
O jornalista Zé Beto Maciel encaminhou ao pré-candidato a deputado federal Zeca Dirceu (PT) o projeto de recuperação histórica do Caminho do Peabiru, o projeto Travessias.
A ideia foi iniciada diversas vezes em alguns municípios cortados pela antiga estrada dos indígenas e está sendo retomada pelo Correio do Litoral.com a partir de uma pesquisa para rever o local exato da sua “porta de entrada”. A polêmica em si já é um incentivo à divulgação do caminho e à realização de um roteiro turístico em todo seu trajeto com destaque para Garuva, Guaratuba e Tijucas do Sul.
De acordo com a jornalista Fernanda de Aquino, colaboradora do Correio na coluna “Correio de S. Chico”, o início do Caminho do Peabiru em Santa Catarina pode não ser o rio Itapocu em Barra Velha como sempre se pensou, mas sim o rio Três Barras, em Garuva. Fernanda cita diversos estudos recentes com esta conclusão.
Quem levantou essa questão é o autor joinvilense Olavo Raul Quandt. Em seu livro Cabeza de Vaca e o Peabiru, lançado em 2007, Quandt garante desfazer o equívoco na historiografia sobre o tema, que coloca a atual rio Itapocu, em Barra Velha como início da caminhada dos desbravadores da coroa espanhola no século XVI em busca das minas de prata ou minas de Potosi, na Bolívia, e particularmente do famoso adelantado espanhol Alvar Nuñes Cabeza de Vaca em direção à Assunção, capital do Paraguai, em 1542.
Para Quandt, o Caminho Velho – como é chamado esse trecho inicial do Caminho, desde a Baia da Babitonga até o Paraná – “é o único e verdadeiro Caminho do Peabiru em Santa Catarina”!
Tijucas do Sul
Pesquisas recentes de estudiosos sobre o complexo e ainda nebuloso assunto, confirmam a teoria do Caminho Velho de Quandt.
A secretária de Turismo de Tijucas do Sul, Jane Beatriz Dissenha Fagundes, Deise Suzana Claudino de Oliveira e o professor José Hamilton Claudino, em suas monografias defendem o Caminho dos Ambrósios, entre Tijucas do Sul (PR) e Garuva (SC), como sendo o autêntico início da longa caminhada de Cabeza de Vaca. O resultado dessas pesquisas, nas quais foram percorridos cerca de 54 quilômetros através de matas, vales e abismos, resultou numa proposta de revitalização do Caminho dos Ambrósios como etapa inicial do Caminho de Peabiru que leva até o Peru.
História e misticismo: turismo
O Caminho do Peabiru foi a mais importante estrada indígena interoceânica da América do Sul pré-colombiana, usada pelos guaranis, incas e outros povos. Ia do Atlântico ao Pacífico, do Brasil ao Peru, incluindo Bolívia e Paraguai, cortando o continente por quase quatro mil quilômetros e tinha diversos ramais em outros estados e países. Têm, ainda, um caráter místico.
Para os esotéricos, o Caminho Velho, por exemplo, é considerado um dos principais pontos energéticos do planeta. Criado em 2007, o Parque Natural Caminho do Peabiru, em Barra Velha, tem uma área de 4.285.300 metros quadrados e almeja ser declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.
Em seu livro História do Caminho do Peabiru, com uma bibliografia de mais de 400 fontes, a jornalista Rosana Bond, que estudou o Peabiru por 14 anos, também levanta a tese de que tudo pode ter começado na Baia da Babitonga, no rio Três Barras.
Projeto Travessias
O pesquisador Ricardo Gomes Moreira mergulhou fundo nessa história e, convencido da veracidade dos documentos analisados, elaborou o Projeto Travessias – Caminhos do Peabiru. A ideia é criar um roteiro de turismo no trecho do Peabiru em Joinville (SC), Garuva, a área rural de Guaratuba e Tijucas do Sul (PR), onde seria desenvolvido – através do turismo sustentável – um importante resgate histórico e ainda, segundo Moreira, “corrigir um erro de informação antigo”.
Baía da Babitonga
Mesmo com toda a óbvia resistência local, a nova ideia avança a passos largos. Os defensores da velha teoria já admitem haver pesquisas que demonstram que o único Caminho do Peabiru em Santa Catarina era feito apenas a partir da Baía da Babitonga, entrando pela Baía do Palmital e chegando ao riacho chamado rio Três Barras, seguindo paralelamente a este riacho por terra pela atual fazenda de Três Barras (hoje Pirabeiraba em Joinville), continuando em direção aos pés da serra do Quirirí (hoje nos limites intermunicipais de Garuva com Campo Alegre e também com a divisa com o Paraná), subindo pela trilha do Monte Crista e caminhando pelos altiplanos pelos Campos do Quirirí (Icrín, Iqueririm, Iquerí ou Iquirí) e nos Campos dos Ambrósios já no estado do Paraná. Este caminho era chamado antigamente pelos tropeiros do século XVIII de “Caminho Velho”.
No entanto, ainda defendem que o “Caminho Velho” interligava apenas a região de São José dos Pinhais-PR com a região de São Francisco do Sul-SC, sendo considerado como um caminho alternativo do Peabiru parananense!
Foto: Sambaki na Rede
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