Com um forte chamado ao desenvolvimento urbano sustentável, a Organização das Nações Unidas adotou, no encerramento da Conferência Habitat III realizada em Quito, Equador, la Nueva Agenda Urbana com recomendações para melhorar a urbanização no mundo nos próximos 20 anos.
A Nueva Agenda Urbana é uma agenda ambiciosa que busca traçar o caminho para tornar cidades e assentamentos humanos mais inclusivos, garantindo que todos possam se beneficiar da urbanização com atenção especial para as pessoas em situações de vulnerabilidade. É uma visão de sociedades pluralistas, sustentáveis e resilientes…” Destacou Joan Clos, diretor executivo da ONU Habitat em um comunicado.
Os países devem estabelecer compromissos para cumprir a agenda, que define a atenção a cinco pontos: a necessidade de aplicar políticas de urbanização nacionais, a revisão da legislação sobre o assunto, o planejamento e desenho urbano adequados, o financiamento da urbanização e a ativação de planos de renovação interna das cidades.
Segundo a ONU, a agenda promove o direito à cidade, a densificação urbana ao invés da ampliação do perímetro da cidade, o uso misto do solo frente ao zoneamento, a preservação da paisagem e recursos naturais, e a efetivação de espaços públicos para todos.
A Conferência Habitat III contou com a participação de aproximadamente 45 mil pessoas de 167 países do mundo, como Colômbia, Estados Unidos, Equador, México, Brasil, Peru, Argentina, Espanha, Alemanha e Venezuela.
Clos destacou a participação nos debates (além dos atores naturais) da sociedade civil, academia e representantes das comunidades para enriquecer a Conferência.
Nesse sentido, foi realizado um encontro, coliderado pela Fundación Avina e Ford Foundation (no âmbito da General Assembly of Partners en Filantropía, GAP)), entre um grupo de organizações do setor filantrópico e sociedade civil com o Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, onde o tema da filantropia e a nova agenda urbana foram discutidos.
“Vi que a participação das fundações de filantropia impulsionou o processo da Habitat III e temos a expectativa de que continuem contribuindo com conhecimentos, visão, recursos, e tudo o que esteja disponível”, destacou Ban Ki-moon.
Ele também destacou o compromisso de poder continuar construindo uma parceria sólida com as fundações para realizar as determinações da nova agenda urbana.
“Tanto para as fundações como para as Nações Unidas está claro que o problema das cidades não é um problema somente dos prefeitos, dos governos, mas que essa nova agenda urbana é um desafio de toda a sociedade em seu conjunto, no qual o setor privado, a sociedade civil, as fundações e a academia têm um papel fundamental e crítico para podermos avançar na implementação desses novos acordos da nova agenda urbana”, destacou Gabriel Baracatt, diretor executivo da Fundación Avina.
A Avina, juntamente com várias organizações parceiras, teve uma participação ativa nos diferentes espaços da Conferência Habitat III.
Participamos da Mesa Redonda de Stakeholders: “Inovação e colaboração: o papel da filantropia na nova agenda urbana”, onde Baracatt esteve com Yolanda Kakabadse da WWF, Xavier Briggs da Ford Foundation,Conferência Habitat III realizada em Quito, Equador, la Nueva Agenda Urbana com recomendações para melhorar a urbanização no mundo nos próximos 20 anos., Georgia Pessoa da Fundação Roberto Marinho ,Natalie Ross do Council on Foundations, Juan Carlos Villegas da Fundação Mario Santa María, Dharitri Patnaik da Bernard Van Leer Foundation, Restu Prastiwi da Danamon Peduli Foundation, David Edwards da Prince of Wales Charitable Foundation e Ali Khan do European Foundation Centre.

Há 35 milhões de latino-americanos que estão em processos de monitoramento a partir da sociedade civil para monitorar e fazer propostas”, disse Baracatt.
O evento explorou ideias e práticas inovadoras que podem contribuir para a execução da Nova Agenda Urbana e analisou vínculos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o Acordo de Paris, além de estratégias para financiar o desenvolvimento. Os líderes do setor filantrópico compartilharam experiências e explicaram por que o setor deve cumprir a Nova Agenda Urbana, como ele pode ser mais eficiente e utilizar diferentes ferramentas inovadoras, processos e casos. O foco será a aplicação prática, o monitoramento e a execução.
Foi realizado também o Networking Event: “Inovação com Sentido, transformações urbanas para a construção de cidades mais justas na América Latina”, um evento promovido pela Avina juntamente com a Fundação Alfredo Zolezzi, CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina, Social Progress Imperative e World Transforming Tecnologies (WTT), todos integrantes da Plataforma de Inovação com Sentido.
Neste evento, foram realizados vários debates sobre Inovação com Sentido, entendida como o processo que articula inovação social, inovação tecnológica e inovação em negócios para acelerar e ampliar as mudanças sistêmicas. A convergência das três inovações aumentará a eficácia dos impactos que se pretende gerar a partir da nova agenda urbana promovida pela Conferência das Nações Unidas sobre moradia e desenvolvimento urbano sustentável, principalmente nos segmentos mais vulneráveis.
A transformação efetiva da América Latina em uma região inclusiva, sustentável e mais justa não pode ser alcançada a partir de uma sociedade dispersa, pois são necessários impactos que alcancem milhões de pessoas, fortalecendo parcerias entre as esferas pública e privada.

Construção de cidades resilientes, justas e sustentáveis. Da esquerda para a direita: Maite Rodríguez Blandón da Comissão Huairou, Adriana Turek – Citi Bank Assuntos públicos e governamentais – Argentina, Paula Ellinger da Fundación Avina (moderadora), Nohra Padilla, líder de associações de recicladores na Colômbia, Alexis Sánchez, Secretário Nacional de Água do Equador e Dari Santos, cofundadora do Engajamundo.

Troca de experiências em projetos inovadores com metas de inclusão e justiça social. Da esquerda para a direita: Zuleica Goulart, coordenadora do Programa Cidades Sustentáveis Brasil; José Morales Rodriguez, diretor nacional da Secretaria Hábitat e Assentamentos Humanos (Equador); Marcela Mondino (Fundación Avina); Juan Martín Lutteral, empresário, Argentina; Sebastián Pilo, diretor da ACIJ (Associação Civil pela Igualdade e Justiça), Argentina; e Mónica Villegas, secretária executiva do Índice de Progreso Social, Colômbia.
Também foi realizado um evento sobre Reciclagem Inclusiva: um novo paradigma para a gestão sustentável de resíduos sólidos nas cidades, organizado com a Iniciativa Regional para a Reciclagem Inclusiva (IRR).
A Avina faz parte da plataforma juntamente com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Fundo Multilateral de Investimentos do Grupo BID, Coca-Cola, PepsiCo e Rede Latino-Americana de Recicladores.
“Temos o desafio de incluir os recicladores nos sistemas de gestão de resíduos nas cidades, e particularmente o papel que cumprem nos aterros de lixo e na recuperação de materiais. Os municípios devem adotar novas políticas de fechamento de aterros que incluam os recicladores e deem a eles a oportunidade de formalização nos sistemas municipais”, disse Ricardo Valencia, diretor da IRR (terceiro da esquerda para a direita).
A IRR é uma experiência bem-sucedida. Criada há quatro anos, beneficiou recicladores de 17 países, contribuindo com novas legislações em 7 países, e capacitou cerca de 6 mil pessoas. Atualmente, a IRR está trabalhando em uma segunda fase, para ampliar resultados e atrair novos sócios nos níveis nacional, regional e global.
Além disso, houve o lançamento oficial do reporte de Cambio Climático y Ciudades no qual Carolina Zambrano da Fundación Avina destacou “o processo colaborativo no qual participaram 350 pessoas, dentre acadêmicos, cientistas e tomadores de decisão, assim como pessoas que realizam mudanças em campo. Este é um exemplo de modelos de cooperação intersetorial e entre diferentes atores para a futura execução da nova agenda urbana, do acordo de Paris e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.
A Avina também esteve presente na Habitat Village, com a coordenação de Pedro Carrasco, no espaço “La Ciudad Comestible: Biocultura y espacios públicos productivos en la Mariscal” juntamente com a Fundação ALDEA (Associação América Latina para o Desenvolvimento Alternativo), com o objetivo de contribuir para melhorar a qualidade de vida, a coesão social e a apropriação do espaço público em La Mariscal, por meio da agricultura urbana e da geração de espaços de produção comuns, promovendo a alimentação saudável e combatendo as mudanças climáticas.
Além disso, a Avina marcou presença em “Fazendo Vizinhança: devolver o espaço público para seus habitantes” juntamente com o Coletivo Urbano Itinerante (CUI), um projeto participativo dos moradores para os moradores. Em uma situação urbana muito particular, onde o espaço público perdeu seu de papel de coesão social, é fundamental repensar a cidade a partir de sua base, como um espaço de liberdade onde as relações humanas sustentem sua identidade.
Também participamos do espaço “Block by Block, Microintervenção, Módulo de interação Itinerante de participação cidadã” juntamente com a UN-Habitat, um diálogo dos cidadãos sobre possibilidades de melhorar a cidade, seu bairro e sua rua. O projeto realizou conferências, oficinas e reuniões entre especialistas em desenvolvimento da cidade e pessoas interessadas em participar, abrindo um espaço de análise sobre o desenvolvimento sustentável da cidade.
“Trocamos lições aprendidas na América Latina sobre regeneração participativa do espaço público, com o objetivo de incidir em políticas públicas e reproduzir essas experiências que aumentam a oferta de espaços públicos e a qualidade de vida na cidade”, disse Luis Miguel Artieda da Fundación Avina.
Veja uma série de vídeos con las entrevistas y testimonios Aquí en nuestro Canal de Youtube








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