, que representa o agronegócio, considera que o texto está “longe de atender as demandas do setor produtivo”. Por isso a MP será um dos temas da reunião-almoço da bancada, nesta terça-feira, na mansão do lago sul em Brasília. Os deputados querem que o pagamento das dívidas comece no dia 29 de dezembro, e não no dia 29 de setembro, como prevê a medida. E que a entrada seja de somente 1% do valor da dívida, e não 4%.
O presidente da FPA, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) [na foto principal, com Temer] também quer isenção do PIS-Cofins na cadeia do óleo diesel. Ele levou caminhoneiros para Brasília para pressionar o governo federal.
INVESTIGADO
Goergen é um dos 61 deputados federais investigados na Operação Lava-Jato. Ele foi um dos mencionados pelo doleiro Alberto Youssef como um dos parlamentares do PP que receberiam uma “mesada” entre R$ 30 mil e R$ 50 mil para participar em esquema de corrupção na Petrobras. O deputado disse ao observatório que não há provas e o processo tende a ser arquivado.
“Infelizmente a investigação é realidade”, afirmou Goergen. “Depois de dois anos e meio, estou na expectativa de que seja arquivado, porque não pratiquei nenhuma ilegalidade. Eu não era nem deputado federal no período que isso acontecia com alguns membros da bancada, eu era deputado estadual.”
Goergen foi um dos que votaram contra o arquivamento da investigação, por corrupção passiva, do presidente Michel Temer, no dia 2 de agosto. Outro deputado do PP gaúcho, Luis Carlos Heinze, e muito influente na FPA, investigado no mesmo inquérito da Lava-Jato, o 3989,  também votou contra Temer.
“Votei contra o arquivamento porque achei que devia ser coerente”, afirmou Goergen ao De Olho nos Ruralistas. “Preguei no episódio do impeachment que não deveria ninguém estar acima da lei. Não havia nenhuma razão para deixar outra pessoa protegida. Estamos num momento em que ninguém pode ter dúvida”.
[Continue reading...]

Alternativas: as casas comunitárias de Berlim. - Editor- PELA REFORMA URBANA E CONTRA A ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA. A CIDADE PARA TODOS.

- 0 comentários

Alternativas: as casas comunitárias de Berlim






170815-Berlim
Numa cidade sob intensa especulação imobiliária, cresce também a resistência. A partir de “squats” anarquistas, avançam as cooperativas de co-habitação. Como funcionam?
Por Sarah van Gelder
“A Revolução onde você vive” [“The Revolution Where You Live”]: é este o título de um livro inspirador, que a jornalista norte-americana Sarah van Gelder acaba de lançar. O objetivo está escancarado no título. Sarah, que edita a revista eletrônica “Yes”, pensa que estão se multiplicando, em todo o mundo, lógicas anticapitalistas para enfrentar problemas com que as comunidades se deparam. Ela está empenhada em relatar estes experimentos que as mídias convencionais escondem e que, para ela, são parte de uma revolução do quotidiano.
Há dois anos, em agosto de 2015, Sarah começou uma longa jornada pelos EUA: sozinha, viajou num minitrailler por 18 estados, 5 Reservas de Nativos Americanos e cerca de 12 cidades ou pequenos municípios, cobrindo cerca de 7 mil quilômetros. Parti em busca de esperança. Estava profundamente preocupada com a crise climática, a desigualdade e exclusão racial, sérias divisões partidárias e corrupção dos endinheirados. Parecia que nossa sociedade ia simplesmente desmoronar. Voltei acreditando que temos o que precisamos para conseguir muito mais coisas. Na verdade, encontrei enorme inteligência, criatividade e energia construtiva nas classes populares, e conheci gente que estava descobrindo seu próprio poder a alcançando progressos notáveis”, diz ela.
TEXTO-MEIO
Outras Palavras passa a publicar os textos de Sarah, escritos no transcurso de das viagens que faz pelo mundo dando palestras. A primeira, que relatamos a seguir, é sobre a luta por moradia em Berlim, assaltada pela especulação imobiliária, em ocupações que jovens, artistas, professores e outros transformaram em criativa vida comunitária. (Inês Castilho).
__
San Francisco costumava ser famosa por sua cultura tolerante e criativa. Hoje, é mais famosa por seu custo de vida astronômico; o aluguel médio para um apartamento de um dormitório, no início deste ano, era R$ 10,7 mil (U$ 3.368). Cidades com arte, música e cenas sociais vibrantes estão sendo duramente impactadas pela gentrificação. O padrão se repete em cidades por todo canto. Artistas, jovens, ativistas, agricultores urbanos e pequenos empresários começam a revitalizar uma cidade. Então chegam os especuladores imobiliários. Tanto os antigos moradores quanto os que criaram os novos cenários são expulsos, deixando a cidade apenas para os super ricos – e os novos sem-teto.
Mas esse não é o único futuro possível para uma cidade badalada, e Berlim é um caso exemplar. Há anos, anarquistas ocupam prédios abandonados e terrenos vazios. Cooperativas e outros arranjos de vida compartilhada oferecem opções acessíveis. Movimentos sociais emergiram para proteger essas iniciativas e combater o deslocamento de residentes pobres e de classe média.
img_6027cropped
Durante uma viagem para palestras na Alemanha visitei Spreefeld, uma cooperativa de habitação construida no centro de Berlim. A comunidade, livre de carros, está localizada no Rio Spree. Mas ao invés de reservar apenas aos residentes o acesso, os criadores incluiram maneiras de convidar o público a caminhar pelo terreno. Os moradores trabalham junto com uma ocupação vizinha chamada Teepee Land para facilitar o acesso do público ao rio e a ambas as comunidades. A cooperativa gastou anos convencendo a prefeitura a permitir a plantação de uma horta comunitária ao longo da calçada junto ao rio, ali perto. Os membros da cooperativa esperam que o conceito, se funcionar, possa ser replicado em outros trechos da calçada.
O modelo Spreefeld vem do que o autor e urbanista Michael LaFond chama de “cultura de co-habitação (co-housing)”. LaFond, fundador do Instituto para Sustentabilidade Criativa, um norte-americano que vive em Berlim, ajudou a fundar Spreefeld e vive lá agora.
As cooperativas têm uma história que remonta à metado do século XIX em Berlin, conta LaFond. Ele estima que cerca de 250 a 300 ocupações existiram em algum momento nos anos 1970, tanto na parte leste como na oeste de Berlim. Pessoas jovens, especialmente anarquistas, ocuparam prédios vazios como um modo de graça ou gastanto muito pouco, e de proteger os edifícios da cidade contra demolição a pretexto de “renovação urbana”. O movimento tornou-se suficientemente poderoso para impedir a prefeitura de expulsar os ocupantes facilmente. Ao contrário: a administração municipal trabalhou com as ocupações para comprar as propriedades de proprietários ausentes e ofereceu financiamento para quem quisesse recuperar os prédios.
Muitas dessas ex-oocupações são agora cooperativas.
Os fundadores de Spreefeld foram influenciados por essa cultura da autoajuda e pelo modelo escandinavo de co-habitação que ajudou a lançar um movimento semelhante nos Estados Unidos. Mas os residentes de Spreefeld também acrescentaram suas próprias ideias.
LaFond me convidou para almoçar no cozinha comum, que serve as 21 unidades de seu edifício.
Quando você volta para casa no final da tarde, há comida na mesa e no forno”, disse. “Com frequência encontra pessoas sentadas aqui nesta grande mesa; pode sentar, conversar e relaxar no fim do dia.”
img_6097-cropped
Os dois primeiros andares desses prédios são dedicados ao uso público e da comunidade. Há espaços de trabalho para co-working, workshops e galerias. Uma creche atrai famílias da vizinhança. Espaços para música, yoga e dança estão disponíveis para membros da comunidade e o público em geral, assim como uma cozinha, um amplo espaço para reuniões e uma marcenaria.
Algumas partes do edifício podem mudar conforme mudam as necessidades. Quando houve a recente crise dos refugiados, os moradores converteram dois espaços em apartamentos para acolher duas famílias recém-chegadas.
Entre os residentes há professores, trabalhadores em saúde, artistas e administradores de pequenos negócios e ONGs, muitos dos quais teriam dificuldade de encontrar moradia acessível se não vivessem em Spreefeld. Alguns mantêm os custos mais baixos escolhendo pequenos espaços privados e usando as cozinhas e banheiros comunitários, enquanto os que têm melhor renda procuram modos de ajudar a cobrir despesas que podem ser um peso para seus vizinhos.
http://outraspalavras.net/destaques/alternativas-as-casas-comunitarias-de-berlim/
[Continue reading...]

Jornais tentam desqualificar livro dos juristas para defender Moro, parceiro do golpe. Por Joaquim de Carvalho. - Editor - O QUE FOI MAIS DESQUALIFICADO NO BRASIL, NESSE TEMPO DE GOLPE, PERSEGUIÇÃO, DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS, FOI O JUDICIÁRIO, BOA PARTE DELE, QUE POR MEDO E RECEIO, ERA DESQUALIFICADO POR IMENSA MAIORIA DO POVO A BOCA PEQUENA. POLITIZAR A JUSTIÇA É MANIETÁ-LA

- 0 comentários



Jornais tentam desqualificar livro dos juristas para defender Moro, parceiro do golpe. Por Joaquim de Carvalho

 


Auditório lotado, no lançamento que desconstrói o herói da mídia: foto que você não vê nos jornais

A reportagem do Estadão sobre o lançamento do livro “Comentários a uma sentença anunciada – O Processo Lula”, ocorrida ontem na PUC, chama de “juristas políticos do PT” os autores da obra que analisa a decisão de Sérgio Moro que condenou o ex-presidente a nove anos e meio de prisão — mesmo sem prova do crime. Eles faziam parte do público, juntamente com advogados e estudantes.
Havia políticos lá, como José Eduardo Martins Cardozo, que também leciona, e Fernando Haddad, que é formado em direito pela USP, onde também dá aula, mas na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, mas ao lado dele estavam Celso Antônio Bandeira de Mello e Pedro Serrano, juristas (ponto).
O repórter registra que uma das organizadoras, a professora Gisele Cittadino, foi questionada sobre o motivo de ter publicado o livro somente depois da sentença de Sérgio. Ora, pois, é porque se trata de uma análise da sentença do juiz Sérgio Moro. Sem ela, não haveria livro. Mas Gisele foi educada na resposta:
PUBLICIDADE
“Não é somente algo sobre o Lula. A sentença recai sobre o direito à soberania popular (pela possibilidade de tirar Lula da disputa em 2018). Neste sentido, Lula não é uma pessoa qualquer”.
A transcrição do que José Eduardo Martins Cardozo disse no lançamento do livro merece um lugar na antologia dos piores momentos do jornalismo. Diz a reportagem que José Eduardo fez referência ao papel de Saulo Ramos no governo de Getúlio Vargas, quando usou a lei de defesa dos animais para livrar um comunista argentino da prisão e do risco da tortura.
No período a que faz referência, Saulo Ramos era um adolescente. O advogado em questão era Sobral Pinto – mais tarde, bem mais tarde, na campanhas das diretas, já velhinho, lembrava que “todo poder emana do povo e, em seu nome, é exercido” – e o preso político, Luís Carlos Prestes – o Cavaleiro da Esperança. Prestes tinha passado um tempo exilado na Argentina, mas era brasileiro.
Erros podem acontecer, mas, em algumas situações na velha imprensa, isso é o que menos conta. Pelo tom da reportagem, o compromisso do repórter não era mesmo com a precisão. Era para defender o herói construído com a ajuda do Estadão, Sérgio Moro.
“Os oradores se revezaram durante mais de duas horas em críticas aos supostos abusos da Lava Jato e ao juiz Moro, sob o argumento de que faltam provas contra o petista”, escreveu.
PUBLICIDADE
Segundo ele, a denúncia dos “supostos abusos” é “uma das plataformas escolhidas por Lula e pelo partido para fazer a defesa do petista na Lava Jato e defender o direito de o ex-presidente disputar a eleição presidencial do ano que vem”.
Cento e vinte e dois operadores e pensadores do direito a serviço do PT, inclusive Alberto Toron, que entre outros defende Aécio Neves, ou Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que tem 18 clientes na Lava Jato, entre eles os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Romero Jucá (PMDB-RR).
Para a velha imprensa, parece não haver a mais remota possibilidade de se tratar, efetivamente, de uma reação legítima da advocacia ao desequilíbrio que a ação de Moro na Lava Jato evidencia.
Por que, em vez de adjetivos, não se analisam os textos publicados?
A cobertura da Folha não tem erros grosseiros. Mas o título mostra a que se presta: “Advogados atacam Moro e Lava Jato em lançamento de livro pró-Lula”.
É também a defesa de um herói construído em meio a uma disputa política que resultou no golpe de 2016.
Como lembrou o advogado Toron, Moro teve um papel decisivo no processo que tirou Dilma do Planalto, ao divulgar interceptação telefônica ilegal. “Ele foi um juiz a favor do golpe. Não foi mera casualidade”, disse.
A velha imprensa, ao tentar desqualificar o trabalho de mais de uma centena de profissionais do direito, faz  agora o que é próprio de uma quadrilha: defende o parceiro.


Autores reunidos

.x.x.x.
PS: os jornais publicam duas fotos parecidas, com José Eduardo Cardozo discursando – a mensagem que querem passar é a mesma, o de livro político. Nesta reportagem, publico duas fotos que encontrei no Facebook, uma do auditório lotado e outra de alguns dos autores reunidos. Retratam melhor o fato ocorrido na PUC, o resto é propaganda política para defender Moro.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/jornais-tentam-desqualificar-livro-dos-juristas-para-defender-moro-parceiro-do-golpe-por-joaquim-de-carvalho/
[Continue reading...]

Dirceu responde a "o que fazer?" - Editor - UNIÃO NACIONAL CONTRA OS RETROCESSOS, CONTRA OS GOLPISTAS, REATIVANDO A DEMOCRACIA POPULAR LEGÍTIMA. UNIÃO, MAIS UNIÃO COM MUITA UNIÃO.. O POVO NO PODER PELAS URNAS. FORA ELITES. FORA GOLPISTAS. FORA CORRUPTOS. NA SUA MÃO, JUNTO A URNA, DERRUBAMOS A DISFARÇADA DITADURA DAS ELITES.

- 0 comentários

Dirceu responde a "o que fazer?"

Lula-2018 não resolve tudo!
publicado 15/08/2017
Dirceu.jpg
⁠⁠⁠⁠⁠Dialogar com os jovens!
Conversa Afiada reproduz artigo de José Dirceu:
Companheiros da Disparada e do Balaio, jovens estudantes e alguns já profissionais, visitaram me em Passa Quatro no mês passado e passamos o dia pensando e sonhando com o Brasil e nosso povo, sua história e luta. Impressionado com a vontade política de luta e combate deles com suas vitórias no movimento estudantil, a dedicação ao debate, estudo e a pesquisa, me senti no dever de dialogar com eles expondo minhas angústias e dúvidas e minhas apreensões...
Para onde vamos e como? Eis uma pergunta que insiste em me atormentar nos últimos meses. Mesmo sabendo de minhas limitações políticas e pessoais, ouso responder com outras perguntas e algumas respostas.

Temos forças políticas e sociais para, no curto prazo, retomar o governo e realizar as reformas estruturais que o país demanda para sair da atual crise sem abrir mão da democracia, soberania nacional, projeto nacional e Estado de bem-estar social? E também sem regredir a um passado não muito distante onde o crescimento sempre foi sinônimo de concentração de renda e aumento da pobreza, do autoritarismo e conservadorismo, quando não da violência aberta e “legalizada” do Estado em nome democracia ou da luta contra o comunismo e a corrupção?

Sabemos o que fazer com o país e suas consequências, temos consciência do que são capazes as forças reacionárias e de direita? Aprendemos com a experiência do golpe contra a presidenta Dilma e da perseguição implacável e violenta contra o PT e Lula nos últimos três anos? O país tem condições de manter as políticas públicas sociais e a distribuição de renda sem realizar reformas estruturais como a do sistema bancário e financeiro, a tributária, a política, a do Estado e a sensível e explosiva dos meios de comunicação?

Teremos forças policias organizadas e mobilizadas, maioria parlamentar e hegemonia política na sociedade para realizar tais mudanças ou seremos constrangidos a administrar, para eles, a atual crise mesmo buscando manter determinadas políticas sociais – ao menos aquelas que restarem frente ao desmonte já realizado pelo usurpador?

Que vale a pena e devemos disputar o governo e Lula ser candidato, não resta dúvida. Mas essa não é a questão e sim com qual programa e com que objetivos, para além de resgatar seu legado e a democracia, o pacto constitucional e social rasgado pelos golpistas.

O que estamos fazendo para aumentar o nível político, cultural e de organização de nossas bases sociais e dos trabalhadores? Que mudanças estamos fazendo no PT e nos movimentos onde temos incidência para a nova conjuntura que enfrentamos? Avaliamos que nada mudou no Brasil e que teremos eleições normais em 2018 e o vencedor tomará posse e realizará sua política sem oposição ou teremos e esperamos novas tentativas de golpe e sabotagem aberta como a que levou a queda de Dilma e ao atual desastre econômica e social?

Por que não consolidamos a Frente Brasil Popular e criamos núcleos políticos e sedes, espaços para debates, mobilização, ações culturais e sociais, para ampliar a oposição ao golpe e ao governo Temer, as suas contra reformas e políticas visando retornar o Brasil a um simples país de linha auxiliar da política de Washington?

Como contrabalançar e contra-atacar a ofensiva liberal política, cultural e ideológica, via meios de comunicação? Qual perspectiva que apresentamos para a juventude mobilizada e na luta, para as inúmeras iniciativas de diferentes setores de oposição fora de nosso espaço sindical e social, da CUT, MST, MTST e tantos outros, como o Levante, a Consulta Popular, o Fora do Eixo, as Frentes Democráticas de Juristas e Advogados, as iniciativas culturais e o crescimento do movimento estudantil anti-Temer e Golpe?

O PT no seu recente congresso uniu-se em torno do Fora Temer, Diretas, Lula presidente, mas a realidade é outra: caminha para o fica Temer e eleições em 18. O que fazer?

Temos pouco tempo para as eleições de 18 e o suficiente para o médio prazo. A questão é combinar as duas tarefas e ações a curto e longo prazos, ir acumulando forças e elevando o nível político e de organização, inclusive para resistir à repressão e às ações paramilitares já presentes na atuação da direita, mudando nosso modo de agir e de organização, adaptando-nos para a essa nova fase da luta política no país e tendo consciência que não podemos e não devemos subestimar a direita ou desconhecer as mudanças no seu modo de agir e atuar. Ter ciência do ódio que a move e sua decisão de não apenas nos derrotar, mas sim nos destruir como força política e social, como partido e consciência política, memória histórica e, principalmente, como legado e conquista de direitos sociais e políticos pelo povo trabalhador e resgate da dignidade e soberania nacional.

Há outras questões não menos importantes, como nossas relações com a esquerda, os movimentos, as outras candidaturas - seja de Ciro Gomes ou outras que venham a surgir. Nossa experiência nos ensina que devemos, a partir de definições objetivas e claras sobre o que queremos, estarmos abertos ao diálogo e principalmente ao trabalho comum na Frente Brasil Popular e mesmo na Frente Povo Sem Medo. Isso independe do cenário de 2018, de uma possível candidatura de Guilherme Boulos ou ainda da criação ou não de um novo partido de esquerda com ou sem setores do PT. Temos força e experiência suficientes, já sofremos derrotas suficientes para não nos iludirmos sobre nossas reais forças e possibilidades, mas também para termos consciência de nosso papel e força e de nossa capacidade de luta.

Há uma plataforma comum que nos une contra Temer e o Golpe, pela democracia e um programa mínimo não apenas contra as atuais reformas, mas a favor de mudanças estruturais no país. Há consenso de que não podemos governar o país e atender as demandas populares sem quebrar os ovos do sistema financeiro, do rentismo, da concentração de renda, riqueza e propriedade, da estrutura tributária e da atual organização política e institucional do país. Ou será que não é consenso, daí a resistência de determinados setores ao programa da FBP e as idas e vindas dentro do parlamento de nossas bancadas nas relações com setores da situação e mesmo com o governo Temer ou com o presidente da Câmara no debate sobre diretas e das indiretas?

Nossa resistência ao Golpe e às reformas de Temer prova que temos capacidade de luta e mobilização, mas também expõe nossas limitações e fraquezas e nos convoca a superá-las, mesmo diante do tempo curto. Logo estaremos em plena sucessão presidencial e nos Estados, com todas as consequências de uma disputa eleitoral, agravadas pelo risco de Lula ser impugnado como candidato e o Congresso Nacional aprovar uma reforma política contra nós.

Devemos ter consciência que nossa vitória depende do crescimento de um amplo movimento de oposição pluralista, com total liberdade de iniciativas mas com um centro e uma direção orgânica, para a luta e o combate, com um sentimento e um impulso de dialogar e debater, enfrentar a ofensiva ideológica, cultural e política da direita, ir além da denúncia - mais do que necessária - das ilegalidades e arbitrariedades do aparelho policial-judicial e apresentando nossas propostas de mudanças e resgatando nosso legado.

A certeza de nosso crescimento vem do fato que nunca antes nesse país um golpe como o que foi dado durou tão pouco tempo, sendo hoje repudiado por mais de 95% da população que exige eleições gerais e o fim das contra reformas. Essa é nossa maior vitória política. Mas atenção: não significa apoio a nós ou às nossas propostas a não ser que a conquistemos na luta e na disputa política e na ação política que é, na essência, a razão de ser de um partido ou de um movimento e foi e deve ser a única razão de ser do PT, que foi criado exatamente para que os trabalhadores deixassem de ser objetos da política para serem autores e atores das transformações sociais, econômicas, política e culturais a seu favor.
https://www.conversaafiada.com.br/brasil/dirceu-responde-a-o-que-fazer
[Continue reading...]
 
Copyright © . ODTUR - Otavio Demasi: Turismo e Políticas Públicas - Posts · Comments
Theme Template by BTDesigner · Powered by Blogger