Bumba-meu-boi e Tambor de Crioula, do Maranhão para o mundo
Ao embarcar para São Luís, no Maranhão, levo muitas recomendações na bagagem: “ouça reggae”, “coma Arroz do Cuxá”, “visite o centro histórico”... Mas a principal delas: “não deixe, por nada, de ver o Tambor de Crioula”. Trata-se de uma dança tipicamente maranhense de uma energia tão contagiante que qualquer pessoa entra êxtase ao se deparar com a força do tambor e a leveza dos movimentos mulheres que dançam.
Por Mariana Serafini
Divulgação/Sec de Cultura do Maranhão
No Tambor de Crioula, as mulheres comandam a roda
Sim, o Tambor é uma dança de mulheres! São elas que dominam a roda com suas saias coloridas e esvoaçantes. Os movimentos leves, mas ágeis, parecem um balé que não nasceu nos grandes teatros, mas nos terrenos de chão batido habitados pelos trabalhadores negros.
No Tambor de Crioula, as mulheres comandam a rodaReconhecido em 2007 como Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Tambor de Crioula do Maranhão é uma expressão cultural genuinamente maranhense de matriz afro-brasileira expressa por meio da dança, canto e percussão de tambores.

Este é o momento da "punga", quando quem está no centro da roda escolhe a próxima mulher para dançar
A roda de tambor é um espetáculo repleto de cores e tecidos fluídos. Além das saias coloridas, normalmente produzidas de chita, as mulheres usam blusas brancas muito amplas adornadas por rendas, colares, flores nos cabelos e turbantes, uma explosão de cores e texturas. Já aos homens, responsáveis por tocar o tambor, cabe uma indumentária mais sóbria, apenas uma calça escura e uma camisa larga.
Bumba-meu-boi do Maranhão
Assim como o Tambor, o Bumba-meu-boi, que é distinto do Boi-Bumbá do Norte, também é uma manifestação cultural intensa que carrega séculos de ancestralidade. Reconhecido em 2011 como Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira pelo Iphan, o Bumba-meu-boi do Maranhão é uma festa tradicional e uma celebração múltipla na qual a dança, a música, as comédias e o artesanato configuram a dança e a música como uma rica forma de expressão artística.

Essa festa tão múltipla e densa tem a arte como um dos seus elementos estruturantes e por isso apresenta muitas formas de expressão, entre elas, as coreografias, as toadas, a batucada, os autos e matanças. Tem ainda os diversos personagens tais quais as figuras do cazumbá, dos vaqueiros, do amo ou cantador, do miolo, e dos personagens indígenas, como as índias, caboclos de pena, tapuias e índios. Todos esses elementos figuram na história em torno do boi.
E para quem não entendeu a citação do Reggae no início do texto, vale destacar que São Luís é a capital do Reggae no Brasil. As referências jamaicanas estão por todos os lugares do centro histórico, considerado o maior parque de prédios históricos tombados do país. Por onde se anda, entre vielas e escadarias, há uma bandeira da Jamaica, um rosto de Bob Marley pintado na parede, ou escuta-se o rito tranquilo do cantor jamaicano vindo de uma loja, bar ou centro cultural.
Quem sai de balada à noite encontra dezenas de festas onde só se escuta Reggae, e diferente do que estamos acostumados no restante do país, no Maranhão este ritmo é dançado a dois.
E se eu puder deixar apenas um conselho, antes de começar o circuito cultural que obrigatoriamente deve ter Tambor e Reggae, coma um Arroz de Cuxá! O prato típico maranhense é facilmente encontrado em todos os restaurantes. Composto de arroz, camarão e uma erva conhecida como vinagreira, é o melhor acompanhamento para os mais variados tipos de peixe que se pode comer pelo Maranhão. Se depois disso ainda houver apetite, um sorvete de bacuri é uma ótima pedida para sobremesa.
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Com informações da Secretaria de Estado de Cultura do Maranhão
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