20/06/2012

Projeto Oficina Escola de Lutheria do Amazonas (OELA)-Manaus

Projeto Oficina Escola de Lutheria do Amazonas (OELA) ensina como usar, de maneira responsável, recursos naturais para inclusão social por meio da fabricação de instrumentos de corda com madeira certificada - por Revista Inovação em Pauta (Finep)     
Instrumentos musicais de madeira certificada
Trabalho de conclusão de curso é a produção de um instrumento que depois é doado para a comunidade. Crédito: Divulgação
A união entre o ensino e o uso responsável de recursos naturais soa como música para famílias da região Amazônica. Essa conexão é visível em Zumbi II, bairro da periferia de Manaus, na Oficina Escola de Lutheria do Amazonas (OELA). A organização não governamental oferece cursos em que jovens de baixa renda aprendem a fabricar instrumentos de corda (luteria) com resíduos de madeira certificada, de espécies sem risco de extinção.


Além da luteria, os jovens têm aulas de iniciação musical, informática e responsabilidade ambiental. Para ingressar na oficina, os alunos devem ter entre 15 e 21 anos, ser de família de baixa renda e estar cursando ou ter concluído curso escolar, de acordo com sua faixa etária. A seleção é feita em escolas das redes municipal e estadual.
O ofício da luteria no Brasil é uma tradição antiga, restrita inicialmente às famílias de imigrantes europeus que se estabeleceram no Sul e no Sudeste, onde montaram fábricas de instrumentos. Com a competição internacional, que introduziu modelos mais baratos no mercado, a atividade estava quase extinta. Da forma como é constituída, a escola é única no mundo.
As aulas acontecem três dias por semana, quatro horas por dia. O trabalho de conclusão de curso é a manufatura de um instrumento que não fica com o aluno, é destinado à doação. Após um ano de curso, os jovens estão capacitados como aprendizes de luteria ou luthier – palavra de origem francesa que designa o profissional que fabrica instrumentos de corda de ressonância, como violões, violas e cavaquinhos.
As madeiras dos instrumentos são de espécies não nobres e não ameaçadas da Amazônia, têm certificação internacional do FSC (sigla em inglês de Conselho de Manejo Florestal), organização não governamental que promove o manejo e a certificação florestal
“Aprendemos a conviver melhor com a natureza. Antes, a gente chegava a qualquer ponto de mata, retirava as madeiras que serviam, cortava e pronto. Hoje temos responsabilidade e técnica”, explica Francisco Moreira Valente, que participa do projeto.
Valor agregado
Outra consequência positiva da oficina é a qualificação da mão de obra: o valor da diária de trabalho mais que dobrou em 12 anos nas comunidades da região, onde a maior parte dos moradores vive do plantio de subsistência, comércio de guaraná e de madeira.
Criado em outubro de 2010, o atelier OELA reúne ainda 12 profissionais especializados, que produzem instrumentos de alto valor agregado. Os funcionários têm um salário fixo e recebem comissão de acordo com a produção.
Artistas de renome como Milton Nascimento e Nando Reis usam instrumentos lá fabricados. Em geral, as escolas de música são os principais clientes. Alguns dos primeiros clientes do atelier foram professores e alunos da Escola Portátil de Música (EPM), especializada em choro, localizada na Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio). “Como se não bastasse o trabalho especial e fantástico, os instrumentos são de excelente qualidade”, afirma Jayme Vignoli, professor da EPM.
Leia a íntegra da reportagem.
matéria e foto reproduzidos do portal www.revistabrasil.gov.br

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